CINEMA
• ROTEIROS • SÉRIES • NOVELAS
Projetos
autorais e desenvolvimento audiovisual
1.
APRESENTAÇÃO
Geraldo
Mota Valintim, identificado profissionalmente nas referências
seguintes como Geraldo Valintim, desenvolve projetos de ficção para
o cinema e a narrativa seriada, com interesse pelos conflitos
humanos, pela memória, pelas relações afetivas, pela
espiritualidade e pelas contradições sociais.
Seu
repertório em desenvolvimento abrange dramas cinematográficos,
histórias de formação, narrativas existenciais e novelas que
articulam melodrama, humor popular, crítica social e conflitos
comunitários.
A
orientação artística declarada por Geraldo Valintim aproxima-se de
um cinema centrado nos personagens, atento à observação
naturalista do cotidiano e interessado na relação entre experiência
individual e contexto social.
2.
IDENTIDADE CINEMATOGRÁFICA
Poética
e referências estéticas
A
identidade cinematográfica de Geraldo
Valintim
pode ser descrita como realismo
humanista de orientação existencial,
em diálogo com tradições do cinema brasileiro e com diferentes
formas de representação da experiência nordestina.
As
tradições com as quais o autor declara identificação são:
Essa
identificação expressa afinidades estéticas e escolhas criativas.
Não implica participação formal em movimentos cinematográficos
nem comprova influência direta de cineastas específicos.
Traços
presentes nos projetos
Personagens
e conflitos humanos:
protagonistas confrontados por desejos, perdas, dilemas afetivos,
culpa, responsabilidades e transformações.
Naturalismo:
valorização do cotidiano, dos comportamentos, dos gestos, dos
silêncios e dos diálogos que revelam a personalidade sem recorrer
continuamente à explicação verbal.
Memória
e passagem do tempo:
acontecimentos anteriores continuam a influenciar o presente, seja
pela lembrança, pelos vínculos familiares ou pelos objetos que
preservam fragmentos da experiência.
Dimensão
existencial e espiritual:
questões de consciência, fé, liberdade, sofrimento e sentido da
vida integradas aos conflitos dramáticos.
Identidade
brasileira e nordestina:
ambientes, relações sociais, fala regional e cultura popular
tratados como parte viva da narrativa, sem reduzir a região a
estereótipos.
Melodrama
e crítica social:
na ficção seriada, conflitos íntimos cruzam-se com disputas
políticas, religiosas e comunitárias, criando espaço para emoção,
ironia e humor.
Estudos
sobre o Cinema Novo e o cinema nordestino contemporâneo mostram que
a representação da região pode articular identidade, política,
temporalidade e renovação estética, sem se limitar às imagens
tradicionais do sertão. Essa perspectiva oferece um campo de diálogo
crítico para a leitura dos projetos de Geraldo Valintim.
3.
LONGAS-METRAGENS
3.1.
ENTRE DOIS MUNDOS
LONGA-METRAGEM
| DRAMA JUVENIL | Projeto de roteiro em desenvolvimento
Estrutura
dramática: Três atos — Nasce o Amor, Nasce o Conflito e Nasce a
Liberdade.
Formato:
longa-metragem de ficção
Gênero:
drama romântico, formação e dimensão espiritual
Estágio
registrado:
roteiro desenvolvido em versão master de 161 cenas
Sinopse
Na
Barra do Ceará, quatro jovens atravessam experiências que colocam à
prova suas ideias sobre amor, fé, culpa e liberdade. Amanda, técnica
de enfermagem e católica, precisa compreender seus sentimentos e
fazer suas próprias escolhas. Rique, skatista e artista, carrega a
culpa pela morte do irmão, Levi, e encontra na arte uma
possibilidade de elaborar o luto. Luan, apaixonado por Amanda,
enfrenta o desafio de distinguir o amor que sente de sua própria
vocação, buscando no seminário um caminho de discernimento. July,
provocadora e aparentemente segura, enfrenta uma crise íntima que
exige coragem para reconhecer sua vulnerabilidade e pedir ajuda.
Quando
acontecimentos inesperados aproximam os jovens de suas dores mais
profundas, os vínculos entre eles se transformam. Cada um precisa
abandonar certezas e enfrentar as consequências de suas decisões.
Entre o desejo de pertencer e a necessidade de encontrar um caminho
próprio, eles descobrem que amar não significa possuir e que a
superação não apaga o passado: permite construir outra relação
com ele.
Eixo
autoral:
formação afetiva, luto, autonomia, fé e liberdade de escolha.
Sinopse
cinematográfica
Entre o amor e a culpa, entre a fé e a dúvida, entre o passado
que insiste em permanecer e o futuro que exige coragem, Entre Dois
Mundos acompanha personagens confrontados com escolhas capazes de
transformar profundamente suas vidas.
Rique carrega uma ferida que o tempo não
conseguiu cicatrizar: a culpa pela morte de Levi, uma presença
decisiva em sua trajetória e cuja ausência continua interferindo na
maneira como ele compreende a si mesmo, os outros e o próprio
sentido da existência. Incapaz de se libertar inteiramente das
lembranças, Rique vive dividido entre aquilo que aconteceu e tudo o
que ainda poderia acontecer. Seu conflito não é apenas com o
passado, mas com a possibilidade de voltar a acreditar na vida sem
precisar apagar a dor que o constitui.
Nesse percurso, Amanda enfrenta o desafio de
compreender o amor sem transformá-lo em renúncia à própria
liberdade. Seus sentimentos a colocam diante de uma escolha que exige
mais do que paixão: exigem consciência, maturidade e a capacidade
de reconhecer que amar alguém não significa abandonar a si mesma.
Luan, por sua vez, representa o lado mais doloroso
de um sentimento que, confundido com posse, ameaça destruir aquilo
que pretende preservar. Sua dificuldade em aceitar a autonomia de
quem ama desencadeia tensões que expõem os limites entre dedicação
e controle, desejo e egoísmo, afeto e aprisionamento.
Ao redor desses conflitos, July enfrenta sua
própria luta pela sobrevivência, revelando a força necessária
para continuar existindo quando as circunstâncias parecem reduzir as
possibilidades de recomeço. Sua trajetória amplia o sentido da
narrativa: sobreviver não é simplesmente permanecer vivo, mas
encontrar razões para seguir adiante sem permitir que a dor
determine todo o futuro.
À medida que os caminhos desses personagens se
cruzam, Entre Dois Mundos constrói uma reflexão sobre as fronteiras
invisíveis que separam aquilo em que acreditamos daquilo que somos
capazes de compreender. A fé deixa de ser uma garantia de respostas;
a memória, antes refúgio, pode se transformar em prisão; e o amor,
quando despojado da necessidade de controlar o outro, passa a
representar uma possibilidade de libertação.
No desfecho, Rique precisa compreender que a
liberdade não consiste em negar os vínculos que marcaram sua
existência, mas em encontrar uma maneira de continuar vivendo sem
permanecer refém deles. Diante daquilo que perdeu e daquilo que
ainda pode construir, ele volta a desenhar, transformando em gesto
criativo a possibilidade de imaginar um futuro que não esteja
inteiramente subordinado ao passado.
O mar, testemunha silenciosa de perdas e
despedidas, torna-se parte da imagem final dessa transformação. O
portfólio de Rique se perde nas águas, enquanto o barco de Levi
permanece como vestígio de uma história que não pode ser
simplesmente apagada. Entre a ausência e a permanência, Rique
começa a aceitar que nem tudo precisa ser recuperado para que a vida
possa continuar.
Entre Dois Mundos encerra sua jornada sem oferecer
respostas fáceis. O que permanece é a possibilidade de recomeçar,
mesmo quando as marcas do passado continuam presentes. Porque, às
vezes, a verdadeira travessia não acontece entre dois lugares, mas
dentro de cada ser humano: entre o medo de perder e a coragem de
deixar partir, entre a necessidade de compreender e a disposição de
aceitar, entre a vida que conhecemos e aquela que ainda precisamos
aprender a viver.
Identidade artística do filme
Entre Dois Mundos, de Geraldo Valintim, apresenta-se como um drama
humano e existencial sobre a complexidade dos sentimentos e a
possibilidade de reconstrução interior.
Eixo temático: a busca pela liberdade emocional sem o
apagamento da memória.
Conflito central: a tensão entre culpa, amor,
possessividade, sobrevivência e recomeço.
Abordagem cinematográfica: intimista, contemplativa e
centrada nos conflitos humanos.
Força simbólica: o desenho, o mar e o barco como imagens de
memória, perda e continuidade.
3.2.
ENTRE O CÉU E O CAIS
LONGA-METRAGEM
| DRAMA MUSICAL E MEMORIALISTA | Roteiro estruturado em quatro
capítulos; revisões autorais
Formato:
projeto de longa-metragem de ficção
Gênero:
drama de formação e memória
Natureza:
adaptação de obra literária
Obra
de origem:
O
Sorriso da Bicicleta — Volume I: Entre o Céu e o Cais,
de Casé Henrique
Sinopse
Aos
25 anos, Jonas revisita uma lembrança decisiva de sua adolescência.
Em junho de 1980, quando tinha apenas 13 anos e vivia em Bangu, no
Rio de Janeiro, saiu escondido de casa para ir a um baile no Bangu
Atlético Clube. A experiência abriu diante dele um universo de
música, dança, descobertas e relações que desafiavam os limites
de sua vida cotidiana.
Entre
os encontros com Margô, Marília e Dona Cleide, o adolescente começa
a compreender a complexidade dos afetos e o impacto que determinadas
noites podem exercer sobre uma existência inteira. Anos depois, a
memória daquele período adquire novos significados, revelando tanto
a inocência do menino quanto as perguntas que permanecem no adulto.
A
narrativa aproxima passado e presente para investigar como
experiências aparentemente breves se tornam parte permanente de
nossa identidade.
A
música popular brasileira acompanha os encontros e desencontros de
uma geração, enquanto bicicletas, ruas e discotecas se convertem em
lugares de memória. Um evento inesperado, com seu namorado, altera
definitivamente a maneira como Jonas percebe o passado. Na imagem
final, o olhar do protagonista encontra o globo espelhado de uma
discoteca e conduz a narrativa da intimidade de uma vida à vastidão
do cosmos.
Capítulos:
1“Quem me levará sou eu”,
2“Super Homem”,
3“O sorriso da
bicicleta”
4“Faltando um pedaço”.
Sinopse
cinematográfica
Entre o Céu e o Cais é uma cinebiografia
sensível e profundamente humana sobre Jonas, um homem cuja
existência se constrói entre os vínculos familiares, as amizades,
a música, a dança, o teatro, o trabalho e a busca por um lugar no
mundo. Em uma trajetória marcada por encontros, perdas, descobertas
e pela necessidade de conquistar a própria independência, Jonas
transforma os pequenos acontecimentos da vida em experiências que
revelam a complexidade de existir, amar e permanecer na memória
daqueles que o conheceram.
Dividido em quatro capítulos contínuos — Quem
Me Levará Sou Eu, Super-Homem, O Sorriso da Bicicleta e Faltando um
Pedaço —, o filme acompanha diferentes momentos de sua caminhada,
revelando, pouco a pouco, as contradições de um homem que, por trás
de sua maneira particular de enfrentar o cotidiano, carrega sonhos,
fragilidades, afetos e silêncios que nem sempre consegue traduzir em
palavras.
A música ocupa um lugar essencial nessa história.
As canções de Fagner, Zé Ramalho, Maria Bethânia, Gal Costa e
Elis Regina dialogam com as emoções e as lembranças de Jonas,
enquanto Cheiro de Mato e Talismã integram o universo afetivo que
acompanha sua trajetória. Entre a realidade e a poesia, a narrativa
encontra na bicicleta, nas amizades e nos espaços de convivência
símbolos de liberdade, movimento e pertencimento. Até os momentos
aparentemente banais ganham significado, como se a vida escondesse,
nos detalhes, aquilo que só a memória consegue revelar.
Entretanto, é diante da ausência que a história
alcança sua dimensão mais profunda. Sua jornada intensifica quando conhece Ricardo, conhecido
também como Cadinho, acontecimentos inesperados abrem feridas que não se fecham com
explicações. Sem transformar a dor em espetáculo, o filme
acompanha os efeitos dessa perda e a maneira como a lembrança
daqueles que partiram continua habitando os que ficaram. O que
permanece não é apenas a saudade, mas também a dificuldade de
compreender tudo aquilo que uma vida representa para outra.
No capítulo final, Faltando um Pedaço, a
narrativa conduz o espectador a uma experiência de despedida e
contemplação. Em uma discoteca vazia, Jonas retorna simbolicamente
ao espaço onde tantas emoções encontraram expressão. Ele olha
diretamente para a câmera e, em seguida, ergue os olhos para o globo
espelhado. A imagem conduz o olhar para além do salão, atravessando
o céu, o Sol e a Via Láctea. Dois sons — BUM, BUM — encerram a
jornada, evocando a pulsação da vida e o mistério que permanece
quando já não existem respostas suficientes.
Entre o Céu e o Cais é, acima de tudo, um filme
sobre a permanência dos afetos. Uma obra que percorre as fronteiras
entre presença e ausência, memória e esquecimento, chão e
infinito, mostrando que algumas pessoas deixam marcas impossíveis de
apagar — não porque tenham vivido sem contradições, mas porque
sua existência tocou, de maneira irrepetível, a vida de outras
pessoas.
Entre o céu que nos convida a olhar para o
infinito e o cais que nos lembra de onde partimos, Jonas permanece
naquilo que o tempo não consegue levar por completo: a memória, a
música e o amor que resiste à ausência.
Essência da obra
Gênero: drama biográfico, com elementos de memória e
poesia cinematográfica.
Tema central: a vida, a amizade, a perda e a permanência dos
vínculos afetivos.
Estrutura: quatro capítulos interligados, formando uma única
trajetória emocional.
Linguagem cinematográfica: realismo afetivo, memória
musical, simbolismo visual e contemplação.
Desfecho: a passagem da intimidade humana para a dimensão
cósmica, preservando o mistério da existência de Jonas.
A sinopse preserva a estrutura narrativa central do projeto e o
sentido poético do final aprovado, sem transformar a trajetória de
Jonas em uma história de acontecimentos isolados.
Eixo
autoral:
adolescência, descoberta, memória afetiva e passagem para a vida
adulta.
3.3.
O Que Não Se Pode Explicar aos Normais
LONGA-METRAGEM
| DRAMA DE FORMAÇÃO E MEMÓRIA | Roteiro em desenvolvimento com
estrutura autoral consolidada
Sinopse
A
vida de Paulo César, acompanhada ao longo de décadas, é marcada
por lembranças da infância, relações afetivas, perdas e
acontecimentos que continuam a produzir efeitos muito depois de terem
ocorrido. Entre 1964 e 2026, o personagem atravessa diferentes etapas
de sua existência, confrontando a distância entre aquilo que viveu,
aquilo de que se lembra e aquilo que consegue compreender.
Dona
Terta, Tião, Isabel, Davi e Beto integram o universo de relações
que dá forma à sua trajetória. Fotografias Polaroid, objetos
antigos e imagens congeladas tornam-se elementos de ligação entre
os tempos, permitindo que fragmentos do passado reapareçam no
presente sem reduzir a história a uma sucessão de explicações.
À
medida que envelhece, Paulo precisa lidar com a permanência de
certas feridas e com a impossibilidade de controlar o significado de
tudo o que viveu. A narrativa investiga os limites da razão diante
da experiência humana e a maneira como a memória transforma
acontecimentos em parte inseparável de quem somos.
Sinopse
oficial — Uma vida entre a memória, o amor e o tempo
Paulo César nasceu em 1964, no interior de uma família simples,
carregando desde a infância uma maneira muito particular de perceber
o mundo. Entre as lembranças do Sítio Água Branca, os laços
familiares, as amizades, as descobertas afetivas e as experiências
que o tempo transforma em saudade, Paulo cresce tentando compreender
sentimentos para os quais nem sempre encontra palavras. Seu
amadurecimento emocional acontece de maneira tardia, revelando um
homem que, mesmo adulto, ainda precisa aprender a lidar com as
próprias fragilidades, com as perdas e com a complexidade das
relações humanas.
Ao longo de décadas, sua trajetória é marcada por amores,
separações, amizades profundas e encontros que deixam marcas
definitivas. A fotografia ocupa um lugar especial em sua vida: mais
do que registrar rostos e acontecimentos, ela se torna uma tentativa
de deter o tempo e preservar aquilo que a existência insiste em
levar. Enquanto o mundo se transforma, Paulo encontra nas imagens,
nas recordações e nos pequenos gestos cotidianos uma forma de
permanecer ligado às pessoas que fizeram parte de sua história.
A relação com Zé, as lembranças de Mazza, os vínculos
familiares e as experiências que atravessam sua vida revelam
diferentes dimensões do amor: aquele que desperta, aquele que
transforma, aquele que se perde e aquele que continua existindo mesmo
depois da ausência. Entre alegrias e dores silenciosas, Paulo
descobre que algumas experiências não podem ser explicadas por uma
lógica convencional, porque pertencem à intimidade da memória, à
profundidade dos sentimentos e aos mistérios da própria existência.
Em 2017, diante do mar, Paulo revisita fragmentos de sua história.
Fotografias antigas, imagens guardadas e lembranças aparentemente
esquecidas conduzem o espectador por uma viagem emocional que
atravessa mais de cinquenta anos de vida. Mas nem tudo o que ele
procura pode ser recuperado. Algumas recordações permanecem
incompletas; outras sobrevivem apenas naquilo que ficou impresso em
uma fotografia ou gravado na consciência.
O QUE NÃO SE PODE EXPLICAR AOS NORMAIS é um drama sobre a
singularidade de existir, a dificuldade de amadurecer, a força dos
vínculos afetivos e a necessidade humana de encontrar sentido
naquilo que não compreende. Um filme em que o passado nunca está
inteiramente morto, o presente é atravessado pelas ausências e o
amor se revela muito maior do que a permanência física de quem
amamos.
Porque há sentimentos que não cabem nas explicações
convencionais. Há lembranças que resistem ao tempo. E há amores
que, mesmo quando tudo parece perdido, continuam vivendo dentro de
nós.
Algumas histórias podem ser contadas. Outras precisam ser
sentidas.
Identidade cinematográfica da obra
Gênero: drama autobiográfico de inspiração, memória
afetiva e reflexão existencial.
Protagonista: Paulo César, personagem cuja trajetória
sustenta a narrativa ao longo de diferentes fases da vida.
Eixo narrativo: a relação entre memória, amadurecimento
emocional, perdas, fotografia e permanência do amor.
Linguagem cinematográfica: narrativa intimista, marcada por
elipses temporais, imagens simbólicas, silêncios expressivos e
objetos carregados de significado.
Tema central: a experiência humana em suas dimensões mais
íntimas — aquelas que nem sempre podem ser explicadas, mas podem
ser reconhecidas e sentidas.
A obra estabelece uma distinção importante entre a inspiração
autobiográfica e a construção ficcional: as experiências do
protagonista dialogam com a memória e com a sensibilidade do autor,
sem que isso signifique que todos os acontecimentos ou personagens
correspondam literalmente a fatos reais.
O QUE NÃO SE PODE EXPLICAR AOS NORMAIS, de Geraldo Mota
Valintim, propõe ao espectador olhar para além das aparências e
reconhecer que a vida de uma pessoa não se resume ao que ela
consegue explicar sobre si mesma.
Eixo
autoral:
tempo, memória, identidade, perdas, relações afetivas e
experiências que resistem a explicações simples.
3.3.1
O Que Não Se Pode Explicar aos Normais 2 — O Amor Que Fica
LONGA-METRAGEM
| DRAMA PSICOLÓGICO E AFETIVO | Continuação em desenvolvimento
Paulo
César aprendeu, ao longo da vida, que existem dores, sentimentos e
experiências que não podem ser explicados a quem nunca precisou
atravessar os mesmos caminhos. Depois de uma história marcada por
perdas, lembranças e amadurecimento tardio, ele acredita conhecer os
limites do amor. Entretanto, o encontro com Beto transforma novamente
sua existência.
Entre 2018 e 2022, Paulo e Beto vivem uma relação
intensa, na qual o amor se mistura à esperança, à fragilidade
humana e ao desejo de construir uma vida compartilhada. Mas a
convivência também revela feridas emocionais, conflitos domésticos
e o avanço de problemas relacionados ao alcoolismo e às drogas.
Paulo tenta ajudar aquele que ama, enquanto enfrenta seus próprios
limites e a dificuldade de distinguir o cuidado necessário da
responsabilidade que não pode assumir sozinho.
A presença de Nicolas intensifica os conflitos e
contribui para uma relação cada vez mais dolorosa. A eventos
inesperados não encerram o vínculo afetivo entre Paulo e Beto; ao
contrário, expõe o quanto duas pessoas podem continuar
emocionalmente ligadas mesmo quando já não conseguem permanecer
juntas. Em meio à solidão, às recordações e às tentativas de
reorganizar a própria vida, Paulo precisa confrontar a impotência
de não conseguir salvar alguém apenas com o amor que sente.
As perdas do passado e presente transformam a
saudade em uma presença constante e obriga Paulo a revisitar suas
escolhas, suas culpas e tudo aquilo que permaneceu sem resposta. O
diário Eu e Eu, as fotografias guardadas no celular e as
lembranças compartilhadas tornam-se fragmentos de uma história que
continua viva dentro dele.
Enquanto enfrenta o luto, Paulo encontra na
espiritualidade e nos encontros humanos, novas possibilidades de
compreender a existência. Sua aproximação com Miguel, em momentos
distintos de 2024, abre espaço para uma relação de afeto e
proteção, que se concretiza no vínculo de padrinho. Sem apagar o
passado nem substituir aqueles que partiram, essa experiência ajuda
Paulo a reconhecer que a vida ainda pode oferecer encontros,
responsabilidades e motivos para seguir adiante.
Ao chegar a 2026, Paulo já não é o mesmo homem
que tentou encontrar no amor uma resposta para todas as dores. Sua
trajetória passa a carregar outra compreensão: amar não significa
possuir, controlar ou conseguir impedir todas as perdas. Significa
também respeitar a liberdade do outro, reconhecer os próprios
limites e aprender a continuar vivendo quando a presença física de
alguém se transforma em memória.
O Que Não Se Pode Explicar aos Normais 2
— O Amor que Fica é uma história sobre o amor em sua
dimensão mais humana: intenso, imperfeito, contraditório e, por
vezes, doloroso. Um drama sobre dependência, perdas, amadurecimento
emocional, fé e reconstrução, contado a partir da memória e da
experiência de Paulo César.
Porque alguns amores não permanecem da maneira
como sonhamos. Permanecem naquilo que nos transformam, nas lembranças
que carregamos e na capacidade de continuar amando, mesmo depois da
despedida.
3.4.
Vamos Fazer um Filme
LONGA-METRAGEM
| METACINEMA | Projeto identificado; sinopse preliminar
Sinopse
Em
Cachoeira, cidade onde as marcas do tempo convivem com a beleza das
ruas antigas e as águas do rio, Ben, um bibliotecário e roteirista,
vive entre livros, lembranças e histórias que nem sempre consegue
transformar em palavras. Guarda consigo flores secas, vestígios de
uma história afetiva cuja memória atravessa sua existência. Para
ele, recordar é uma maneira de preservar aquilo que a passagem do
tempo não conseguiu apagar.
A
chegada de Felipe, fotógrafo formado em Cinema, provoca uma mudança
nesse cotidiano. Entre imagens, conversas e silêncios, os dois se
aproximam, descobrindo que a arte pode ser mais do que um refúgio:
pode ser uma forma de encontro, de participação na vida e de
coragem para enfrentar aquilo que ficou inacabado.
Enquanto
antigas relações retornam à cena, com a presença de Tide e Eloá,
e a cidade se movimenta em torno de um festival, Ben e Felipe
encontram no projeto de fazer um filme a oportunidade de transformar
experiências, afetos e contradições em criação artística. A
história também se cruza com os conflitos ambientais que ameaçam a
comunidade, ampliando o significado de suas escolhas para além da
esfera íntima.
Mas
filmar a vida não significa controlar seus acontecimentos. Nem toda
ausência pode ser reparada, nem toda lembrança encontra uma
explicação. Entre o amor, a memória, as tensões da realidade e a
liberdade de criar, Ben e Felipe precisam descobrir o que fazer com
aquilo que viveram — e com tudo o que ainda podem viver.
VAMOS
FAZER UM FILME é uma história sobre o amor e suas permanências,
sobre a arte como possibilidade de reconstrução e sobre a delicada
fronteira entre a vida que acontece e as histórias que escolhemos
contar. Porque, mesmo quando não podemos reescrever o passado, ainda
podemos escolher a próxima cena.
Ben
— a memória que permanece
Bibliotecário
e roteirista, encontra nas palavras e nas flores secas uma ligação
com o passado. Seu percurso envolve a possibilidade de sair da
condição de guardião das lembranças para participar novamente da
própria vida.
Felipe
— o olhar que transforma
Fotógrafo
formado em Cinema, aproxima-se de Ben por meio da imagem, da criação
e da experiência compartilhada. Sua presença abre espaço para uma
nova relação com o presente.
Cachoeira
— mais do que cenário
A
cidade participa da narrativa por meio de sua história, de sua
comunidade, do festival e dos conflitos ambientais. O espaço
coletivo amplia os dilemas pessoais dos protagonistas.
4.
FICÇÃO SERIADA — NOVELAS E SÉRIES
4.1.
ACONTECÊNCIA
NOVELA
| TELEDRAMATURGIA DE COSTUMES E CRÍTICA SOCIAL | Projeto
identificado em levantamento; roteiro integral a conferir
Formato:
novela brasileira
Extensão
planejada:
50 capítulos
Gênero:
melodrama, comédia dramática e sátira social
Ambientação:
Cachoeira, Cafundó e Bela Vista
Sinopse
Nas
cidades de Cachoeira, Cafundó e Bela Vista, a vida comunitária é
atravessada por disputas políticas, influência religiosa, ambições,
romances, segredos e conflitos sociais. A aparente tranquilidade do
cotidiano esconde interesses que se cruzam nas casas, nas
instituições religiosas, nos espaços públicos e nos bastidores do
poder.
Em
Cachoeira, o prefeito Dr. Memória transforma a Semana Municipal em
uma vitrine política, promovendo eventos populares enquanto procura
controlar a narrativa sobre sua administração. Padre Bento, as
beatas, os moradores e os representantes da política local entram em
choque sobre os rumos da cidade e o significado dos acontecimentos.
Ao longo da novela, os núcleos se entrelaçam por meio de alianças,
rivalidades, crimes, romances proibidos e revelações capazes de
alterar o destino dos personagens.
Com
linguagem nordestina sem caricatura, humor popular e conflitos
melodramáticos, Acontecência
observa a distância entre as aparências públicas e os interesses
privados. A cidade transforma-se em palco de uma disputa permanente
entre poder, crença, desejo e sobrevivência.
Eixo
autoral:
poder local, religião, política, hipocrisia social, humor popular e
conflitos familiares.
ACONTECÊNCIA
Sinopse geral da novela
Autoria: Geraldo Mota Valintim
Gênero: Telenovela brasileira — drama,
melodrama, comédia popular, sátira política e realismo fantástico.
Formato: 50 capítulos.
Ambientação: Cachoeira, Cafundó e Bela Vista —
três localidades fictícias do sertão nordestino.
SINOPSE
Em algum lugar do Nordeste brasileiro, entre a poeira das
estradas, os sinos das igrejas, as conversas nas calçadas e os
segredos guardados por gerações, existem três localidades onde o
passado nunca termina de passar: Cachoeira, Cafundó e Bela Vista.
Ali, a vida cotidiana mistura devoção e descrença, ambição e
generosidade, paixões proibidas, disputas políticas, rivalidades
familiares e acontecimentos que desafiam a explicação racional.
É nesse universo que se desenrola Acontecência,
uma novela sobre gente que tenta governar o destino dos outros
enquanto mal consegue compreender o próprio.
Em Cachoeira, uma cidade marcada por contradições, a religião
ocupa lugar central na vida pública. A construção do Cristo Rei
Negro, a força das tradições religiosas e uma antiga profecia
relacionada às águas fazem ressurgir histórias que muitos
prefeririam manter enterradas. A misteriosa Pedra da Forca, as ruínas
de um teatro e a existência de túneis subterrâneos ligando espaços
aparentemente desconexos transformam a paisagem local em um
território de memórias, suspeitas e revelações.
Por trás das fachadas respeitáveis, há um passado marcado pela
escravidão, pela violência, por documentos desaparecidos e por
acontecimentos cuja cronologia parece não obedecer às regras
conhecidas. Fotografias, testemunhos, arquivos e lembranças
contraditórias alimentam uma investigação que atravessa gerações.
O que parece assombração pode esconder uma história humana; o que
parece superstição pode conservar uma verdade que os poderosos
tentaram apagar.
Enquanto isso, a política municipal converte a vida coletiva em
espetáculo. O prefeito Dr. Memória representa uma ordem sustentada
por interesses, conveniências e versões cuidadosamente
administradas dos acontecimentos. Seu universo de influência envolve
Gentil, as disputas pelo poder e os projetos que prometem modernizar
a região, mas que também ameaçam revelar antigas
responsabilidades. A possibilidade de construção da barragem do
Cachoeirão, as lembranças da ferrovia perdida e as consequências
de decisões tomadas no passado colocam a população diante de
escolhas que ultrapassam os interesses de uma única administração.
Entre a tradição e a transformação, a juventude encontra nas
emissoras de rádio um espaço de expressão e contestação. A Rádio
Alforria, a Rádio Progresso e a programação voltada aos jovens
tornam-se instrumentos de disputa pela palavra, pela memória e pela
consciência popular. Em uma sociedade acostumada a ouvir os mesmos
discursos, falar livremente pode ser um ato de coragem — e também
uma ameaça para quem depende do silêncio alheio.
No centro desse universo está Zelito, personagem que reúne
irreverência, inteligência popular e vocação para a sátira. Ao
lado de Bia, ele atravessa conflitos afetivos, sociais e políticos,
encontrando no humor uma maneira de expor as contradições da
cidade. Suas peças teatrais transformam acontecimentos locais em
comédias de costumes, nas quais santos, prefeitos, eleitores,
autoridades e cidadãos comuns são colocados diante de um espelho
incômodo. O riso, em Acontecência, nunca é apenas diversão: é
uma forma de resistência.
Em Cafundó, Raulino representa a força do homem do campo, ligado
à terra, ao trabalho e a uma compreensão prática da vida. Sua
trajetória o conduz do universo rural para o centro das disputas
políticas, aproximando-o de Zelito e de um projeto de transformação
que não se limita à troca de governantes. Ao lado de Rosaura,
Raulino enfrenta conflitos familiares e sociais que se entrelaçam
com a trajetória de Agamenon, filho de Dr. Memória, cuja posição
privilegiada não o protege das contradições do desejo e das
consequências de suas escolhas.
A rivalidade entre os Simplícios e os Cajazeiras, as diferenças
entre o campo e a cidade e o choque entre interesses particulares e
necessidades coletivas compõem um retrato satírico de uma sociedade
em que todos conhecem a vida de todos — embora ninguém conheça a
história inteira.
Em outro núcleo, Yolanda, Jackson, Leo e Lídia carregam dramas
familiares que se confundem com os mistérios de Cachoeira. Amores
antigos, ausências, identidades e lembranças incompletas tornam o
passado uma presença permanente. Avohai surge como uma das figuras
decisivas desse enigma, ligado a revelações cuja ordem precisa ser
respeitada para que a verdade não se transforme em mais uma versão
conveniente dos fatos. A busca de Leo por Maria das Dores segue seu
próprio percurso, enquanto os documentos do teatro e as
investigações sobre os túneis abrem caminhos paralelos de
descoberta.
A novela não trata os segredos familiares como enigmas isolados.
Cada revelação repercute na comunidade, modifica relações e põe
em dúvida reputações cuidadosamente construídas. As histórias
individuais formam, pouco a pouco, uma história coletiva — e é
justamente essa conexão que torna perigoso o trabalho de quem
procura a verdade.
Ao longo da narrativa, o realismo fantástico atravessa o
cotidiano sem romper inteiramente com ele. O teatro vazio, as marcas
de mãos, as datas impossíveis, as aparições e os sinais
associados ao passado parecem pertencer simultaneamente ao mundo dos
vivos e à memória daqueles que vieram antes. A novela não oferece
uma explicação fácil para tudo. Seu mistério nasce justamente da
convivência entre aquilo que pode ser investigado, aquilo que foi
ocultado e aquilo que permanece inexplicável.
Quando os conflitos políticos se intensificam e as investigações
alcançam os subterrâneos da história local, a ameaça de uma
epidemia de cólera transforma as disputas particulares em uma
questão de sobrevivência coletiva. A cidade precisa confrontar suas
fragilidades, e os discursos das autoridades são colocados à prova
diante da urgência concreta da vida humana. Nesse momento, as
diferenças sociais, os ressentimentos e as ambições perdem parte
de sua aparência grandiosa: o que importa é quem assume
responsabilidades, quem abandona os outros e quem permanece quando já
não há vantagens a conquistar.
A aproximação entre Zelito e Bia, a trajetória política de
Raulino, o destino de Leo e Lídia, as escolhas de Clara e os
desdobramentos dos conflitos amorosos dão forma ao encerramento da
novela. Zelito chega à prefeitura, tendo Raulino como vice-prefeito,
mas a mudança política não apaga automaticamente as marcas do
passado. Os casamentos e os novos caminhos afetivos oferecem
perspectivas de futuro, enquanto Yolanda permanece sozinha no
casarão, personagem cuja solidão conserva uma dimensão de
melancolia e resistência.
No desfecho, o teatro volta a concentrar a força simbólica da
história. Vazio, marcado por sinais que desafiam uma conclusão
definitiva, ele parece guardar a presença daqueles que passaram por
ali e daqueles cujas histórias foram silenciadas. A frase “Agora
sabem que estivemos aqui” ecoa como testemunho,
advertência e afirmação de existência.
Porque, em Acontecência, a história de uma cidade não é feita
somente pelos nomes registrados nos documentos, pelos retratos
pendurados nas paredes ou pelos discursos pronunciados nas
solenidades. Ela também é construída pelos esquecidos, pelos
perseguidos, pelos que amaram em segredo e pelos que deixaram marcas
sem receber reconhecimento.
Entre a comédia e a tragédia, a fé e a dúvida, a política e a
vida doméstica, o extraordinário e o cotidiano, Acontecência
revela uma comunidade em que os acontecimentos parecem obedecer ao
acaso, mas carregam as consequências de escolhas humanas.
No fim, talvez o verdadeiro mistério não seja descobrir
o que aconteceu, mas compreender por que tantas pessoas precisaram
esconder aquilo que aconteceu.
CONCEITO AUTORAL
Acontecência é uma novela sobre memória, poder,
identidade e pertencimento. Com raízes no folhetim brasileiro,
diálogos irônicos, humor popular e personagens atravessados por
contradições humanas, a obra combina a tradição narrativa
nordestina com uma construção contemporânea de mistério e
realismo fantástico.
Sua poética nasce do encontro entre o extraordinário e a vida
comum: uma cidade que ri de si mesma, famílias que escondem suas
feridas, autoridades que tentam controlar a memória e pessoas que,
mesmo sem compreender inteiramente o mundo em que vivem, continuam
buscando amor, justiça e dignidade.
Autoria: Geraldo Mota Valintim
Projeto
original de teledramaturgia desenvolvido em colaboração criativa.
4.2.
UM DIA UM ADEUS
SÉRIE-NOVELA
| 40 CAPÍTULOS | Projeto seriado com
desenvolvimento de capítulos
Uma
história de amor, segredos, conflitos familiares, escolhas e
despedidas, em que cada personagem precisa descobrir o preço de suas
próprias verdades.
Um
Dia, Um Adeus é uma novela sobre os encontros e desencontros da
vida, os amores que deixam marcas, as verdades escondidas dentro das
famílias e a difícil tarefa de recomeçar depois das perdas. Em uma
história marcada por conflitos afetivos, ambições, chantagens,
preconceitos e segredos, personagens de diferentes origens e
convicções religiosas são colocados diante de escolhas capazes de
transformar seus destinos.
No
centro da trama está Rique Albuquerque, um jovem questionador, que
procura compreender o mundo e a si mesmo sem encontrar respostas
fáceis para suas inquietações. Ateu ou ainda em conflito com as
questões da fé, Rique representa o indivíduo que precisa
confrontar suas certezas quando a realidade ultrapassa aquilo que
consegue explicar racionalmente.
Sua
trajetória cruza-se com a de Jully, personagem fundamental de uma
narrativa em que o amor não elimina as feridas do passado, mas pode
oferecer a possibilidade de enfrentá-las. A relação entre os
protagonistas se desenvolve em meio a obstáculos pessoais, conflitos
familiares e interesses de pessoas que tentam controlar a vida
alheia.
Ao
redor deles, uma rede de personagens movimenta a história. César,
Helena, Ira e Miro integram o universo de conflitos, interesses e
segredos que alimentam a tensão dramática. A produtora de César
torna-se um dos espaços importantes da narrativa, onde relações
profissionais e pessoais se entrelaçam e onde as aparências podem
esconder intenções perigosas.
A
história também acompanha a busca de Jully por oportunidades de
trabalho e melhores condições de vida, enquanto outros personagens
enfrentam suas próprias batalhas. Eloá participa dos conflitos
amorosos que atravessam a trajetória de Rique. Bruno integra o
núcleo profissional ligado à produtora. Mano e Padre Bento fazem
parte de uma dimensão humana e espiritual que também alcança os
dilemas centrais da novela.
Um
dos eixos temáticos da obra é a convivência entre diferentes
maneiras de compreender a existência. O catolicismo, o espiritismo e
a fé evangélica aparecem como expressões de experiências humanas
distintas, enquanto Rique questiona as respostas oferecidas pela
religião e pela sociedade. A presença de Carol, tia de Rique e
psiquiatra espírita, estabelece uma importante possibilidade de
diálogo entre a razão, o sofrimento emocional e a espiritualidade,
sem exigir que todos os personagens pensem da mesma maneira.
Paralelamente,
histórias de família, relações amorosas, ciúmes, assédio,
perdas e revelações ampliam o alcance da trama. A história de
July, Marilac, Amanda e Luan compõe outro núcleo de relações e
acontecimentos que precisa ser compreendido em conexão com o
desenvolvimento geral da novela. Momentos de humor, especialmente nas
situações envolvendo Rose e Ira, oferecem contraste à intensidade
dos conflitos.
Conforme
os segredos vêm à tona, os personagens precisam lidar com as
consequências de suas escolhas. O passado deixa de ser apenas uma
lembrança e passa a interferir diretamente no presente. Relações
são abaladas, alianças se desfazem e sentimentos que pareciam
definitivos são colocados à prova.
Em
Um Dia, Um Adeus, despedir-se não significa necessariamente deixar
de amar. Às vezes, é preciso perder uma pessoa, uma ilusão ou uma
antiga certeza para descobrir o que realmente importa. O título
sintetiza essa dimensão emocional: a vida é feita de partidas e
reencontros, e nem todo adeus representa o fim de uma história.
Estrutura
dramática original recuperada
CAP. 01–08 Fase
1 — Sonhos e Feridas
Apresentação
dos protagonistas, dos núcleos familiares e profissionais, das
primeiras feridas e dos conflitos que põem a trama em movimento. A
abertura original é intitulada “A Ciranda da Vida”.
CAP 09–16 Fase
2 — Caminhos Perigosos
Os
personagens avançam em suas trajetórias e se aproximam de situações
que podem comprometer seus relacionamentos e seus projetos de vida.
CAP 17–24 Fase
3 — Segredos e Chantagens
Informações
ocultas e interesses conflitantes intensificam o suspense, ameaçando
a confiança entre personagens.
CAP 25–32 Fase
4 — Amor e Queda
As
relações chegam a momentos decisivos. O amor, a ambição e as
consequências das escolhas conduzem os personagens a rupturas e
confrontos.
CAP 33–36 Fase
5 — Levi
Bloco
dedicado a Levi, o filho de July que mantêm um suspense sobre sua
paternidade. O garoto é especial pois é cego de nascença e tem
poderes paranormais.
CAP 37–40 Fase
6 — Um Dia, Um Adeus
Última
etapa da novela, reservada às consequências dos conflitos e ao
encerramento das trajetórias dos personagens.
5.
PERFIL PROFISSIONAL
GERALDO
VALINTIM desenvolve roteiros de longa-metragem e teledramaturgia que
articulam memória, afetos e conflitos humanos. Seu repertório
transita entre o drama autobiográfico, o cinema poético-musical, o
suspense psicológico, a narrativa juvenil e a crítica social
seriada. Com atenção especial aos objetos de memória, à música e
às consequências das escolhas, sua dramaturgia busca transformar
experiências particulares em histórias de ressonância coletiva.
No
cinema, interessa-lhe a possibilidade de narrar por meio de imagens,
comportamentos, objetos e silêncios, preservando espaço para a
interpretação do espectador. Na ficção seriada, explora a
amplitude dos núcleos dramáticos, o cruzamento de destinos, a
intensidade do melodrama e o potencial crítico do humor.
Sua
identificação com o cinema brasileiro, o Cinema Novo, o cinema
nordestino, o cinema independente e o cinema espiritual ou
existencial fornece um campo de referências para o desenvolvimento
de uma linguagem própria, sem que isso implique reproduzir
integralmente qualquer movimento ou escola.