Elenco e o diretor Wagner de Assis se reuniram ontem para um workshop sobre espiritualidade e História no Rio de Janeiro
Por Atômica Lab
A história do espírito Emmanuel, conhecido como o mentor do médium
mineiro Chico Xavier, vai para os cinemas. O cineasta Wagner de Assis,
responsável pela bem-sucedida franquia Nosso Lar,
reuniu o elenco nesta segunda-feira, dia 13, para um workshop a
respeito do longa-metragem que começará a ser filmado no final de
outubro. Logo depois das apresentações, o elenco realizou a primeira
leitura coletiva do roteiro.
“Sempre começamos os filmes que falam de assuntos espirituais desta
forma, com um encontro”, explica Wagner. “Independentemente do gênero do
filme, achamos que é a melhor forma de mergulharmos no universo
espiritual e, no caso deste filme, do ambiente histórico da época
também”.
A produção do longa é da Cinética Filmes, em coprodução e distribuição com a Imagem Filmes e Universal Entertainment, apoio da FEB Cinema (o selo audiovisual da Federação Espírita Brasileira), e Patricia Chamon e Patricia Kamitsuji como produtoras associadas.
Sobre o filme
O longa é baseado nos bestsellers Há 2000 Anos, Cinquenta Anos Depois e Ave, Cristo!,
que já somam mais de 8 milhões de exemplares vendidos desde que foram
lançados a partir da década de 1930. Todos foram psicografados por Chico
Xavier, e trazem relatos das histórias que envolvem o personagem
principal.
O filme vai narrar as vidas de Emmanuel através de várias
reencarnações. “Para que possamos mostrar todas as encarnações, optamos
por trazer diferentes atores para interpretar o personagem ao longo dos
séculos. Assim, manteremos os relatos fiéis à ideia das múltiplas
existências, mesmo sendo sempre um único espírito que vive todas essas
experiências tão marcantes”, explica Wagner.
O elenco
Wagner, diretor e roteirista do filme, aproveitou o encontro desta
segunda-feira para também apresentar os protagonistas do épico que
atravessa mais de 2.000 anos de História. Emmanuel será interpretado por
um elenco estelar: Mouhamed Harfouch, Edson Celulari, Marcelo Serrado,
Leonardo Medeiros, Rafael Infante e Guilherme Magon.
A história também é um romance de “almas gêmeas”, que será
apresentado na época em que Emmanuel é um Senador romano, e vive o amor
por sua esposa, Lívia, uma das primeiras mártires cristãs, cujo
personagem será vivido por Juliana Paiva.
Caco Ciocler, Emílio Orciollo Netto, Eucir de Souza, Maria Eduarda de
Carvalho, Natallia Rodrigues, Letícia Braga, Rafa Sieg, Karin Roepke,
Ronaldo Reis, Bruno Padilha, Talita Maia, Daniel Villas, Camila
Lucciola, Vandré Silveira, Felipe Vidal, Maya Aniceto, Lettícia Moraes,
Felipe Gotelip, Mário Cardona Jr, Beatriz Alcantara, Ricardo Rodriguez,
Pedro Zurawski, Ágatha Félix, Gabriella Busich, Luã Costa, Rafael Zolly,
Rodrigo Lourival, Marcéu Pierrotti, Ittalo Figueiredo, Israel Eyer,
Diego Casanova, Vinícius Gressler, André Lima, Flávio Scala, Ely Jaffar,
Marcio Elizzio, Alle Franco, Diogo Mazzoli, Miguel Ferrari, Fábio
Bastos, Aldebaran Oliveira, Larissa Landim e a menina Sophia Fuggacy
estão no elenco interpretando mais de 70 personagens que compõem as
diversas fases do filme.
A história do longa atravessa os tempos, desde a Roma Antiga — da
República e do Império —, passando pela Galileia da época de Jesus, a
Itália de Francisco de Assis, e o Brasil do século XVI. Até chegar a
Uberaba, na época atual.
“É uma produção muito ousada porque precisamos reconstituir pedaços
de épocas em que este espírito viveu, e que têm enorme importância para
sua trajetória única” conta Wagner. “Acompanhamos sua jornada desde que
era um homem irascível e orgulhoso, até se tornar o ser espiritual e
iluminado que serve como mentor para todos nós, diante da inestimável
contribuição na divulgação das realidades espirituais que conhecemos
através da mediunidade de Chico Xavier”.
As filmagens estão previstas para Rio de Janeiro e Roma, além de
locações em Petrópolis e outras cidades do estado do Rio de Janeiro.
Equipe FEB Cinema, o diretor Wagner de Assis e parte do elenco principal de Emmanuel. Foto por Ique Esteves.
Serviço
Produção: Cinética Filmes Coprodução e Distribuição: Imagem Filmes e Universal Pictures Apoio: FEB Cinema Produtoras associadas: Patricia Chamon e Patricia Kamitsuji Direção e roteiro: Wagner de Assis
"[...] o maior entre vós seja como o mais novo, e o que comanda como o que serve." (Lucas, 22:26)
O Evangelho apresenta, igualmente, a mais elevada fórmula de vida político-administrativa aos povos da Terra.
Quem afirma que semelhantes serviços não se compadecem com os labores do Mestre não penetrou ainda toda a verdade de suas Lições Divinas.
A magna questão é encontrar o elemento humano disposto à execução do sublime princípio.
Os ideais democráticos do mundo não derivaram senão do próprio ensinamento do Salvador.
Poderá encontrar algum sociólogo do planeta, plataforma superior além da gloriosa síntese que reclama do governante as legítimas qualidades do servidor fiel?
As revoluções, que custaram tanto sangue, não foram senão uma ânsia de obtenção da fórmula sagrada na realidade política das nações.
Nem, por isso, entretanto, deixaram de ser movimentos criminosos e desleais, como infiéis e perversos têm sido os falsos políticos na atuação do governo comum.
O ensinamento de Jesus, nesse particular, ainda está acima da compreensão vulgar das criaturas.
Quase todos os homens se atiram à conquista dos postos de autoridade e evidência, mas geralmente se encontram excessivamente interessados com as suas próprias vantagens no imediatismo do mundo.
Ignoram que o Cristo aí conta com eles, não como quem governa tirânica ou arbitrariamente, mas como quem serve com alegria, não como quem administra a golpes de força, mas como quem obedece ao Esquema Divino, junto dos seres e cousas da vida.
Jesus é o Supremo Governador da Terra e, ao mesmo tempo, o Supremo Servidor das criaturas humanas.
Emmanuel
(Alma e luz. Ed. IDE, Cap. 12)
Mensagens de Emmanuel: https://play.google.com/store/apps/details?id=peloespiritoemmanuel.com
Oh, meu companheiro, Dr. Helder, o que tenho para te dizer neste momento... - Ainda tenho vivo em minha mente aquele memorável dia 25 de agosto de 1994, uma quinta-feira, quando fui recebido por você (Que honra! Que luxo! Que presente!) no Grupo Espírita Ave Luz, dia dos estudos de “O Livro dos Espíritos”. - Você, como sempre, se curvava em gesto de acolhimento, apertou firme a mão e me indicou onde sentar para ouvir os estudos, dizendo: “seja bem-vindo...”. Isso impactou minha vida. Muito do que me tornei como ser humano devo à minha permanência no Ave Luz por mais de 20 anos, graças à sua inspiração e aconselhamento. - Você é o professor dos professores. Você nos formou. Formou gerações no meio espírita. Talvez a única coisa que você nunca negou às pessoas foi a habilidade de ensinar. Formou dezenas, talvez até centenas, nestes mais de 32 anos dedicados à Doutrina Espírita, entre passistas, coordenadores de grupo, monitores de evangelho, de ESDE. Foi, é e sempre será sua marca: ensinar, libertar almas através do conhecimento – neste caso, o conhecimento do mundo espírita. - Suas histórias de ensino vão além do tradicional. Ele, certa vez, me contou uma história que revela seu tamanho como cristão. Quem, por exemplo, iria a pé da Aerolândia, onde morava em 1994, até o Jangurussu (um trecho de mais de 12 km) porque, naquele momento, faltavam-lhe recursos? E ainda assim ele mantinha o compromisso de levar o espiritismo a almas sedentas de conhecimento, sabendo que este conhecimento poderia magnetizar, curar, aliviar dores e sofrimentos. Fora outras histórias, como as vezes em que, mesmo com febre, sem voz, doente, a pé, de qualquer forma, ele estava disposto a ajudar sempre. - Ele é convicto sobre ser espírita e sobre sua missão na Terra, coisa (convicção) que nos falta em muitas áreas. Essa sua postura firme impactou e ajudou muitas vidas, tenha certeza disso. A arte de cuidar e zelar pelas pessoas foi além de sua vida profissional como enfermeiro. Ele cuidava de todos. Preocupava-se com todos. Esse é o Helder. Não media esforços físicos, materiais, financeiros e até biológicos para se dedicar à instituição que ajudou a fundar, a qual, como ele gostava de dizer: “um ponto de luz em meio à escuridão”. Esse foi seu grande legado e jamais será esquecido. - Fui forjado por suas palavras e gestos. Você me inspirou profundamente. Sou grato por tudo. Meu amigo, eu gosto muito de escrever, mas a emoção que me toma agora me impede de dizer tudo sem esquecer detalhes importantes da nossa história. Apesar do distanciamento dos últimos anos, consegui te visitar nestes momentos finais da sua existência. E, na última vez que te vi, disse-lhe, abraçando-o, que o amava. Não esqueça disso. - Aqui não é um adeus para você. É um até logo. É um “vamos fazer uma reunião ou estudo”, em breve ou, talvez, não tão breve, em algum lugar deste espaço infinito. - Foi um privilégio conviver com você, compartilhar um tempo e uma época ao seu lado. Ter trabalhado e estudado com você. Vivemos experiências incríveis, e isso jamais será esquecido. Vá, caro amigo, e se junte a companheiros e companheiras que foram antes, como Carvalho, Anchieta, Pedrinho e tantos outros, e cuidem de nós por aí. - Como está nos postulados espíritas: “àqueles que foram já devem ter cumprido sua missão. Os que estão talvez sequer tenham começado”. - Siga com Deus e os bons Anjos! À família Loureiro, todos, força. Estamos aqui! - Além do túmulo o espírito ainda canta seus ideais de paz, amor e luz.
Coluna Releituras kardecistas com Marcio Sales Saraiva
Um
dos pilares do espiritismo é a convicção de que existe uma pluralidade
de mundos habitados e não somente o planeta Terra, onde atualmente
vivemos. Isso é inequívoco em “O livro dos espíritos”, na questão 55:
“Todos os globos que circulam no espaço são habitados?
— Sim,
e o homem terreno está bem longe de ser, como acredita, o primeiro em
inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam
espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio
de ser habitado por seres racionais. Orgulho e vaidade! Creem que Deus
criou o universo somente para eles.”
Orgulho e vaidade é achar que o universo é todo nosso. Esta é a resposta dos espíritos.
Não se trata, é óbvio, de mundos iguais à Terra. Os espíritos dizem que “eles absolutamente não se assemelham” (questão 56, LE) com o nosso planeta azul.
Os seres que habitam estes outros mundos também não são iguais aos humanos terráqueos, da mesma forma que “os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar” (questão 57, LE). Kardec explica que “As condições de existência dos seres nos diferentes mundos devem ser apropriadas ao meio em que têm de viver”. Nada mais lógico do que isso.
Jesus de Nazaré disse: “Não
se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa
de meu pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito” (João 14:1,2).
Casa de Mozart em Júpiter, publicada na Revista Espírita, ano 1858.
Allan Kardec, em “O evangelho segundo o espiritismo”
(OESE), capítulo 3, está consciente de que há possibilidades diferentes
de interpretação desta passagem, mas o fundador sinaliza para a
primeira leitura:
“A
casa do pai é o universo. As diferentes moradas são os mundos que
circulam no espaço infinito, oferecendo aos espíritos desencarnados
estações apropriadas ao seu adiantamento” (OESE 3:1).
Sendo
o universo a morada da divindade, nele encontramos pluralismo de
populações. A Terra é apenas uma delas. Há diversidade de mundos
habitados e cada um tem desenvolvimento cognitivo e espiritual distinto,
pois
“[…]
há os que são ainda inferiores à Terra, física e moralmente. Outros
estão no mesmo grau, e outros lhe são mais ou menos superiores, em todos
os sentidos. Nos mundos inferiores a existência é toda material, as
paixões reinam soberanas, a vida moral quase não existe. À medida que
esta se desenvolve, a influência da matéria diminui, de maneira que, nos
mundos mais avançados, a vida é por assim dizer toda espiritual” (OESE 3:3).
E
nessa diversidade de mundos inferiores à Terra e outros que lhes são
superiores, há os mundos intermediários, mais ou menos como o nosso, “o bem e o mal se misturam, e um predomina sobre o outro, segundo o grau de adiantamento em que se encontrarem” (OESE 3:4).
A
convicção espírita sobre a pluralidade de mundos habitados é bem
anterior aos modismos ufológicos do século XXI e ainda não encontra uma
resposta positiva na ciência, apenas indícios ou razoabilidade
filosófica. Em outras palavras, a ciência humana ainda não tem fatos
concretos que corroborem essa convicção espírita que nasce com as
comunicações dadas pelos espíritos, alguns inclusive de outros planetas.
Ainda
sem o respaldo da ciência, o espírita poderá deixar essa convicção
“pendurada” até que o tempo possa ou não confirmar. É uma hipótese
válida, mas não sendo o espiritismo dogmático, ele não poderia exigir de
seus adeptos uma crença cega nesse ponto, apenas uma abertura mental e
uma confiança no que dizem os espíritos sobre o assunto.
É
importante compreender isso porque o tema caiu no ridículo e não faltam
médiuns dispostos a psicografar sobre coisas de outros planetas,
incluindo naves estelares de Júpiter, que não encontram respaldo nas
ciências deste mundo e nem no bom senso, na razoabilidade.
Sendo
assim, façamos como Allan Kardec e tenhamos sempre um pé atrás quando
alguém diz falar em nome de “espíritos de outros planetas” ou que já
testemunhou comunicações com “extraterrestres”. Não vamos confundir as
pesquisas sérias neste campo, como o Paradoxo de Fermi e a hipótese do
zoológico —e é com elas que o espiritismo deve dialogar—, com algumas
viagens alucinógenas sobre espíritos de supostos comandantes de frota
intergalácticas. “Tudo temos de ter cautela”, disse Titão Passos em “Grande sertão: veredas” de Guimarães Rosa. E assim deveria ser no espiritismo que leva a sério o legado de Allan Kardec.
Já
é sabido de muita gente que pesquisadores espíritas e ufólogos
apresentam muitos interesses em comum, ainda que nem sempre eles
sejam colocados claramente. Apesar disto, o tema ufologia ainda
encontra alguma resistência no meio espírita e, para sabermos mais
sobre o assunto, conversamos com o médium, escritor e pesquisador
Pedro de Campos.
Pedro
de Campos, que se
diz particularmente interessado no tema da evolução humana,
conheceu o Espiritismo aos 13 anos, desenvolvendo sua mediunidade.
Tornou-se um dos importantes pesquisadores do Espiritismo científico
e de Ufologia da atualidade, psicografando três livros sobre o tema:
Colônia Capella – A
Outra Face de Adão
(EspíritoYehoshua Bem Nun), Universo
Profundo – Seres Inteligentes e Luzes no Céu
(Espírito Erasto) e UFO
– Fenômeno de Contato
(Espírito Yehoshua Bem Nun).
(separamos
as perguntas em negrito, e as respostas em texto normal)
Você
entende que devia haver uma aproximação maior entre o Espiritismo e
a Ufologia, no sentido de se estudar melhor e com mais profundidade
os eventos e fenômenos que ocorrem em cada um deles?
Do
meu ponto de vista, acredito que a primeira coisa que se deva
procurar é um entendimento mais amplo do que seja a pluralidade dos
mundos habitados de que fala a Doutrina Espírita, com todas as suas
variações, sem preconceito algum. E isso é algo que nós,
espíritas, devemos fazer.
Do ponto de vista científico,
podemos dizer que no universo há bilhões de planetas; uma
infinidade deles pode ter condições semelhantes às nossas. A vida
neles pode ter surgido e evolucionado até o patamar inteligente, com
realizações técnicas tão avançadas que talvez sejam difíceis
até de imaginar.
Contudo, do ponto de vista físico, por ter
evolucionado num mundo semelhante ao nosso, o ser extraterrestre, por
mais adiantado que seja, ainda seria uma criatura de corpo sólido,
denso como o nosso, para não dizer de carne e osso.
Mas
além dele, a Doutrina Espírita fala também de um ser menos
material que habita os planetas do sistema solar, vivendo ali num
regime de encarnação e desencarnação, por assim dizer. E a nossa
ciência diz que não há vida de carne e osso neles, nem tampouco
detectou seres alados volitando de um lado para o outro do orbe.
Então, essa criatura menos material de que fala o Espiritismo deve
ter um corpo muito diferente do nosso, postado em outra dimensão do
espaço-tempo. E deve ter evolucionado de uma maneira que nos seria
totalmente desconhecida. Para considerar a existência dessa
criatura, com características assim tão impalpáveis, precisamos
dar a ela um outro nome, para não misturar as coisas. O espírito
Erasto chamou de ultraterrestre essa criatura e registrou isso no
livro Universo
Profundo.
Os
Espíritos da Codificação falaram desse tipo de vida. E quando ela
for entendida de modo filosófico, então vamos aceitar que os seres
ultraterrestres vivem em esferas sutis, evolucionando num regime de
pluralidade de existências. E por estarem vivos, a reprodução da
espécie deve ser coisa normal, para que haja continuidade da vida.
Normal também seria o estudo e o desenvolvimento da tecnologia, a
qual poderia já ter atingido um patamar bem avançado. Se
considerarmos isso, então vamos ver que os objetos voadores não
identificados, os ÓVNIs, poderiam ser a expressão técnica dessas
civilizações mais adiantadas, vibrando numa faixa totalmente
desconhecida da nossa ciência.
O conceito filosófico do
Espiritismo e suas práticas experimentais podem dar uma nova base de
sustentação para entendimento dos fenômenos ufológicos. E a
investigação científica desse tipo de vida poderia aproximar
Espiritismo e Ufologia.
Como
poderia ocorrer essa aproximação?
Primeiro
teria de haver a leitura das obras de Kardec e a dos bons livros de
Ufologia. Em termos de investigação prática, quem leu o livro
Universo Profundo
viu que o nosso querido Erasto deu uma visão espírita mais ampla
dos fenômenos. E, no final do livro, o autor espiritual deixou um
Projeto Contato, com o qual o tema poderia ser articulado de modo
científico, pois os tempos atuais exigem novas abordagens, com
técnicas refinadas de pesquisa. A Ufologia não é uma atividade
para ser feita num recinto fechado, como no do Centro Espírita. Os
fenômenos acontecem lá fora, no aconchego da natureza terrestre.
Por isso é preciso ir a campo e investigar com metodologia
apropriada.
Seu
livro Universo
Profundo: Seres Inteligêntes e Luzes no Céu
é apresentado como “uma visão espírita da ufologia”. Trata-se
de um tema delicado no meio espírita, uma vez que muitas pessoas não
gostam de tocar em questões ligadas a OVNIs e extraterrestres. Como
você vê essa questão? Foi difícil para você chegar até essa
abordagem?
Por
que será que o assunto é delicado? Por que será que as pessoas não
gostam de tocar essa questão? Há de se ter motivos para isso.
Comigo acontecia o mesmo. Para falar do assunto com a devida
propriedade eu me ressentia da falta de um livro-suporte que me desse
os fundamentos doutrinários.
Lembro-me de certa ocasião
em que Jether Jacomini, em seu programa de rádio, na Rede Boa Nova,
perguntou-me nos bastidores se eu poderia falar sobre abdução, um
tema intrigante que não poderia mais ser adiado. Foi nesta ocasião,
dentro das Casas André Luiz, que senti a disposição da
espiritualidade em resolver isso. A resposta veio de Erasto,
posteriormente. Então, a questão toda ficou fácil de entender, mas
ainda assim difícil de aceitar. Somente um estudo acurado e
reflexivo da obra Universo Profundo, procurando os fundamentos na
Doutrina Espírita, é que poderá resolver isso.
Se o
encarnado não estiver preparado para entender a questão ufológica
agora, isso se deve a ele próprio; a espiritualidade já se
manifestou abertamente, não há mais razão para insegurança ao
tratar o tema. O certo é que o público vai querer saber, e o
divulgador espírita precisará explicá-lo. Para isso, é preciso
encarar a situação, estudar o tema e formar opinião para
divulgá-lo com segurança.
Quais
você considera que são as mais importantes e evidentes conexões
entre a Ufologia e o Espiritismo? Existem fenômenos comuns a
ambos?
A
maior de todas as conexões é que ambos os fenômenos, espírita e
ufológico, procedem de um mundo invisível e têm como protagonistas
seres inteligentes. Assim, casos como os de aparição, de
materialização, de transporte, levitação, de telepatia e ainda de
outros, são comuns a ambos. Mas o mais intrigante, para nós
espíritas, é que em meio aos fenômenos comuns existem aqueles
destoantes, ocorrências novas, não tratadas na época da
codificação, tais como discos voadores, os contatos imediatos com
seres humanóides, os eventos surpreendentes de abdução e os
insólitos implantes e experiências alienígenas. Isso tudo, Erasto
comenta e nos esclarece, mostrando as conexões, as diferenças e os
porquês, sempre se posicionando fundamentado na Doutrina Espírita,
desenvolvendo os temas com explicações racionais, capazes de
aclarar os pontos obscuros.
Mensagens e
comunicações
No que se refere ao contato entre os
ultraterrestres e nós, é preciso destacar também as possíveis e
prováveis diferenças entre as mensagens recebidas dos seres de
outros mundos e aquelas recebidas dos Espíritos. Em seus livros,
Pedro de campos também se referiu ao assunto, e nos esclareceu seus
pontos de vista.
Você
fez uma distinção entre as canalizações de mensagens dos
ultraterrestres e as mensagens dos Espíritos. Quais seriam e de que
forma seria possível detectar essas diferenças?
Quem
ler o livro UFO:
Fenômeno de Contato,
vai conhecer muita coisa nova. A canalização é tema abordado em
capítulo específico. Numa curta definição, podemos dizer que
“canalizar é recepcionar e interagir com um pensamento inteligente
de natureza extrafísica”. Isso quer dizer que tanto o Espírito
pode ser canalizado quanto o ser ultraterrestre. As diferenças entre
as duas entidades são muitas. Elas também são tratadas no recente
livro.
O conteúdo e o modo de transmissão das mensagens
são algo diferente. Uma comunicação cujo conteúdo esteja recheada
de termos expressivos, mas com muita fabulação sobre as energias e
planos existenciais, denotando no fundo não sair do terra-a-terra,
por lógica não poderia vir de uma entidade evoluída de outra
esfera. Nesse caso, o mais provável é que seja um embuste
espiritual. Nesse caso, o dirigente, amparado por seus guias, deve
encaminhar o embusteiro à sessão apropriada, para doutrinação e
afastamento. Espíritos podem fazer aparições e executar outras
atividades, mas não usam naves espaciais estruturadas para se
comunicar.
Os ultraterrestres não incorporam, mas se
comunicam por telepatia. Tampouco o fazem por psicografia. Os que
assim precedem estão na erraticidade, são Espíritos desencarnados,
seja de que orbe for do infinito. Se um Espírito de outro orbe
incorporasse o médium, ele teria de usar o aparato físico mediúnico
para se comunicar. Para falar, teria de dominar a escrita. Como não
sabe o idioma e tampouco nossa escrita, não poderia fazê-lo. Mas
tanto um Espírito de outro orbe quanto um ser ultraterrestre,
comunicando-se por telepatia, poderia passar a imagem mental ao
médium, e esta não precisaria de idioma algum para ser entendido.
Nessa condição, o médium interpretaria a mensagem segundo sua
própria cultura, conforme sua intuição, seu sentimento e sua
clarividência. Contudo, para fazer isso é preciso que o sensitivo
tenha vários dotes mediúnicos bem desenvolvidos, além da ajuda de
seu guia espiritual, para validar a mensagem. Caso a entidade denote
característica ultraterrestre na comunicação, então a prova só
pode ser aceita com a demonstração da nave nos céus, de modo que
ela fique bem nítida para todos.
Diferente do
Espiritismo, a Ufologia é estudo do objeto voador não identificado,
o chamado OVNI ou UFO. Por isso, o que identifica sem equívoco o
alienígena é a sua nave. Enquanto a criatura não materializar a
nave e disser por si próprio a que veio, qualquer outra comunicação
canalizada poderia ser considerada como vinda de Espírito errante.
Sem a nave, não há fenômeno ufo. E sem ufo, não há certeza da
criatura ser alienígena.
Você
se referiu ao fato dos ultraterrestres poderem se comunicar por
telepatia, mas que isso raramente ocorre nas Casas Espíritas. Não
seria de se esperar que os médiuns tivessem mais possibilidade de
receber essas mensagens telepáticas ou canalizações?
Os
médiuns espíritas podem captar perfeitamente mensagens de
ultraterrestres. Mas é preciso entender primeiro o porquê disso ser
raro nos Centros Espíritas. É muito importante lembrar que a prova
definitiva de uma canalização só pode ser dada com a aparição da
nave em campo aberto. Caso contrário, a comunicação ficaria
duvidosa para todos. Dentro de um ambiente fechado, não haveria como
fazer isso, não daria para ver a nave nos céus. E dentro das
cidades, isso seria uma atividade inviável, haveria pânico. Além
disso, trata-se de fenômeno físico, para o qual há riscos. Uma
pessoa não preparada poderia não suportar o choque emocional.
Primeiro é preciso a permissão do plano espiritual maior para
realização de qualquer atividade espírita conjugada à
Ufologia.
Por
se encontrarem em dimensões “mais sutis”, o contato entre
ultraterrestres e Espíritos não seria mais fácil e simples de
acontecer do que destes conosco, especialmente quando falamos dos
ultraterrestres moralmente evoluídos?
Apenas
por uma questão de lógica, seres evoluídos deveriam ter mais
facilidade de comunicação entre si do que nós com eles; a nossa
dificuldade para isso é grande. Mas no que respeita à comunicação
entre Espíritos e seres ultraterestres, não me parece possível
estabelecer uma regra geral e com isso dizer que seja mais fácil ou
mais difícil o contato.
Entre os Espíritos há vários
graus de refinamento. E cada qual estagia numa estratificação
diferenciada do outro. O de peso específico maior não consegue
subir a paragens mais rarefeitas. O peixe não respira fora da água,
mas o homem submerso tem artifícios para fazê-lo. O Espírito mais
evoluído pode descer a camadas de vibração inferior, enquanto que
o de lá não conseguiria subir. Assim se compreende que numa certa
dimensão espiritual há várias estratificações, como se fossem
planos de uma extensa escada. Essa concepção ascendente é válida
para todos os Espíritos ainda em estágio de depuração, seja de
que orbe for do infinito.
No livro Universo
Profundo, o autor
espiritual nos ensina que “uma outra dimensão é um outro mundo”.
Para se ir a outra dimensão há de se ter condições para fazer
isso, quer seja uma entidade, quer seja outra. A seu turno, cada
classe de ultraterrestre estagia numa dimensão específica. As
classes mais altas podem descer para níveis mais baixos. Mas isso
não significa que essa movimentação dos ultraterrestres se faça
na esfera dos Espíritos da Terra; a dimensão é outra. Um está
encarnado, por assim dizer, e o outro, desencarnado. Quando a
movimentação alienígena se faz no ambiente terrestre, acontecem os
fenômenos luminosos, os fantásticos objetos voadores não
identificados que vemos nos céus. É fácil o entendimento, mas a
aceitação disso pelos encarnados pode ser muito difícil.
Os
Ultraterrestres
Para explicar o que são exatamente os
ultraterrestes e qual a diferença entre esses seres e os Espíritos
aos quais se refere o Espiritismo, Pedro de Campos começa dizendo
que primeiro é preciso entender o que é extraterrestre.
“Este
seria uma criatura de fora do planeta Terra”, ele diz, “mas um
ser de corpo sólido como o nosso, sem necessidade de ser igual na
aparência e na constituição orgânica. Mas ainda assim uma
criatura de natureza física material”.
“O
ultraterrestre seria uma criatura também de fora do planeta Terra,
mas um ser de corpo incomum, de corpo menos material que o nosso,
como denomina o Espiritismo. Uma criatura de natureza extrafísica,
invisível para nós, assim como o são os espíritos. Essa criatura
seria habitante das esferas sutis de outros planetas do nosso sistema
solar, como também das profundezas etéreas do universo. Seria um
ser vivente de outra dimensão do espaço-tempo, cujo corpo
constituído de antimatéria cresce, se reproduz, envelhece e morre.
Como exemplo, citamos as criaturas encarnadas mencionadas por Kardec
na nota de rodapé da pergunta 188 de O
Livro dos Espíritos”.
(1)
“Os espíritos, por sua vez, são inteligências
errantes, ou seja, seres que não estão revestidos de forma corpórea
alguma, senão a forma perispiritual. Salvo os espíritos puros, que
não precisam mais reencarnar, todos os demais, para evoluir, devem
voltar a uma forma corpórea. Essa forma corpórea pode ser de
matéria sólida, como a dos homens e a dos seres extraterrestres
descritos, ou pode ser de antimatéria, a qual é sutil, etérea,
como a dos seres ultraterrestres mencionados. O espírito quando
desencarnado aguarda seu retorno à vida corpórea nas colônias
espirituais, onde ali vive sem que haja procriação, porque
espíritos não se reproduzem, são obras do Criador. No Apêndice do
livro Universo Profundo
há um quadro sintético que mostra objetivamente as diferenças
entre espírito e o ser ultraterrestre”.
1-
Livro dos Espíritos – Questão 188
188.
Os Espíritos puros habitam mundos especiais, ou se encontram o
espaço universal, sem estarem ligados de modo particular a nenhum
mundo?
“Habitam mundos determinados, mas não lhes ficam
presos, como o homem à Terra; melhor que os outros, podem ir a toda
parte.”(1)
1)
Nota de Kardec:
De todos os globos que constituem o nosso
sistema planetário, segundo os Espíritos, a Terra é daqueles cujos
habitantes são menos adiantados, física e moralmente; Marte lhe
seria ainda inferior, e Júpiter, muito superior, em todos os
sentidos. O Sol não seria um mundo habitado por seres corpóreos,
mas um lugar de encontro de Espíritos superiores, que de lá
irradiam seu pensamento para outros mundos, que dirigem por
intermédio de Espíritos menos elevados, com os quais se comunicam
por meio do fluído universal. Como constituição física, o Sol
teria um foco de eletricidade. Todos os sóis, ao que parece,
estariam nas mesmas condições.
O volume e o afastamento
do Sol não têm nenhuma relação necessária com o grau de
desenvolvimento dos mundos, pois parece que Vênus está mais
adiantado que a Terra e Saturno menos que Júpiter.
Muitos
Espíritos que animaram pessoas conhecidas na Terra disseram estar
reencarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição
e é de se admirar que num globo tão adiantado se encontrem homens
que a opinião terrena não considerava tão elevados. Isto, porém,
nada tem de surpreendente, se considerarmos que certos Espíritos,
que habitam aquele planeta, podiam ter sido enviados à Terra em
cumprimento de uma missão que, aos nossos olhos, não os colocaria
em primeiro plano; em segundo lugar, entre a sua existência terrena
e a de Júpiter podiam ter tido outras, intermediárias, nas quais se
tivessem melhorado; em terceiro lugar, naquele mundo como no nosso,
há diferentes graus de desenvolvimento, e entre esses graus pode
haver a distância que separa entre nós o selvagem do homem
civilizado. Assim, do fato de habitarem Júpiter, não se segue que
estejam no nível dos seres mais evoluídos, da mesma maneira que uma
pessoa não está no nível de um sábio do Instituto, pela simples
razão de morar em Paris.
As condições de longevidade
não são, por toda parte, a mesmas da Terra, não sendo possível a
comparação de idades. Uma pessoa falecida há alguns anos, quando
evocada, disse haver encarnado, seis meses antes, num mundo cujo nome
é desconhecido. Interpelada sobre a idade que tinha nesse mundo,
respondeu: “Não posso calcular, porque não contamos o tempo como
vós; além disso, o nosso meio de vida não é o mesmo;
desenvolvemo-nos muito mais rapidamente; tanto assim, que há apenas
seis dos vossos meses nele me encontro, e posso dizer que, quanto à
inteligência, tenho trinta anos de idade terrena”.
Muitas
respostas semelhantes foram dadas por outros Espíritos e nada há
nisso de inverossímil. Não vemos na Terra tantos animais adquirirem
em poucos meses um desenvolvimento normal? Por que não poderia
dar-se o mesmo com o homem, em outras esferas? Notemos, por outro
lado, que de trinta anos, talvez não seja mais que uma espécie de
infância, comparada ao que ele deve atingir. É preciso ter uma
visão bem curta para nos considerarmos os protótipos da Criação,
e seria rebaixar a Divindade acreditar que, além de nós, ela nada
mais poderia criar.
Os ÓVNIS na Visão
Espírita
Pedro de Campos lembra que Kardec não falou de
objetos voadores que aparecem nos céus e se materializam, porque
isso só ganhou destaque na sociedade humana depois da Codificação,
iniciada em 1857.
Contudo, Kardec registrou que seres
inteligentes se manifestam na Terra, que todos os orbes do infinito
são habitados e que os Espíritos estão ali encarnados numa forma
corpórea. Registrou que nesses mundos menos materiais o Espírito
encarna, revestido de um corpo também menos material. Assim, nesses
mundos a criatura nasce, cresce, se reproduz, morre e reencarna.
Kardec citou Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, os orbes radiantes e
as profundezas etéreas do cosmos. A conclusão, diz Campos, é que,
assim como o homem não foi colocado pronto na Terra – mas nela
evolucionou por longos períodos e aqui desenvolveu tecnologia
avançada, como aviões, foguetes, etc. – nos outros mundos do
universo deve ter acontecido processo semelhante, seguindo a mesma
lógica de raciocínio. Assim, ÓVNIS que aparecem na Terra, com a
visão evolucionista que nos dá o Espiritismo, seriam resultado da
evolução tecnológica daqueles seres inteligentes.
Fonte:
Livro dos Espíritos – Questão 188 / Revista Espiritismo &
Ciência – Vida em Outros Mundos
Pode parecer um absurdo espiritizar o Centro Espírita e um tanto
paradoxal. No entanto, há Centro Espírita que só tem o rótulo mas
não tem espiritismo. Vamos por partes, porque é muito delicado.
Fui convidado a proferir uma conferência em um
Centro Espírita no sul do país. Normalmente, quando recebo convite,
não atendo, porque pode ser entusiasmo da pessoa. No segundo convite
eu digo: “para o ano, volte a escrever.” Isso é para ver se a
pessoa está mesmo interessada. Para o ano a pessoa volta a escrever
e eu digo: “para o ano, na programação, nós vamos agendar.”
E, naquela Casa, fui postergando por um período
de seis a oito anos, por falta de tempo, até que o presidente
insistiu tanto que fiquei constrangido e dei um jeito.
Disse-lhe, na carta: “mande-me as datas que lhe
são ideais e eu escolherei aquela compatível com minha
programação.” Estabelecemos a data e por seis meses
correspondemo-nos e tudo foi muito bem.
No dia marcado cheguei à cidade e fui a uma bela
instituição. Edifício monumental. Uma grande sala. Quando cheguei
à porta, fui recebido por uma comissão muito gentil e
estabeleceu-se o seguinte diálogo:
— Senhor Divaldo, o Presidente pede desculpas
por não ter podido vir receber o Senhor.
Eu disse: “é muito natural, não há problema.”
— Aqui está o Vice presidente, o Secretário, o
Tesoureiro, e nós desejamos recebê-lo, porque o nosso Presidente
está, no prédio vizinho, fazendo cromoterapia.
— “Eu não sabia que ele era cromoterapeuta,”
falei. “Ele é profissional, naturalmente?”
— “Não! Ele é espírita”, responderam-me.
— Deixe-me ver: ele é o Presidente do Centro e
é o presidente da cromoterapia? Ele me convidou para vir aqui
durante oito anos. Marcou a data e foi fazer a cromoterapia!
— É porque a cromoterapia é muito importante.
Está salvando milhares de vida.
— Que graça! Eu sempre pensei que o Espiritismo
está salvando milhões de vidas.
Será esta a imagem de um Centro Espírita? Em
absoluto.
O Centro Espírita não tem que se envolver com
nenhuma terapia alternativa. É até um desrespeito, porque o
cromoterapeuta é alguém que estudou. Ele tem sua clínica e o
Centro Espírita não se pode transformar numa clínica alternativa.
É lugar de transformação moral do indivíduo, onde se viaja ao
cerne do problema para arrancá-lo. Se transformarmos um Centro
Espírita em uma clínica, para lá vão pessoas aturdidas. Qualquer
coisa esdrúxula que anunciemos no jornal haverá uma massa
incontável que adere por necessidade de pedir socorro.
Mas o Espiritismo não ilude, não mente e nem
posterga a ação, porque ele é herança de Jesus. E Jesus, com todo
o amor, dizia a verdade. Seja o nosso falar: sim, sim, não, não,
conforme Ele o fazia. Não iremos dizer de forma grotesca ou
agressiva, mas iremos dizer de uma forma verdadeira. É melhor, às
vezes, perder o amigo agora porque não conivimos e o termos depois,
do que o apoiarmos e o perdermos em definitivo, quando ele notar a
nossa fraude.
Então, Joanna de Ângelis manda ESPIRITIZAR.
Tenho ouvido oradores em casas Espíritas
apresentarem temas maravilhosos, mas que não são nada espíritas.
Temas que podem narrar no Rotary, na Maçonaria, no Lions, numa
reunião social. Na Casa Espírita pode-se abordar qualquer tema, à
luz do Espiritismo. Fazer as conotações espíritas.
Se aconteceu uma tragédia na cidade vamos
examiná-la, à luz do Espiritismo. Está no momento da clonagem.
Vamos falar sobre clonagem, à luz da Doutrina Espírita. Está nos
noticiários a corrupção. Vamos falar sobre a corrupção e a
terapia Espírita.
Infelizmente não está ocorrendo isso.
Convida-se, às vezes, oradores admiráveis, fascinantes, porém,
totalmente deslocados. Palestras que se pode ouvir em qualquer lugar.
Na Casa Espírita vão as pessoas atormentadas,
buscando consolação, com a alma despedaçada pela morte de seres
queridos e, se ouvem uma coisa que nada tem a ver com a proposta da
Doutrina Espírita, saem desoladas. Agindo assim, estaremos fraudando
a proposta do Espiritismo.
Temos visto congressos espíritas – não é
crítica, é análise – em que se aborda Terapia pela dança. É
uma maravilha. Mas não num congresso espírita. Vamos fazer isso num
congresso de Yoga, que respeitamos muito, ou num congresso de
psicoterapia e então coloquemos música, metais, cristais, mas não
num congresso espírita.
Ah! É porque nossos irmãos estão doentes,
justificam. Nesse caso, falemos das causas das doenças. Das causas
anteriores das aflições. Das causas atuais das aflições.
A terapia da dança podemos encontrar em qualquer
setor do mundo social, respeitável e nobre. Mas quando vamos à Casa
Espírita, esperamos encontrar a proposta espírita.
O Centro Espírita tem que ser o lugar de Doutrina
Espírita.
Daí o Centro Espírita tem que ser espiritizado.
É a proposta de Joanna de Ângelis.
A segunda vertente de sua proposta é QUALIFICAR.
Vivemos hoje a época da qualidade total.
Qualificação é indispensável. Nós, às vezes vamos à Casa
Espírita com nossos hábitos ancestrais, o que é natural. Mas o
fato de entrarmos na Casa Espírita não muda nossa existência.
Levamos a nossa qualificação muitas vezes empírica, singela, e
vamos exercer certas funções para as quais não estamos
qualificados.
Vemos, por exemplo, um literato, que não entende
absolutamente de contabilidade, sendo o tesoureiro do Centro. Vamos
ver o indivíduo aplicando a terapia dos passes, mas que, de maneira
nenhuma se preparou para isso. Vamos ver no atendimento fraterno uma
pessoa que tem muito bom coração, mas não tem o menor tato
psicológico.
Temos que qualificar-nos.
O que é qualificar?
É adquirir características essenciais, típicas
das finalidades que vamos exercer na vida prática.
Se eu, por exemplo, quero dedicar-me ao
atendimento fraterno, devo fazer um curso. Por isso, os Centros
Espíritas devem estar vinculados ao chamado movimento organizado,
porque as nossas Casas Federativas dispõem de equipes para nos
esclarecer, para nos informar, para ministrar cursos.
Quando vemos, por exemplo, a Federação Espírita
do Paraná (FEP), oferecer-nos o jornal Mundo Espírita por um preço
irrisório, que muitos ainda não pagam, chegar às nossas mãos todo
o mês, com pontualidade, trazendo-nos mensagens libertadoras de
consciência, comovo-me com esse trabalho.
Se ligarmos o rádio, aí está um programa de
orientação espírita, o Momento Espírita, já transmitido por uma
cadeia de rádios em várias cidades do País. Seria interessante se
cada um dos senhores, nas suas cidades, entrassem em contato com a
FEP e, ao invés de fazer programa de rádio sem nenhuma habilidade,
sem qualificação, colocassem o programa que é transmitido em
Curitiba, que é de excelente qualidade, narrado por pessoa
qualificada, desde a voz, uma voz agradável, muito bem empostada. É
uma mensagem muito bem trabalhada, apresentando várias conotações
para o enriquecimento das pessoas espíritas e não espíritas.
Muitas pessoas confundem qualificação com
elitismo. E as pessoas dizem: “está elitizando!”.
Minha mãe era analfabeta e eu dialogava com ela.
Qualificamo-la. Ela tornou-se uma excelente bordadeira, uma excelente
cozinheira. Conheço tanta gente instruída que não sabe enfiar a
linha na agulha e que não sabe pregar um botão.
Daí, meus amigos, qualificar não é elitizar,
não é intelectualizar. É equipar de recursos para fazer bem aquilo
que gostaria de fazer. Evitar o aventureirismo.
HUMANIZAR – Humanizar é fazer com que nós, de
vez em quando, tornemos à nossa simplicidade, ao nosso bom humor, ao
nosso lado humano. A vida nos impõe rotinas e, quando menos
esperamos, estamos fazendo aquilo rotineiramente, sem emoção. Nós
nos transformamos em máquinas.
Visitei uma instituição e uma senhora me disse
assim: “Ah! Irmão Divaldo, não aguento mais. Estou cansada de
fazer caridade. Eu não aguento mais, é tanto pobre. Eu disse:
“minha filha, então deixe”. Ela: “O Senhor está me mandando
deixar de fazer a caridade?” Eu disse: “Não, eu estou mandando
você descansar, porque a caridade está lhe fazendo mal. Já
imaginou a caridade fazer mal a quem a faz? Algo não está
funcionando! Ou você está exibindo-se sem o sentido de caridade, me
perdoe a franqueza, pois quero lhe ajudar, ou você está saturada.
Faça uma pausa”.
Ela: “o que será dos pobres?” Eu: “Minha
filha, eles são filhos de Deus. Antes de você chegar Deus já
tomava conta. Você está só dando uma mãozinha para você, não
para eles, porque, afinal, isso aqui nem é caridade, é
paternalismo. Você está mantendo muita gente na miséria, que já
podia estar libertada, porque você me disse que já atendeu a avó,
a filha e agora está atendendo a neta.
Como é que você conseguiu manter na miséria
três gerações? Que a avó e a filha fossem pobres necessitadas, é
aceitável, mas a neta já teríamos que libertar da miséria de
qualquer jeito. Colocando-a na escola, equipando-a, arranjando-lhe
trabalho. Isso não é caridade. Está lá no Evangelho: “Transformai
as vossas esmolas em salário”.
Então, repouse um pouco. É uma rotina. Você
quer abarcar um número de pessoas que você não pode abraçar.
Diminua. Faça com qualidade e procure fazer em profundidade. Faça o
bem.
Nós não podemos salvar o mundo e perder a nossa
alma. A tese é de Jesus Cristo: “Que vos adianta salvar o mundo e
perder-se a si mesmo!” Nós não estamos aqui para salvar o mundo.
Estamos aqui para salvar-nos e ajudar o mundo para que cada um nele
se salve.
Então, humanizar é neste sentido. É esta
proposta de voltarmos a ser gente. Não ficarmos nos considerando
muito importantes. O Presidente do Centro, o dono do Centro, o
super-médium, a pessoa mais formidável do século. Voltarmos às
nossas origens. A simplicidade de coração, a afabilidade, a doçura
(textos do Evangelho Segundo o Espiritismo), a cordialidade, o bom
trato. Se o doente é insistente, se o pobre é impertinente, nós
estamos ali porque queremos. Não foi o pobre que pediu para nós
irmos lá. Nós é que nos oferecemos. Então temos a escusa de
estarmos cansados, de estarmos irritados. “Eu também tenho
problemas”. Então vá resolver seus problemas. Não os traga para
a Casa Espírita. E notem que esta tríade está perfeitamente de
acordo com o pensamento Kardequiano: trabalho, solidariedade e
tolerância.
Qual é o trabalho?
ESPIRITIZAR-SE.
O trabalho de adquirir o conhecimento espírita,
de perseverar no estudo. Minha mãe era analfabeta. Eu lia para ela,
estudava, comentava. Ela acompanhava. Aprendeu a Doutrina Espírita
dentro dos seus limites.
Solidariedade. QUALIFICAR-SE, para servir melhor,
para ser mais solidário.
Tolerância: ser mais HUMANO. Quando somos mais
humanos, somos tolerantes. E esta tríade não é propriamente de
Allan Kardec. Ele a tirou de Pestalozzi, seu professor, que tinha
como base educacional três palavras: trabalho, solidariedade e
perseverança. Allan Kardec, que foi seu discípulo, tomou a tríade
e adaptou-a, substituindo perseverança por tolerância.
Assim, o Centro Espírita é a nossa oficina.
Quando nós entramos na Casa Espírita devemos sentir os eflúvios do
amor, da fraternidade. Não é o lugar dos conflitos, das picuinhas,
das nossas dificuldades, das nossas diferenças, que nós as temos,
mas das nossas identidades, das nossas compreensões, do nosso
esforço para sermos melhor.
Daí a nova proposta do Centro Espírita: voltar
às bases do pensamento de Allan Kardec.
Reviver o trabalho, a solidariedade e a
tolerância. Sermos realmente irmãos. Esta é a nossa família
ampliada. Se entre aqueles com os quais compartimos ideias, que são
perfeitamente consentâneas com as nossas, nós temos dificuldades de
relacionamento, como é que iremos nos relacionar com o mundo
agressivo, com a sociedade que não nos aceita, com aqueles que nos
hostilizam, com aqueles que nos perseguem?
A Trilogia de Joanna de Ângelis: espiritizar,
qualificar e humanizar, por Divaldo Pereira Franco. (Texto
recebido pelo WhatsApp.)
Constatamos, muitas vezes,
que a imprensa em geral está mal informada a respeito do Espiritismo e
confunde-o com outras religiões. A carta abaixo é bastante
esclarecedora e mostra as flagrantes diferenças entre a doutrina
espírita e outras religiões. Favor ler a referida carta, que foi
elaborada com bastante objetividade e transparência, para que também
possa ter mais alguns argumentos válidos, a fim de discorrer, junto às
pessoas de seu relacionamento, caso seja inquirido a esse respeito,
sobre as peculiaridades do Espiritismo, as quais, com certeza, já são de
seu conhecimento.
Cordialmente,
Orlando Mota Maia
MAIS QUE ESCLARECEDOR, NÃO DEIXE DE LER.
Carta aos Jornalistas
Para: Jornalistas em Geral / Toda a Imprensa Brasileira
Senhores Jornalistas:
Partindo
do princípio que o objetivo de todo jornalística ético e sensato é o de
informar bem, com coerência, honestidade, dignidade e imparcialidade,
preocupando-se sempre com o indispensável conhecimento da causa que leva
a reportar, venho apresentar-lhes uma contribuição em cima de um
assunto que muitos profissionais do jornalismo, embora bem
intencionados, terminam cometendo equívocos lamentáveis, por uma
inexplicável ignorância que compromete os seus nomes bem como o dos
veículos por onde vinculam as suas matérias ou reportagens.
Falo
com respeito ao assunto Espiritismo, tema este que invariavelmente é
visto apenas no campo religioso, o que na verdade não é, e sobretudo, o
que é mais lamentável, sempre enfocado com afirmativas de conceitos
absurdos, oriundos do "achismo" e também de uma cultura criada na cabeça
das pessoas, pela intolerância e a desonestidade religiosa.
Não
objetivo aqui defender crença ou fé nenhuma, porque não é isto que está
em questão. Só quero mesmo prestar contribuição ao gigantesco segmento
honesto do jornalismo acerca de uma coisa, como ela realmente é, para
que ele esteja melhor informado, sem a menor pretensão de querer fazer
com que nenhum profissional o aceite, concorde com os seus postulados e,
muito menos, se converta.
Vamos aos assuntos:
Espiritismo não é igreja
Em princípio corrijam a conceituação
inicial: Espiritismo não é simplesmente religião. Ele não veio ao mundo
com objetivo nenhum de ser religião. Trata-se de uma doutrina
filosófica, com base calcada na racionalidade, na lógica e na razão,
apenas com conseqüências religiosas, haja vista que os seus adeptos
ficam livres da submissão a qualquer religião, por não serem obrigados a
coisa nenhuma e nem serem proibidos de nada. Há centros espíritas que
se portam como se fossem igrejas, mas isto é produto da concepção
equivocada dos seus dirigentes, que ainda sentem a necessidade da
rezação, em que pese o Espiritismo ser algo muito acima disto.
Não existe "Kardecismo", existe "Espiritismo"
O jornalista equivocado costuma utilizar-se da expressão "kardecismo",
para identificar algo que ele imagina ser uma "ramificação" do
Espiritismo, achando que Espiritismo é um "montão de coisas" que existe
por aí, quando na realidade não é.
A palavra "Espiritismo"
foi criada, ou inventada, como queiram, pelo senhor Allan Kardec,
exclusivamente, para denominar a doutrina nova que foi trazida ao mundo,
por iniciativa de Espíritos, e que tem os seus postulados próprios.
Portanto,
qualquer crença ou prática religiosa que utiliza-se da denominação
"Espiritismo", fora desta que se enquadre nos seus postulados, está
utilizando-se indevidamente de uma denominação, mergulhando no campo da
fraude. Daí a verdade que o nome disto que vocês chamam de "kardecismo",
verdadeiramente é "Espiritismo".
Apenas
para clarear o campo de conhecimento dos que ainda têm dúvidas, em
achar que Candomblé, Cartomancia, Necromancia, Umbanda e outras práticas
espiritualistas é Espiritismo, vai aqui uma pequena tabela,
exemplificando algumas práticas de alguns segmentos, para apreciação
daqueles que consideram relevante o uso da inteligência e do bom senso, a
fim de um discernimento mais coerente e responsável.
Veja quem adota e quem não adota o quê.
Procedimento, prática ou ritual
Umbanda
Catolicismo
Espiritismo
1
Uso de altares
Sim
Sim
Não
2
Uso de imagens
Sim
Sim
Não
3
Uso de velas
Sim
Sim
Não
4
Uso de incensos e defumações
Sim
Sim
Não
5
Vestimentas e paramentos especiais
Sim
Sim
Não
6
Obrigações aos seus praticantes
Sim
Sim
Não
7
Proibições aos seus praticantes
Sim
Sim
Não
8
Ajoelhar-se, sentar-se e levantar-se em seus cultos
Sim
Sim
Não
9
Bebidas alcoólicas em seus cultos
Sim
Sim
Não
10
Sacerdócio organizado
Sim
Sim
Não
11
Sacramentos
Sim
Sim
Não
12
Casamento religioso e batizados
Sim
Sim
Não
13
Amuletos, patuás, escapulários e penduricalhos
Sim
Sim
Não
14
Hinos e cantarolas nos cultos
Sim
Sim
Não
15
Crença na existência de satanás
Sim
Sim
Não
Como pode, então, um profissional que tem a obrigação de estar bem
informado, poder afirmar que Espiritismo e Umbanda são a mesma coisa?
Não seria mais coerente dizer que tem mais semelhanças com o
Catolicismo, embora não seja também a mesma coisa?
O
espírita não tem a menor pretensão de diminuir ou desvalorizar o adepto
da Umbanda que, por sua vez, tem também a sua denominação própria que é
Umbanda, e não Espiritismo, apenas quer deixar claro que Espiritismo é
Espiritismo e Umbanda é Umbanda, assim como Catolicismo é Catolicismo,
Protestantismo é Protestantismo.
A
afirmativa que alguns fazem, em dizer que tudo é a mesma coisa, com a
diferença de que na Umbanda se reúnem negros e pobres e no tal
"Kardecismo" se reúnem o que chamam de elites, é extremamente leviana,
desonesta e irresponsável. O Espiritismo não faz qualquer discriminação
de raças, cor ou padrão social, já que em seu movimento existem inúmeros
negros, mulatos, brancos e de todas as etnias.
Allan Kardec não inventou o Espiritismo
Allan Kardec não inventou, ou criou,
Espiritismo nenhum. A proposta veio de Espíritos, através de
manifestações espontâneas, consideradas como fenômenos, na época, e ele,
que nada tinha a ver com aquilo, foi convidado por alguns amigos para
examinar e analisar os tais fenômenos, em suas casas, oportunidade em
que foi convidado, pelos Espíritos, pela sua condição de pedagogo e
educador criterioso, a organizar aqueles ensinamentos em livros e
disponibilizar para a humanidade.
Ele
foi tão honesto e consciente de que a obra não era de sua autoria, que
evitou colocar o seu nome famoso na Europa antiga (Denizard Rivail) como
autor dos livros e preferiu utilizar-se de um pseudônimo. É bom que se
saiba que o tal professor Rivail era autor famoso de livros didáticos e
que tudo o que aparecia com seu nome vendia muito, não apenas na França
como em toda a Europa.
Atentem
para o detalhe: Os Espíritos optaram por um pedagogo, um professor, e
não por um padre, um religioso, o que nos convida a entender que o
Espiritismo é escola e não igreja.
Sobre a reencarnação
Não é patrimônio exclusivo do Espiritismo
e não foi inventada pelo Espiritismo, posto que é algo conhecido pela
maior parte da humanidade, por milênios, muito antes do Espiritismo, que
tem apenas 151 anos de idade.
O
espírita, depois de estudar a reencarnação, não crê na reencarnação,
ele passa a SABER a reencarnação, o que é diferente. Exemplificando:
Você crê que a Lua existe ou você sabe que ela existe? Afinal, você pode
vê-la e comprovar, inclusive cientificamente? É isto aí.
Portanto a afirmativa de que os espíritas crêem na reencarnação é infantil e sem sentido.
Sobre a mediunidade
Também não é patrimônio exclusivo e nem
foi inventada pelo Espiritismo. É uma faculdade humana normal e
independe de crença religiosa, já que a pessoa pode possuí-la, com maior
ou menor intensidade, acredite ou não. O Espiritismo apenas se dispõe a
estudá-la, educar e disciplinar as pessoas que a possuem, para que o
seu uso possa ser benéfico a elas e aos outros, absolutamente dentro dos
elementares padrões de moralidade. Segundo os postulados espíritas ela
não deve ser comercializada, nunca, e deve ser utilizada gratuitamente;
todavia é praticada comercialmente em alguns lugares do mundo, por
pessoas que são médiuns, inclusive honestas, mas nada sabem sobre
Espiritismo, numa comprovação de que ela existe fora do meio espírita.
Qualquer afirmativa do tipo que "alguém tem mediunidade e precisa desenvolver"
é vinda de pessoas inconseqüentes, mesmo algumas que se auto rotulam
espíritas, posto que o Espiritismo propõe que a faculdade deve ser
educada e não desenvolvida.
Sobre o caráter do centro espírita
É um local que deve atuar como escola e não como igreja.
A sua proposta é de estudos, sobretudo da matéria que trata da reforma
íntima das pessoas, dando ciência do papel de cada um de nós na terra,
da nossa razão de existir enquanto criaturas úteis ao nosso próximo,
esclarecimento da nossa condição espiritual no presente e no futuro e,
principalmente, a nossa conduta moral.
Recomenda
a prática da Caridade, sim, mas de forma ampla no sentido de orientar e
informar aos outros sobre os meios de libertações dos conflitos, das
amarguras, das incompreensões e do sofrimento em si e não esse
entendimento estreito de que Caridade se resume apenas a dar prato de
sopa ou roupas usadas para pobres, para qualificar o doador como
bonzinho.
Adota
Jesus, sim, inclusive como o maior modelo e guia que temos para seguir,
concebendo o seu Evangelho como a bula coerente a nos conduzir, e não
como sendo ele o próprio Deus.
Enfim. O centro espírita é um local de estudo e não de rezação.
Sobre quem é reencarnação de quem
Recentemente vimos um jornalista afirmar,
nas páginas da VEJA, que os espíritas juram que Fulano é reencarnação
de Ciclano, o que se constitui em um absurdo. Em princípio espírita não
adota jura nenhuma. Segundo, que não consta da atividade espírita a
preocupação de quem é reencarnação de quem, uma vez que esta discussão é
irrelevante, não tem razão nenhuma, não acrescenta absolutamente nada
na proposta espírita para a criatura humana, em que pese alguns espíritas, apenas alguns, (nem todos entendem bem a proposta da doutrina) se ocuparem com esse tipo de discussão.
Falar
em quem é ou talvez possa ser reencarnação de quem, é conversa amena de
momentos de descontração de espíritas, apenas em nível de curiosidade
ou especulação, jamais tema de estudo sério da casa espírita.
Ainda
que possa existir, em alguns locais de estudos mais profundos e
pesquisas espíritas, interesses em trabalhar as questões da
reencarnação, os estudiosos apenas sugerem que fulano possa ser a
reencarnação de alguém, mas nunca afirmam, apesar de evidências
marcantes e inquestionáveis, quando a condução da pesquisa é séria e
criteriosa.
Quem anda dizendo que é a reencarnação de reis, de rainhas e de personagens poderosas do passado não são os espíritas, são apenas alguns bobos que estão no Espiritismo sem consciência do seu papel.
Apologia ao sofrimento
Matérias de revistas e jornais, dentro
deste equívoco que nos referimos, chegaram a afirmar, diversas vezes,
que o Espiritismo ensina as pessoas a serem acomodadas em relação ao
sofrimento e até chegarem a dizer que o sofrimento é bom.
Não condiz com o coerente ensinamento do Espiritismo. Se algum espírita chega a dizer isto, certamente é vítima do masoquismo
e, provavelmente, deve praticar um ritual em sua casa, quando, talvez
uma vez por semana, colocar a mão sobre uma mesa e dar uma martelada em
seu dedo.
Sofrimento
não é condição fundamental para a evolução de ninguém, embora
entendemos que, ao passar por ele, muitas pessoas terminam acordando
para a realidade da vida e mudando de conduta, sobretudo no campo do
orgulho, do egoísmo e da presunção.
Mesa branca
Não existe espiritismo mesa branca, alto
espiritismo, baixo espiritismo ou qualquer ramificação do Espiritismo,
que é um só. O hábito de forrar mesas com toalhas de cor branca, na
maioria dos centros espíritas, nada mais é que um hábito de alguns
espíritas, de certa forma até equivocados também, uns talvez achando que
a cor branca da toalha ou das roupas das pessoas tem algum significado
virtuoso, quando na verdade não existe esta orientação no Espiritismo.
Muito pelo contrário, seria preferível utilizar toalhas (por que tem sempre que ter toalhas nas mesas?) de outras cores, posto que tecidos em cor branca tem maior facilidade de sujar.
Portanto a citação de "espiritismo mesa branca" é mais uma expressão da ignorância popular, o que não se admite nos jornalistas.
Terapia de vidas passadas
Não é procedimento espírita, em que pese
ser recomendável em alguns casos, porém em consultórios de profissionais
especializados, geralmente psicólogos ou médicos. É fato, existe, é
comprovado, tem resultados cientificamente respaldados, mas não é
prática espírita.
Cromoterapia, piramidologia etc…
Se alguém usa uma dessas práticas no
espaço físico de uma casa espírita, é por pura deliberação da direção da
casa, que se considera livre para fazer o que quiser, até mesmo dar
aulas de arte culinária, corte e costura, curso de inglês, informática
ou o que quiser, que são atividades úteis, sem dúvidas. Mas não tem a
ver diretamente com o Espiritismo.
Sucessor de Chico Xavier
Isto nunca existiu no Espiritismo, em que
pese vários jornalistas terem colocado em matérias diversas, quando o
Chico Xavier "morreu", e ainda repetem, talvez querendo estabelecer
alguma comparação do Espiritismo (que vêem apenas como religião)
com a Igreja Católica, que tem sucessores dos papas, quando morrem.
Chico Xavier nunca foi uma espécie de papa, de cardeal ou de qualquer
autoridade eclesiástica dentro do movimento espírita.
Divaldo
Pereira Franco nunca foi sucessor do Chico, nunca teve essa pretensão,
ninguém no movimento espírita fala nisto, que é coisa apenas de páginas
de revistas desinformadas sobre o que verdadeiramente é o Espiritismo.
A sua relação com a Ciência
Faz parte da formação espírita a seguinte recomendação: "Se
algum dia a Ciência comprovar que o Espiritismo está errado em algum
ponto, cumpre aos espíritas abandonarem imediatamente o ponto equivocado
e seguirem a orientação da Ciência".
Mas
isto não quer dizer que o que afirma determinadas criaturas, como o
padre Quevedo, que se apresenta presunçosamente como cientista, deva ser
entendido como Ciência, já que ele não é unanimidade e nem ao menos
aceito pela maioria dos cientistas coisa nenhuma. Ele é padre, nada mais
do que padre, com um tipo de postura que não aceita nem pela maioria do
seio católico, quanto mais pelo científico.
Não
é à pseudo-ciência ou a opiniões pessoais de um ou outro elemento, que
se diz de Ciência, que o Espiritismo se submete, com esta recomendação, é
a Ciência, como um todo, em descobertas inquestionáveis.
Até agora a Ciência não conseguiu apontar e muito menos comprovar erro em um ensinamento espírita, sequer.
Se alguém exige, por exemplo, querer provas por parte dos que afirmam que existe vida fora da Terra, por questão de bom senso deve ter também provas de que não existe. Será que tem?
Medicina e Espiritualidade
Alguns médicos, tradicionalmente, sempre
afirmaram que os problemas de saúde das pessoas nada tem a ver com
problemas espirituais, porque estes se resumem a crendices. Hoje existe
um curso de "Medicina e Espiritualidade", oficial, dentro
da USP (Universidade de São Paulo), a maior Universidade do País, onde
são estudados estes questionamentos que alguns continuam a dizer que são
crendices. Em nível de informação, sugerimos que os jornalistas se
interessem em reportar sobre este assunto, sem que vá aqui a menor
intenção de querer converter ninguém. Não se trata de questão religiosa,
trata-se de questão científica.
Diante
de todo o exposto sugerimos que os grandes veículos de comunicação de
massa, obviamente comprometidos com a credibilidade dos seus nomes,
repassem estes esclarecimentos aos seus profissionais de jornalismo, não
necessariamente para que eles sejam simpáticos à idéia espírita, já que
ninguém é obrigado a aceitar coisa nenhuma, mas para, pelo menos, não
comprometerem as suas honorabilidades dizendo mentiras, leviandades e
até se expondo ao ridículo reportando sobre um assunto que não entendem.