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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

SER ESPÍRITA


Ser Espírita

Autor: Simone Nardi
Fonte: O Mensageiro

Noutro dia, entre um grupo, ouvi uma discussão, no bom sentido, sobre o que é, realmente, ser espírita. Um amigo insistia que ser espírita é apenas acreditar em reencarnação e pronto, você era espírita.

Outro que ser espírita era tentar mudar, melhorar a si mesmo. Outro ainda dizia que não era, mas tentava ser.

E o que seria realmente ser espírita? Haveria uma fórmula ou uma oração?

Ser espírita para alguns espíritas se torna uma verdadeira obsessão. Sim porque ele vive se cobrando sobre como ser espírita.

Não pode falar alto, não pode perder o controle, não pode ser enérgico. Precisa aceitar tudo.Tudo? E como fica o livre arbítrio e a fé raciocinada?

Não estariam alguns espíritas se apegando demais a palavra e se esquecendo de sua verdadeira obrigação?

Não há livros nem cadernetas que tornem uma pessoa espírita, há sim bom senso e fé, aliás, fé e trabalho, muito trabalho, pois sem ele não se atinge os verdadeiros objetivos da vida.

Caridade e amor. Sim, acho que essa deveria ser a verdadeira discussão dos espíritas. Como praticar, do melhor modo, o amor em forma de caridade.

Ser espírita, por si só, não é amor e nem caridade.

Ser espírita é ser ação. E qual a melhor forma de agir senão amando ao próximo?

Deixemos de lado a discussão e as afirmações de que ser espírita é isso ou aquilo. Amemos. Trabalhemos. Descortinemos o coração para o verdadeiro amor que Jesus ensinou. Não há regras, apenas amor. Seremos todos espíritas quando descobrirmos esse amor.

Não nos preocupemos em dizer que somos dessa ou daquela religião, vamos apenas sentir, apenas amar, apenas servir.

Alguns espíritas se preocupam muito em “Ser Espírita” e se esquecem do principal: o trabalho, o amor, a caridade.

Muito mais importante que ser espírita é ser caridoso. E tem muita gente por aí que não é espírita e é mais caridoso do que aqueles que discutem se são ou não espíritas.

Alguns espíritas se cobram muito e fazem pouco, quando deviam fazer muito, assim não lhes restaria tempo para ficarem se cobrando, já que estão servindo.

Como disse Gandhi: “Que a nossa mensagem seja a nossa própria vida.

Assim eu acho que deveriam ser os espíritas, calados e praticantes, reconhecidos pelas obras e não por sua religião, que sinceramente para Deus não importa qual seja.

Acho que quando ele compreender isso, o espiritismo vai realmente romper fronteiras, mas as fronteiras do coração, não a das religiões.

O espírita se cobra porque é cobrado, e é cobrado porque não faz muitas vezes o que deveria fazer, embora saiba o que deva ser feito.

Quando ele for trabalho, amor e caridade, e não vai ser cobrado e vai ser reconhecido como espírita, aí sim ele vai poder dizer a si mesmo e a mais ninguém :

“Eu sou espírita.”


Sejamos pois espíritas nas vinhas de Deus, onde o trabalho urge e é tão necessário.

"Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo: eis aí a Lei e os profetas."
Jesus Cristo.

"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai a não ser por Mim."
Jesus Cristo

"Nascer, renascer, progredir sempre: tal é a Lei."
Allan Kardec

FORMATAÇÃO: MILTER- 26-02-2012




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sábado, 23 de abril de 2011

O QUE É SER ESPÍRITA ?


Por: Orson Peter Carrara

"Se consultarmos o dicionário ele nos indicará tratar-se de pessoa vinculada ao Espiritismo.

Se perguntarmos a quem não é espírita, uns ironizam (dizendo por exemplo que os espíritas "mexem" com os mortos), outros temem, outros permanecem indiferentes.


Para você, O QUE É SER ESPÍRITA ?

Se indagarmos aos próprios espíritas, uns dirão que é ir ao Centro, tomar passe, ouvir ou fazer palestras, ler livros.

Outros dirão que é fazer caridade.

As respostas serão várias, mas todas incompletas."

Tem MELHOR RESPOSTA que essa!

Ser espírita não é ser nenhum religioso; é ser cristão.

Não é ostentar uma crença; é vivenciar a fé sincera.

Não é ter uma religião especial; é deter uma grave responsabilidade.

Não é superar o próximo; é superar a si mesmo.

Não é construir templos de pedra; é transformar o coração em templo eterno.

Ser espírita não é apenas aceitar a reencarnação; é compreendê-la como manifestação da Justiça Divina e caminho natural para a perfeição.

Não é só comunicar-se com os Espíritos, porque todos indistintamente se comunicam, mesmo sem o saber; é comunicar-se com os bons Espíritos para se melhorar e ajudar os outros a se melhorarem também.

Ser espírita não é apenas consumir as obras espíritas para obter conhecimento e cultura; é transformar os livros, suas mensagens, em lições vivas para a própria mudança.

Ser sem vivenciar é o mesmo que dizer sem fazer.

Ser espírita não é internar-se no Centro Espírita, fugindo do mundo para não ser tentado; é conviver com todas as situações lá fora, sem alterar-se como espírita, como cristão.

O espírita consciente é espírita no templo, em casa, na rua, no trânsito, na fila, ao telefone, sozinho ou no meio da multidão, na alegria e na dor, na saúde e na doença.

Ser espírita não é ser diferente; é ser exatamente igual a todos, porque todos são iguais perante Deus.

Não é mostrar-se que é bom; é provar a si próprio que se esforça para ser bom, porque ser bom deve ser um estado normal do homem consciente.

Anormal é não ser bom.

Ser espírita não é curar ninguém; é contribuir para que alguém trabalhe a sua própria cura.

Não é tornar o doente um dependente dos supostos poderes dos outros; é ensinar-lhe a confiar nos poderes de Deus e nos seus próprios poderes que estão na sua vontade sincera e perseverante.

Ser espírita não é consolar-se em receber; é confortar-se em dar, porque pelas leis naturais da vida, "é mais bem aventurado dar do que receber".

Não é esperar que Deus desça até onde nós estamos; é subir ao encontro de Deus, elevando-se moralmente e esforçando-se para melhorar sempre.

Isto é ser espírita.

Com as bênçãos de Jesus, nosso Mestre.

"Aprendendo a lidar com as crises"


” Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocamos nela, corre por nossa conta“.
(Chico Xavier)

(...) O homem materialista, esquecido de Deus, foge das Suas verdades e uma delas é a que nos traz felicidade — o amor, que nos faz respeitar a tudo o que nos rodeia. Os orgulhosos e egoístas são extremamente infelizes; eles não se contentam com coisa alguma, são eternos insatisfeitos. Não gostam das pessoas simples, achando-as ignorantes; os mais sábios que eles, causam-lhes inveja. Vivem irritados e temerosos. O mundo não se lhes apresenta como uma estação, onde nos encontramos apenas de passagem, mas, sim, como um lugar a ser conquistado, nem que para isso deixem para trás lágrimas e desespero. No dia em que o homem descobrir que a sua alma é imortal e que ninguém conhece sua essência a não ser quem a criou, não mais tentará destruí-la.

Livro: Mãos Estendidas
Irene Pacheco Machado, pelo Espírito Luiz Sérgio
Livraria e Editora Recanto

A grande função da Codificação Kardequiana nos
tempos modernos: apontar ao viajor extenuado do
planeta o conhecimento de si mesmo e a estrutura
de sua personalidade imortal e indivisível, alargando
as possibilidades e ampliando a sua visão espiritual.
Emmanuel e Chico Xavier
Do livro: Pérolas de Sabedoria
Há um século (e meio)
Hilário Silva e Chico Xavier
Do livro: O Espírito da Verdade - FEB

I

Allan Kardec,
o Codificador da Doutrina Espírita, naquela triste manhã de abril de 1860, estava exausto, acabrunhado.
Fazia frio.
Muito embora a consolidação da Sociedade Espírita de Paris e a promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam colocado nas mãos.
A pressão aumentava...
Missivas sarcásticas avolumavam-se à mesa.
Quando mais desalentado se mostrava, chega a paciente esposa, Madame Rivail – a doce Gaby –, a entregar-lhe certa encomenda, cuidadosamente apresentada.

II

O professor abriu o embrulho, encontrando uma carta singela. E leu:

“Sr. Allan Kardec:
Respeitoso abraço.
Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso.
Sou encadernador desde a meninice, trabalhando em grande casa desta capital.
Há cerca de dois anos casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no início deste ano, de modo inesperado, minha Antoniette partiu desta vida, levada por sorrateira moléstia.
Meu desespero foi indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo.
Sem confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade...
A prova da separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo humano.
Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido, ameaçava-me com a dispensa.
Minhas forças fugiam.
Namorava diversas vezes o Sena e acabei planeando o suicídio. “Seria fácil, não sei nadar” – pensava.
Sucediam-se noites de insônia e dias de angústia. Em madrugada fria, quando as preocupações e o desânimo me dominaram mais fortemente, busquei a Ponte Marie.
Olhei em torno, contemplando a corrente... E, ao fixar a mão direita para atirar-me, toquei um objeto algo molhado que se deslocou da amurada, caindo-me aos pés.
Surpreendido, distingui um livro que o orvalho umedecera.
Tomei o volume nas mãos e, procurando a luz mortiça de poste vizinho, pude ler, logo no frontispício, entre irritado e curioso:
“Esta obra salvou-me a vida. Leia- com atenção e tenha bom proveito. – A. Laurent”.
Estupefato, li a obra – “O Livro dos Espíritos” – ao qual acrescentei breve mensagem, volume esse que passo às suas mãos abnegadas, autorizando o distinto amigo a fazer dele o que lhe aprouver”.

Ainda constavam da mensagem agradecimento finais, a assinatura, a data e o endereço do remetente.
O Codificador desempacotou, então, um exemplar de “O Livro dos Espíritos” ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais do seu pseudônimo e na pagina do frontispício, levemente manchada, leu com emoção não somente a observação a que o missiva se referira, mas também outra, em letra firme:

“Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. – Joseph Perrier.”

III

Após a leitura da carta providencial, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro...
Conchegando o livro ao peito, racionava, não mais em termos de desânimo ou sofrimento, mas sim na pauta de radiosa esperança.
Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas...
Diante de seu espírito turbilhonava o mundo necessitado de renovação e consolo.
Allan Karde levantou-se da velha poltrona, abriu a janela à sua frente, contemplando a via pública, onde passavam operários e mulheres do povo, crianças e velhinho...
O notável obreiro da Grande Revelação respirou a longos haustos, e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima....