SEGUIDORES

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Roteirista Geraldo Valintim - Portfólio Profissional


CINEMA • ROTEIROS • SÉRIES • NOVELAS

Projetos autorais e desenvolvimento audiovisual

1. APRESENTAÇÃO

Geraldo Mota Valintim, identificado profissionalmente nas referências seguintes como Geraldo Valintim, desenvolve projetos de ficção para o cinema e a narrativa seriada, com interesse pelos conflitos humanos, pela memória, pelas relações afetivas, pela espiritualidade e pelas contradições sociais.

Seu repertório em desenvolvimento abrange dramas cinematográficos, histórias de formação, narrativas existenciais e novelas que articulam melodrama, humor popular, crítica social e conflitos comunitários.

A orientação artística declarada por Geraldo Valintim aproxima-se de um cinema centrado nos personagens, atento à observação naturalista do cotidiano e interessado na relação entre experiência individual e contexto social.

2. IDENTIDADE CINEMATOGRÁFICA

Poética e referências estéticas

A identidade cinematográfica de Geraldo Valintim pode ser descrita como realismo humanista de orientação existencial, em diálogo com tradições do cinema brasileiro e com diferentes formas de representação da experiência nordestina.

As tradições com as quais o autor declara identificação são:

  • Cinema brasileiro;

  • Cinema Novo;

  • Cinema nordestino;

  • Cinema brasileiro contemporâneo;

  • Cinema independente;

  • Cinema espiritual e existencial.

Essa identificação expressa afinidades estéticas e escolhas criativas. Não implica participação formal em movimentos cinematográficos nem comprova influência direta de cineastas específicos.

Traços presentes nos projetos

Personagens e conflitos humanos: protagonistas confrontados por desejos, perdas, dilemas afetivos, culpa, responsabilidades e transformações.

Naturalismo: valorização do cotidiano, dos comportamentos, dos gestos, dos silêncios e dos diálogos que revelam a personalidade sem recorrer continuamente à explicação verbal.

Memória e passagem do tempo: acontecimentos anteriores continuam a influenciar o presente, seja pela lembrança, pelos vínculos familiares ou pelos objetos que preservam fragmentos da experiência.

Dimensão existencial e espiritual: questões de consciência, fé, liberdade, sofrimento e sentido da vida integradas aos conflitos dramáticos.

Identidade brasileira e nordestina: ambientes, relações sociais, fala regional e cultura popular tratados como parte viva da narrativa, sem reduzir a região a estereótipos.

Melodrama e crítica social: na ficção seriada, conflitos íntimos cruzam-se com disputas políticas, religiosas e comunitárias, criando espaço para emoção, ironia e humor.

Estudos sobre o Cinema Novo e o cinema nordestino contemporâneo mostram que a representação da região pode articular identidade, política, temporalidade e renovação estética, sem se limitar às imagens tradicionais do sertão. Essa perspectiva oferece um campo de diálogo crítico para a leitura dos projetos de Geraldo Valintim.

3. LONGAS-METRAGENS

3.1. ENTRE DOIS MUNDOS

LONGA-METRAGEM | DRAMA JUVENIL | Projeto de roteiro em desenvolvimento

Estrutura dramática: Três atos — Nasce o Amor, Nasce o Conflito e Nasce a Liberdade.

Formato: longa-metragem de ficção
Gênero: drama romântico, formação e dimensão espiritual
Estágio registrado: roteiro desenvolvido em versão master de 161 cenas

Sinopse

Na Barra do Ceará, quatro jovens atravessam experiências que colocam à prova suas ideias sobre amor, fé, culpa e liberdade. Amanda, técnica de enfermagem e católica, precisa compreender seus sentimentos e fazer suas próprias escolhas. Rique, skatista e artista, carrega a culpa pela morte do irmão, Levi, e encontra na arte uma possibilidade de elaborar o luto. Luan, apaixonado por Amanda, enfrenta o desafio de distinguir o amor que sente de sua própria vocação, buscando no seminário um caminho de discernimento. July, provocadora e aparentemente segura, enfrenta uma crise íntima que exige coragem para reconhecer sua vulnerabilidade e pedir ajuda.

Quando acontecimentos inesperados aproximam os jovens de suas dores mais profundas, os vínculos entre eles se transformam. Cada um precisa abandonar certezas e enfrentar as consequências de suas decisões. Entre o desejo de pertencer e a necessidade de encontrar um caminho próprio, eles descobrem que amar não significa possuir e que a superação não apaga o passado: permite construir outra relação com ele.

Eixo autoral: formação afetiva, luto, autonomia, fé e liberdade de escolha.

Sinopse cinematográfica

Entre o amor e a culpa, entre a fé e a dúvida, entre o passado que insiste em permanecer e o futuro que exige coragem, Entre Dois Mundos acompanha personagens confrontados com escolhas capazes de transformar profundamente suas vidas.

Rique carrega uma ferida que o tempo não conseguiu cicatrizar: a culpa pela morte de Levi, uma presença decisiva em sua trajetória e cuja ausência continua interferindo na maneira como ele compreende a si mesmo, os outros e o próprio sentido da existência. Incapaz de se libertar inteiramente das lembranças, Rique vive dividido entre aquilo que aconteceu e tudo o que ainda poderia acontecer. Seu conflito não é apenas com o passado, mas com a possibilidade de voltar a acreditar na vida sem precisar apagar a dor que o constitui.

Nesse percurso, Amanda enfrenta o desafio de compreender o amor sem transformá-lo em renúncia à própria liberdade. Seus sentimentos a colocam diante de uma escolha que exige mais do que paixão: exigem consciência, maturidade e a capacidade de reconhecer que amar alguém não significa abandonar a si mesma.

Luan, por sua vez, representa o lado mais doloroso de um sentimento que, confundido com posse, ameaça destruir aquilo que pretende preservar. Sua dificuldade em aceitar a autonomia de quem ama desencadeia tensões que expõem os limites entre dedicação e controle, desejo e egoísmo, afeto e aprisionamento.

Ao redor desses conflitos, July enfrenta sua própria luta pela sobrevivência, revelando a força necessária para continuar existindo quando as circunstâncias parecem reduzir as possibilidades de recomeço. Sua trajetória amplia o sentido da narrativa: sobreviver não é simplesmente permanecer vivo, mas encontrar razões para seguir adiante sem permitir que a dor determine todo o futuro.

À medida que os caminhos desses personagens se cruzam, Entre Dois Mundos constrói uma reflexão sobre as fronteiras invisíveis que separam aquilo em que acreditamos daquilo que somos capazes de compreender. A fé deixa de ser uma garantia de respostas; a memória, antes refúgio, pode se transformar em prisão; e o amor, quando despojado da necessidade de controlar o outro, passa a representar uma possibilidade de libertação.

No desfecho, Rique precisa compreender que a liberdade não consiste em negar os vínculos que marcaram sua existência, mas em encontrar uma maneira de continuar vivendo sem permanecer refém deles. Diante daquilo que perdeu e daquilo que ainda pode construir, ele volta a desenhar, transformando em gesto criativo a possibilidade de imaginar um futuro que não esteja inteiramente subordinado ao passado.

O mar, testemunha silenciosa de perdas e despedidas, torna-se parte da imagem final dessa transformação. O portfólio de Rique se perde nas águas, enquanto o barco de Levi permanece como vestígio de uma história que não pode ser simplesmente apagada. Entre a ausência e a permanência, Rique começa a aceitar que nem tudo precisa ser recuperado para que a vida possa continuar.

Entre Dois Mundos encerra sua jornada sem oferecer respostas fáceis. O que permanece é a possibilidade de recomeçar, mesmo quando as marcas do passado continuam presentes. Porque, às vezes, a verdadeira travessia não acontece entre dois lugares, mas dentro de cada ser humano: entre o medo de perder e a coragem de deixar partir, entre a necessidade de compreender e a disposição de aceitar, entre a vida que conhecemos e aquela que ainda precisamos aprender a viver.

Identidade artística do filme

Entre Dois Mundos, de Geraldo Valintim, apresenta-se como um drama humano e existencial sobre a complexidade dos sentimentos e a possibilidade de reconstrução interior.

  • Eixo temático: a busca pela liberdade emocional sem o apagamento da memória.

  • Conflito central: a tensão entre culpa, amor, possessividade, sobrevivência e recomeço.

  • Abordagem cinematográfica: intimista, contemplativa e centrada nos conflitos humanos.

  • Força simbólica: o desenho, o mar e o barco como imagens de memória, perda e continuidade.

3.2. ENTRE O CÉU E O CAIS

LONGA-METRAGEM | DRAMA MUSICAL E MEMORIALISTA | Roteiro estruturado em quatro capítulos; revisões autorais

Formato: projeto de longa-metragem de ficção
Gênero: drama de formação e memória
Natureza: adaptação de obra literária
Obra de origem: O Sorriso da Bicicleta — Volume I: Entre o Céu e o Cais, de Casé Henrique

Sinopse

Aos 25 anos, Jonas revisita uma lembrança decisiva de sua adolescência. Em junho de 1980, quando tinha apenas 13 anos e vivia em Bangu, no Rio de Janeiro, saiu escondido de casa para ir a um baile no Bangu Atlético Clube. A experiência abriu diante dele um universo de música, dança, descobertas e relações que desafiavam os limites de sua vida cotidiana.

Entre os encontros com Margô, Marília e Dona Cleide, o adolescente começa a compreender a complexidade dos afetos e o impacto que determinadas noites podem exercer sobre uma existência inteira. Anos depois, a memória daquele período adquire novos significados, revelando tanto a inocência do menino quanto as perguntas que permanecem no adulto.

A narrativa aproxima passado e presente para investigar como experiências aparentemente breves se tornam parte permanente de nossa identidade.

A música popular brasileira acompanha os encontros e desencontros de uma geração, enquanto bicicletas, ruas e discotecas se convertem em lugares de memória. Um evento inesperado, com seu namorado, altera definitivamente a maneira como Jonas percebe o passado. Na imagem final, o olhar do protagonista encontra o globo espelhado de uma discoteca e conduz a narrativa da intimidade de uma vida à vastidão do cosmos.

Capítulos: 

1“Quem me levará sou eu”, 

2“Super Homem”, 

3“O sorriso da bicicleta” 

4“Faltando um pedaço”.

 

Sinopse cinematográfica

Entre o Céu e o Cais é uma cinebiografia sensível e profundamente humana sobre Jonas, um homem cuja existência se constrói entre os vínculos familiares, as amizades, a música, a dança, o teatro, o trabalho e a busca por um lugar no mundo. Em uma trajetória marcada por encontros, perdas, descobertas e pela necessidade de conquistar a própria independência, Jonas transforma os pequenos acontecimentos da vida em experiências que revelam a complexidade de existir, amar e permanecer na memória daqueles que o conheceram.

Dividido em quatro capítulos contínuos — Quem Me Levará Sou Eu, Super-Homem, O Sorriso da Bicicleta e Faltando um Pedaço —, o filme acompanha diferentes momentos de sua caminhada, revelando, pouco a pouco, as contradições de um homem que, por trás de sua maneira particular de enfrentar o cotidiano, carrega sonhos, fragilidades, afetos e silêncios que nem sempre consegue traduzir em palavras.

A música ocupa um lugar essencial nessa história. As canções de Fagner, Zé Ramalho, Maria Bethânia, Gal Costa e Elis Regina dialogam com as emoções e as lembranças de Jonas, enquanto Cheiro de Mato e Talismã integram o universo afetivo que acompanha sua trajetória. Entre a realidade e a poesia, a narrativa encontra na bicicleta, nas amizades e nos espaços de convivência símbolos de liberdade, movimento e pertencimento. Até os momentos aparentemente banais ganham significado, como se a vida escondesse, nos detalhes, aquilo que só a memória consegue revelar.

Entretanto, é diante da ausência que a história alcança sua dimensão mais profunda. Sua jornada intensifica quando conhece Ricardo, conhecido também como Cadinho, acontecimentos inesperados abrem feridas que não se fecham com explicações. Sem transformar a dor em espetáculo, o filme acompanha os efeitos dessa perda e a maneira como a lembrança daqueles que partiram continua habitando os que ficaram. O que permanece não é apenas a saudade, mas também a dificuldade de compreender tudo aquilo que uma vida representa para outra.

No capítulo final, Faltando um Pedaço, a narrativa conduz o espectador a uma experiência de despedida e contemplação. Em uma discoteca vazia, Jonas retorna simbolicamente ao espaço onde tantas emoções encontraram expressão. Ele olha diretamente para a câmera e, em seguida, ergue os olhos para o globo espelhado. A imagem conduz o olhar para além do salão, atravessando o céu, o Sol e a Via Láctea. Dois sons — BUM, BUM — encerram a jornada, evocando a pulsação da vida e o mistério que permanece quando já não existem respostas suficientes.

Entre o Céu e o Cais é, acima de tudo, um filme sobre a permanência dos afetos. Uma obra que percorre as fronteiras entre presença e ausência, memória e esquecimento, chão e infinito, mostrando que algumas pessoas deixam marcas impossíveis de apagar — não porque tenham vivido sem contradições, mas porque sua existência tocou, de maneira irrepetível, a vida de outras pessoas.

Entre o céu que nos convida a olhar para o infinito e o cais que nos lembra de onde partimos, Jonas permanece naquilo que o tempo não consegue levar por completo: a memória, a música e o amor que resiste à ausência.

Essência da obra

  • Gênero: drama biográfico, com elementos de memória e poesia cinematográfica.

  • Tema central: a vida, a amizade, a perda e a permanência dos vínculos afetivos.

  • Estrutura: quatro capítulos interligados, formando uma única trajetória emocional.

  • Linguagem cinematográfica: realismo afetivo, memória musical, simbolismo visual e contemplação.

  • Desfecho: a passagem da intimidade humana para a dimensão cósmica, preservando o mistério da existência de Jonas.

A sinopse preserva a estrutura narrativa central do projeto e o sentido poético do final aprovado, sem transformar a trajetória de Jonas em uma história de acontecimentos isolados.

Eixo autoral: adolescência, descoberta, memória afetiva e passagem para a vida adulta.

3.3. O Que Não Se Pode Explicar aos Normais

 
LONGA-METRAGEM | DRAMA DE FORMAÇÃO E MEMÓRIA | Roteiro em desenvolvimento com estrutura autoral consolidada

Sinopse

A vida de Paulo César, acompanhada ao longo de décadas, é marcada por lembranças da infância, relações afetivas, perdas e acontecimentos que continuam a produzir efeitos muito depois de terem ocorrido. Entre 1964 e 2026, o personagem atravessa diferentes etapas de sua existência, confrontando a distância entre aquilo que viveu, aquilo de que se lembra e aquilo que consegue compreender.

Dona Terta, Tião, Isabel, Davi e Beto integram o universo de relações que dá forma à sua trajetória. Fotografias Polaroid, objetos antigos e imagens congeladas tornam-se elementos de ligação entre os tempos, permitindo que fragmentos do passado reapareçam no presente sem reduzir a história a uma sucessão de explicações.

À medida que envelhece, Paulo precisa lidar com a permanência de certas feridas e com a impossibilidade de controlar o significado de tudo o que viveu. A narrativa investiga os limites da razão diante da experiência humana e a maneira como a memória transforma acontecimentos em parte inseparável de quem somos.

Sinopse oficial — Uma vida entre a memória, o amor e o tempo

Paulo César nasceu em 1964, no interior de uma família simples, carregando desde a infância uma maneira muito particular de perceber o mundo. Entre as lembranças do Sítio Água Branca, os laços familiares, as amizades, as descobertas afetivas e as experiências que o tempo transforma em saudade, Paulo cresce tentando compreender sentimentos para os quais nem sempre encontra palavras. Seu amadurecimento emocional acontece de maneira tardia, revelando um homem que, mesmo adulto, ainda precisa aprender a lidar com as próprias fragilidades, com as perdas e com a complexidade das relações humanas.

Ao longo de décadas, sua trajetória é marcada por amores, separações, amizades profundas e encontros que deixam marcas definitivas. A fotografia ocupa um lugar especial em sua vida: mais do que registrar rostos e acontecimentos, ela se torna uma tentativa de deter o tempo e preservar aquilo que a existência insiste em levar. Enquanto o mundo se transforma, Paulo encontra nas imagens, nas recordações e nos pequenos gestos cotidianos uma forma de permanecer ligado às pessoas que fizeram parte de sua história.

A relação com Zé, as lembranças de Mazza, os vínculos familiares e as experiências que atravessam sua vida revelam diferentes dimensões do amor: aquele que desperta, aquele que transforma, aquele que se perde e aquele que continua existindo mesmo depois da ausência. Entre alegrias e dores silenciosas, Paulo descobre que algumas experiências não podem ser explicadas por uma lógica convencional, porque pertencem à intimidade da memória, à profundidade dos sentimentos e aos mistérios da própria existência.

Em 2017, diante do mar, Paulo revisita fragmentos de sua história. Fotografias antigas, imagens guardadas e lembranças aparentemente esquecidas conduzem o espectador por uma viagem emocional que atravessa mais de cinquenta anos de vida. Mas nem tudo o que ele procura pode ser recuperado. Algumas recordações permanecem incompletas; outras sobrevivem apenas naquilo que ficou impresso em uma fotografia ou gravado na consciência.

O QUE NÃO SE PODE EXPLICAR AOS NORMAIS é um drama sobre a singularidade de existir, a dificuldade de amadurecer, a força dos vínculos afetivos e a necessidade humana de encontrar sentido naquilo que não compreende. Um filme em que o passado nunca está inteiramente morto, o presente é atravessado pelas ausências e o amor se revela muito maior do que a permanência física de quem amamos.

Porque há sentimentos que não cabem nas explicações convencionais. Há lembranças que resistem ao tempo. E há amores que, mesmo quando tudo parece perdido, continuam vivendo dentro de nós.

Algumas histórias podem ser contadas. Outras precisam ser sentidas.

Identidade cinematográfica da obra

  • Gênero: drama autobiográfico de inspiração, memória afetiva e reflexão existencial.

  • Protagonista: Paulo César, personagem cuja trajetória sustenta a narrativa ao longo de diferentes fases da vida.

  • Eixo narrativo: a relação entre memória, amadurecimento emocional, perdas, fotografia e permanência do amor.

  • Linguagem cinematográfica: narrativa intimista, marcada por elipses temporais, imagens simbólicas, silêncios expressivos e objetos carregados de significado.

  • Tema central: a experiência humana em suas dimensões mais íntimas — aquelas que nem sempre podem ser explicadas, mas podem ser reconhecidas e sentidas.

A obra estabelece uma distinção importante entre a inspiração autobiográfica e a construção ficcional: as experiências do protagonista dialogam com a memória e com a sensibilidade do autor, sem que isso signifique que todos os acontecimentos ou personagens correspondam literalmente a fatos reais.

O QUE NÃO SE PODE EXPLICAR AOS NORMAIS, de Geraldo Mota Valintim, propõe ao espectador olhar para além das aparências e reconhecer que a vida de uma pessoa não se resume ao que ela consegue explicar sobre si mesma.

Eixo autoral: tempo, memória, identidade, perdas, relações afetivas e experiências que resistem a explicações simples.

3.3.1 O Que Não Se Pode Explicar aos Normais 2 — O Amor Que Fica

LONGA-METRAGEM | DRAMA PSICOLÓGICO E AFETIVO | Continuação em desenvolvimento

Paulo César aprendeu, ao longo da vida, que existem dores, sentimentos e experiências que não podem ser explicados a quem nunca precisou atravessar os mesmos caminhos. Depois de uma história marcada por perdas, lembranças e amadurecimento tardio, ele acredita conhecer os limites do amor. Entretanto, o encontro com Beto transforma novamente sua existência.

Entre 2018 e 2022, Paulo e Beto vivem uma relação intensa, na qual o amor se mistura à esperança, à fragilidade humana e ao desejo de construir uma vida compartilhada. Mas a convivência também revela feridas emocionais, conflitos domésticos e o avanço de problemas relacionados ao alcoolismo e às drogas. Paulo tenta ajudar aquele que ama, enquanto enfrenta seus próprios limites e a dificuldade de distinguir o cuidado necessário da responsabilidade que não pode assumir sozinho.

A presença de Nicolas intensifica os conflitos e contribui para uma relação cada vez mais dolorosa. A eventos inesperados não encerram o vínculo afetivo entre Paulo e Beto; ao contrário, expõe o quanto duas pessoas podem continuar emocionalmente ligadas mesmo quando já não conseguem permanecer juntas. Em meio à solidão, às recordações e às tentativas de reorganizar a própria vida, Paulo precisa confrontar a impotência de não conseguir salvar alguém apenas com o amor que sente.

As perdas do passado e presente transformam a saudade em uma presença constante e obriga Paulo a revisitar suas escolhas, suas culpas e tudo aquilo que permaneceu sem resposta. O diário Eu e Eu, as fotografias guardadas no celular e as lembranças compartilhadas tornam-se fragmentos de uma história que continua viva dentro dele.

Enquanto enfrenta o luto, Paulo encontra na espiritualidade e nos encontros humanos, novas possibilidades de compreender a existência. Sua aproximação com Miguel, em momentos distintos de 2024, abre espaço para uma relação de afeto e proteção, que se concretiza no vínculo de padrinho. Sem apagar o passado nem substituir aqueles que partiram, essa experiência ajuda Paulo a reconhecer que a vida ainda pode oferecer encontros, responsabilidades e motivos para seguir adiante.

Ao chegar a 2026, Paulo já não é o mesmo homem que tentou encontrar no amor uma resposta para todas as dores. Sua trajetória passa a carregar outra compreensão: amar não significa possuir, controlar ou conseguir impedir todas as perdas. Significa também respeitar a liberdade do outro, reconhecer os próprios limites e aprender a continuar vivendo quando a presença física de alguém se transforma em memória.

O Que Não Se Pode Explicar aos Normais 2 — O Amor que Fica é uma história sobre o amor em sua dimensão mais humana: intenso, imperfeito, contraditório e, por vezes, doloroso. Um drama sobre dependência, perdas, amadurecimento emocional, fé e reconstrução, contado a partir da memória e da experiência de Paulo César.

Porque alguns amores não permanecem da maneira como sonhamos. Permanecem naquilo que nos transformam, nas lembranças que carregamos e na capacidade de continuar amando, mesmo depois da despedida.

3.4. Vamos Fazer um Filme

LONGA-METRAGEM | METACINEMA | Projeto identificado; sinopse preliminar

Sinopse

Em Cachoeira, cidade onde as marcas do tempo convivem com a beleza das ruas antigas e as águas do rio, Ben, um bibliotecário e roteirista, vive entre livros, lembranças e histórias que nem sempre consegue transformar em palavras. Guarda consigo flores secas, vestígios de uma história afetiva cuja memória atravessa sua existência. Para ele, recordar é uma maneira de preservar aquilo que a passagem do tempo não conseguiu apagar.

A chegada de Felipe, fotógrafo formado em Cinema, provoca uma mudança nesse cotidiano. Entre imagens, conversas e silêncios, os dois se aproximam, descobrindo que a arte pode ser mais do que um refúgio: pode ser uma forma de encontro, de participação na vida e de coragem para enfrentar aquilo que ficou inacabado.

Enquanto antigas relações retornam à cena, com a presença de Tide e Eloá, e a cidade se movimenta em torno de um festival, Ben e Felipe encontram no projeto de fazer um filme a oportunidade de transformar experiências, afetos e contradições em criação artística. A história também se cruza com os conflitos ambientais que ameaçam a comunidade, ampliando o significado de suas escolhas para além da esfera íntima.

Mas filmar a vida não significa controlar seus acontecimentos. Nem toda ausência pode ser reparada, nem toda lembrança encontra uma explicação. Entre o amor, a memória, as tensões da realidade e a liberdade de criar, Ben e Felipe precisam descobrir o que fazer com aquilo que viveram — e com tudo o que ainda podem viver.

VAMOS FAZER UM FILME é uma história sobre o amor e suas permanências, sobre a arte como possibilidade de reconstrução e sobre a delicada fronteira entre a vida que acontece e as histórias que escolhemos contar. Porque, mesmo quando não podemos reescrever o passado, ainda podemos escolher a próxima cena.

Ben — a memória que permanece

Bibliotecário e roteirista, encontra nas palavras e nas flores secas uma ligação com o passado. Seu percurso envolve a possibilidade de sair da condição de guardião das lembranças para participar novamente da própria vida.

Felipe — o olhar que transforma

Fotógrafo formado em Cinema, aproxima-se de Ben por meio da imagem, da criação e da experiência compartilhada. Sua presença abre espaço para uma nova relação com o presente.

Cachoeira — mais do que cenário

A cidade participa da narrativa por meio de sua história, de sua comunidade, do festival e dos conflitos ambientais. O espaço coletivo amplia os dilemas pessoais dos protagonistas.

4. FICÇÃO SERIADA — NOVELAS E SÉRIES

4.1. ACONTECÊNCIA

NOVELA | TELEDRAMATURGIA DE COSTUMES E CRÍTICA SOCIAL | Projeto identificado em levantamento; roteiro integral a conferir

Formato: novela brasileira
Extensão planejada: 50 capítulos
Gênero: melodrama, comédia dramática e sátira social
Ambientação: Cachoeira, Cafundó e Bela Vista

Sinopse

Nas cidades de Cachoeira, Cafundó e Bela Vista, a vida comunitária é atravessada por disputas políticas, influência religiosa, ambições, romances, segredos e conflitos sociais. A aparente tranquilidade do cotidiano esconde interesses que se cruzam nas casas, nas instituições religiosas, nos espaços públicos e nos bastidores do poder.

Em Cachoeira, o prefeito Dr. Memória transforma a Semana Municipal em uma vitrine política, promovendo eventos populares enquanto procura controlar a narrativa sobre sua administração. Padre Bento, as beatas, os moradores e os representantes da política local entram em choque sobre os rumos da cidade e o significado dos acontecimentos. Ao longo da novela, os núcleos se entrelaçam por meio de alianças, rivalidades, crimes, romances proibidos e revelações capazes de alterar o destino dos personagens.

Com linguagem nordestina sem caricatura, humor popular e conflitos melodramáticos, Acontecência observa a distância entre as aparências públicas e os interesses privados. A cidade transforma-se em palco de uma disputa permanente entre poder, crença, desejo e sobrevivência.

Eixo autoral: poder local, religião, política, hipocrisia social, humor popular e conflitos familiares.

ACONTECÊNCIA

Sinopse geral da novela

Autoria: Geraldo Mota Valintim

Gênero: Telenovela brasileira — drama, melodrama, comédia popular, sátira política e realismo fantástico.

Formato: 50 capítulos.

Ambientação: Cachoeira, Cafundó e Bela Vista — três localidades fictícias do sertão nordestino.

SINOPSE

Em algum lugar do Nordeste brasileiro, entre a poeira das estradas, os sinos das igrejas, as conversas nas calçadas e os segredos guardados por gerações, existem três localidades onde o passado nunca termina de passar: Cachoeira, Cafundó e Bela Vista. Ali, a vida cotidiana mistura devoção e descrença, ambição e generosidade, paixões proibidas, disputas políticas, rivalidades familiares e acontecimentos que desafiam a explicação racional.

É nesse universo que se desenrola Acontecência, uma novela sobre gente que tenta governar o destino dos outros enquanto mal consegue compreender o próprio.

Em Cachoeira, uma cidade marcada por contradições, a religião ocupa lugar central na vida pública. A construção do Cristo Rei Negro, a força das tradições religiosas e uma antiga profecia relacionada às águas fazem ressurgir histórias que muitos prefeririam manter enterradas. A misteriosa Pedra da Forca, as ruínas de um teatro e a existência de túneis subterrâneos ligando espaços aparentemente desconexos transformam a paisagem local em um território de memórias, suspeitas e revelações.

Por trás das fachadas respeitáveis, há um passado marcado pela escravidão, pela violência, por documentos desaparecidos e por acontecimentos cuja cronologia parece não obedecer às regras conhecidas. Fotografias, testemunhos, arquivos e lembranças contraditórias alimentam uma investigação que atravessa gerações. O que parece assombração pode esconder uma história humana; o que parece superstição pode conservar uma verdade que os poderosos tentaram apagar.

Enquanto isso, a política municipal converte a vida coletiva em espetáculo. O prefeito Dr. Memória representa uma ordem sustentada por interesses, conveniências e versões cuidadosamente administradas dos acontecimentos. Seu universo de influência envolve Gentil, as disputas pelo poder e os projetos que prometem modernizar a região, mas que também ameaçam revelar antigas responsabilidades. A possibilidade de construção da barragem do Cachoeirão, as lembranças da ferrovia perdida e as consequências de decisões tomadas no passado colocam a população diante de escolhas que ultrapassam os interesses de uma única administração.

Entre a tradição e a transformação, a juventude encontra nas emissoras de rádio um espaço de expressão e contestação. A Rádio Alforria, a Rádio Progresso e a programação voltada aos jovens tornam-se instrumentos de disputa pela palavra, pela memória e pela consciência popular. Em uma sociedade acostumada a ouvir os mesmos discursos, falar livremente pode ser um ato de coragem — e também uma ameaça para quem depende do silêncio alheio.

No centro desse universo está Zelito, personagem que reúne irreverência, inteligência popular e vocação para a sátira. Ao lado de Bia, ele atravessa conflitos afetivos, sociais e políticos, encontrando no humor uma maneira de expor as contradições da cidade. Suas peças teatrais transformam acontecimentos locais em comédias de costumes, nas quais santos, prefeitos, eleitores, autoridades e cidadãos comuns são colocados diante de um espelho incômodo. O riso, em Acontecência, nunca é apenas diversão: é uma forma de resistência.

Em Cafundó, Raulino representa a força do homem do campo, ligado à terra, ao trabalho e a uma compreensão prática da vida. Sua trajetória o conduz do universo rural para o centro das disputas políticas, aproximando-o de Zelito e de um projeto de transformação que não se limita à troca de governantes. Ao lado de Rosaura, Raulino enfrenta conflitos familiares e sociais que se entrelaçam com a trajetória de Agamenon, filho de Dr. Memória, cuja posição privilegiada não o protege das contradições do desejo e das consequências de suas escolhas.

A rivalidade entre os Simplícios e os Cajazeiras, as diferenças entre o campo e a cidade e o choque entre interesses particulares e necessidades coletivas compõem um retrato satírico de uma sociedade em que todos conhecem a vida de todos — embora ninguém conheça a história inteira.

Em outro núcleo, Yolanda, Jackson, Leo e Lídia carregam dramas familiares que se confundem com os mistérios de Cachoeira. Amores antigos, ausências, identidades e lembranças incompletas tornam o passado uma presença permanente. Avohai surge como uma das figuras decisivas desse enigma, ligado a revelações cuja ordem precisa ser respeitada para que a verdade não se transforme em mais uma versão conveniente dos fatos. A busca de Leo por Maria das Dores segue seu próprio percurso, enquanto os documentos do teatro e as investigações sobre os túneis abrem caminhos paralelos de descoberta.

A novela não trata os segredos familiares como enigmas isolados. Cada revelação repercute na comunidade, modifica relações e põe em dúvida reputações cuidadosamente construídas. As histórias individuais formam, pouco a pouco, uma história coletiva — e é justamente essa conexão que torna perigoso o trabalho de quem procura a verdade.

Ao longo da narrativa, o realismo fantástico atravessa o cotidiano sem romper inteiramente com ele. O teatro vazio, as marcas de mãos, as datas impossíveis, as aparições e os sinais associados ao passado parecem pertencer simultaneamente ao mundo dos vivos e à memória daqueles que vieram antes. A novela não oferece uma explicação fácil para tudo. Seu mistério nasce justamente da convivência entre aquilo que pode ser investigado, aquilo que foi ocultado e aquilo que permanece inexplicável.

Quando os conflitos políticos se intensificam e as investigações alcançam os subterrâneos da história local, a ameaça de uma epidemia de cólera transforma as disputas particulares em uma questão de sobrevivência coletiva. A cidade precisa confrontar suas fragilidades, e os discursos das autoridades são colocados à prova diante da urgência concreta da vida humana. Nesse momento, as diferenças sociais, os ressentimentos e as ambições perdem parte de sua aparência grandiosa: o que importa é quem assume responsabilidades, quem abandona os outros e quem permanece quando já não há vantagens a conquistar.

A aproximação entre Zelito e Bia, a trajetória política de Raulino, o destino de Leo e Lídia, as escolhas de Clara e os desdobramentos dos conflitos amorosos dão forma ao encerramento da novela. Zelito chega à prefeitura, tendo Raulino como vice-prefeito, mas a mudança política não apaga automaticamente as marcas do passado. Os casamentos e os novos caminhos afetivos oferecem perspectivas de futuro, enquanto Yolanda permanece sozinha no casarão, personagem cuja solidão conserva uma dimensão de melancolia e resistência.

No desfecho, o teatro volta a concentrar a força simbólica da história. Vazio, marcado por sinais que desafiam uma conclusão definitiva, ele parece guardar a presença daqueles que passaram por ali e daqueles cujas histórias foram silenciadas. A frase “Agora sabem que estivemos aqui” ecoa como testemunho, advertência e afirmação de existência.

Porque, em Acontecência, a história de uma cidade não é feita somente pelos nomes registrados nos documentos, pelos retratos pendurados nas paredes ou pelos discursos pronunciados nas solenidades. Ela também é construída pelos esquecidos, pelos perseguidos, pelos que amaram em segredo e pelos que deixaram marcas sem receber reconhecimento.

Entre a comédia e a tragédia, a fé e a dúvida, a política e a vida doméstica, o extraordinário e o cotidiano, Acontecência revela uma comunidade em que os acontecimentos parecem obedecer ao acaso, mas carregam as consequências de escolhas humanas.

No fim, talvez o verdadeiro mistério não seja descobrir o que aconteceu, mas compreender por que tantas pessoas precisaram esconder aquilo que aconteceu.

CONCEITO AUTORAL

Acontecência é uma novela sobre memória, poder, identidade e pertencimento. Com raízes no folhetim brasileiro, diálogos irônicos, humor popular e personagens atravessados por contradições humanas, a obra combina a tradição narrativa nordestina com uma construção contemporânea de mistério e realismo fantástico.

Sua poética nasce do encontro entre o extraordinário e a vida comum: uma cidade que ri de si mesma, famílias que escondem suas feridas, autoridades que tentam controlar a memória e pessoas que, mesmo sem compreender inteiramente o mundo em que vivem, continuam buscando amor, justiça e dignidade.

Autoria: Geraldo Mota Valintim
Projeto original de teledramaturgia desenvolvido em colaboração criativa.

4.2. UM DIA UM ADEUS

SÉRIE-NOVELA | 40 CAPÍTULOS | Projeto seriado com 

desenvolvimento de capítulos

Uma história de amor, segredos, conflitos familiares, escolhas e despedidas, em que cada personagem precisa descobrir o preço de suas próprias verdades.

Um Dia, Um Adeus é uma novela sobre os encontros e desencontros da vida, os amores que deixam marcas, as verdades escondidas dentro das famílias e a difícil tarefa de recomeçar depois das perdas. Em uma história marcada por conflitos afetivos, ambições, chantagens, preconceitos e segredos, personagens de diferentes origens e convicções religiosas são colocados diante de escolhas capazes de transformar seus destinos.

No centro da trama está Rique Albuquerque, um jovem questionador, que procura compreender o mundo e a si mesmo sem encontrar respostas fáceis para suas inquietações. Ateu ou ainda em conflito com as questões da fé, Rique representa o indivíduo que precisa confrontar suas certezas quando a realidade ultrapassa aquilo que consegue explicar racionalmente.

Sua trajetória cruza-se com a de Jully, personagem fundamental de uma narrativa em que o amor não elimina as feridas do passado, mas pode oferecer a possibilidade de enfrentá-las. A relação entre os protagonistas se desenvolve em meio a obstáculos pessoais, conflitos familiares e interesses de pessoas que tentam controlar a vida alheia.

Ao redor deles, uma rede de personagens movimenta a história. César, Helena, Ira e Miro integram o universo de conflitos, interesses e segredos que alimentam a tensão dramática. A produtora de César torna-se um dos espaços importantes da narrativa, onde relações profissionais e pessoais se entrelaçam e onde as aparências podem esconder intenções perigosas.

A história também acompanha a busca de Jully por oportunidades de trabalho e melhores condições de vida, enquanto outros personagens enfrentam suas próprias batalhas. Eloá participa dos conflitos amorosos que atravessam a trajetória de Rique. Bruno integra o núcleo profissional ligado à produtora. Mano e Padre Bento fazem parte de uma dimensão humana e espiritual que também alcança os dilemas centrais da novela.

Um dos eixos temáticos da obra é a convivência entre diferentes maneiras de compreender a existência. O catolicismo, o espiritismo e a fé evangélica aparecem como expressões de experiências humanas distintas, enquanto Rique questiona as respostas oferecidas pela religião e pela sociedade. A presença de Carol, tia de Rique e psiquiatra espírita, estabelece uma importante possibilidade de diálogo entre a razão, o sofrimento emocional e a espiritualidade, sem exigir que todos os personagens pensem da mesma maneira.

Paralelamente, histórias de família, relações amorosas, ciúmes, assédio, perdas e revelações ampliam o alcance da trama. A história de July, Marilac, Amanda e Luan compõe outro núcleo de relações e acontecimentos que precisa ser compreendido em conexão com o desenvolvimento geral da novela. Momentos de humor, especialmente nas situações envolvendo Rose e Ira, oferecem contraste à intensidade dos conflitos.

Conforme os segredos vêm à tona, os personagens precisam lidar com as consequências de suas escolhas. O passado deixa de ser apenas uma lembrança e passa a interferir diretamente no presente. Relações são abaladas, alianças se desfazem e sentimentos que pareciam definitivos são colocados à prova.

Em Um Dia, Um Adeus, despedir-se não significa necessariamente deixar de amar. Às vezes, é preciso perder uma pessoa, uma ilusão ou uma antiga certeza para descobrir o que realmente importa. O título sintetiza essa dimensão emocional: a vida é feita de partidas e reencontros, e nem todo adeus representa o fim de uma história.

Estrutura dramática original recuperada

CAP. 01–08 Fase 1 — Sonhos e Feridas

Apresentação dos protagonistas, dos núcleos familiares e profissionais, das primeiras feridas e dos conflitos que põem a trama em movimento. A abertura original é intitulada “A Ciranda da Vida”.

CAP 09–16 Fase 2 — Caminhos Perigosos

Os personagens avançam em suas trajetórias e se aproximam de situações que podem comprometer seus relacionamentos e seus projetos de vida.

CAP 17–24 Fase 3 — Segredos e Chantagens

Informações ocultas e interesses conflitantes intensificam o suspense, ameaçando a confiança entre personagens.

CAP 25–32 Fase 4 — Amor e Queda

As relações chegam a momentos decisivos. O amor, a ambição e as consequências das escolhas conduzem os personagens a rupturas e confrontos.

CAP 33–36 Fase 5 — Levi

Bloco dedicado a Levi, o filho de July que mantêm um suspense sobre sua paternidade. O garoto é especial pois é cego de nascença e tem poderes paranormais.

CAP 37–40 Fase 6 — Um Dia, Um Adeus

Última etapa da novela, reservada às consequências dos conflitos e ao encerramento das trajetórias dos personagens.

5. PERFIL PROFISSIONAL

 

GERALDO VALINTIM desenvolve roteiros de longa-metragem e teledramaturgia que articulam memória, afetos e conflitos humanos. Seu repertório transita entre o drama autobiográfico, o cinema poético-musical, o suspense psicológico, a narrativa juvenil e a crítica social seriada. Com atenção especial aos objetos de memória, à música e às consequências das escolhas, sua dramaturgia busca transformar experiências particulares em histórias de ressonância coletiva.

No cinema, interessa-lhe a possibilidade de narrar por meio de imagens, comportamentos, objetos e silêncios, preservando espaço para a interpretação do espectador. Na ficção seriada, explora a amplitude dos núcleos dramáticos, o cruzamento de destinos, a intensidade do melodrama e o potencial crítico do humor.

Sua identificação com o cinema brasileiro, o Cinema Novo, o cinema nordestino, o cinema independente e o cinema espiritual ou existencial fornece um campo de referências para o desenvolvimento de uma linguagem própria, sem que isso implique reproduzir integralmente qualquer movimento ou escola.

Nenhum comentário: