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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Espiritismo, física quântica e os novos paradigmas da ciência



Por Ana Lucia Santana
Há pouco mais de cem anos, o físico Max Planck, considerado conservador, tentando compreender a energia irradiada pelo espectro da radiação térmica, expressa como ondas eletromagnéticas  produzidas por qualquer organismo emissor de calor, a uma temperatura x, chegou, depois de muitas experiências e cálculos, à revolucionária ‘constante de Planck’, que subverteu os princípios da física clássica.
Este foi o início da trajetória da Física ou Mecânica Quântica, que estuda os eventos que transcorrem nas camadas atômicas e sub-atômicas, ou seja, entre as moléculas, átomos, elétrons, prótons, pósitrons, e outras partículas. Planck criou uma fórmula que se interpunha justamente entre a Lei de Wien – para baixas freqüências – e a Lei de Rayleight – para altas freqüências -, ao contrário das experiências tentadas até então por outros estudiosos.
Albert Einsten, criador da Teoria da Relatividade, foi o primeiro a utilizar a expressão quantum para a constante de Planck E = hv, em uma pesquisa publicada em março de 1905 sobre as conseqüências dos fenômenos fotoelétricos, quando desenvolveu o conceito de fóton. Este termo se relaciona a um evento físico muito comum, a quantização – um elétron passa de uma energia mínima para o nível posterior, se for aquecido, mas jamais passará por estágios intermediários, proibidos para ele, neste caso a energia está quantizada, a partícula realizou um salto energético de um valor para outro. Este conceito é fundamental para se compreender a importância da física quântica.
Seus resultados são mais evidentes na esfera macroscópica do que na microscópica, embora os efeitos percebidos no campo mais visível dependam das atitudes quânticas reveladas pelos fenômenos que ocorrem nos níveis abaixo da escala atômica. Esta teoria revolucionou a arena das idéias não só no âmbito das Ciências Exatas, mas também no das discussões filosóficas vigentes no século XX.
No dia-a-dia, mesmo sem termos conhecimento sobre a Física Quântica, temos em nossa esfera de consumo muitos de seus resultados concretos, como o aparelho de CD, o controle remoto, os equipamentos hospitalares de ressonância magnética, até mesmo o famoso computador.
A Física Quântica envolve conceitos como os de partícula – objeto com uma mínima dimensão de massa, que compõe corpos maiores – e onda – a radiação eletromagnética, invisível para nós, não necessita de um ambiente material para se propagar, e sim do espaço vazio. Enquanto as partículas tinham seu movimento analisado pela mecânica de Newton, as radiações das ondas eletromagnéticas eram descritas pelas equações de Maxwell. No início do século XX, porém, algumas pesquisas apresentaram contradições reveladoras, demonstrando que os comportamentos de ambas podem não ser assim tão diferentes uns dos outros. Foram essas idéias que levaram Max Planck à descoberta dos mecanismos da Física Quântica, embora ele não pretendesse se desligar dos conceitos da Física Clássica.
A conexão da Mecânica Quântica com conceitos como a não-localidade e a causalidade, levou esta disciplina a uma ligação mais profunda com conceitos filosóficos, psicológicos e espirituais. Hoje há uma forte tendência em unir os conceitos quânticos às teorias sobre a Consciência.
Físicos como o indiano Amit Goswami se valem dos conceitos da Física moderna para apresentar provas científicas da existência da imortalidade, da reencarnação e da vida após a morte. Professor titular da Universidade de Física de Oregon, Ph.D em física quântica, físico residente no Institute of Noetic Sciences, suas idéias aparecem no filme Quem somos nós? e em obras como A Física da Alma, O Médico Quântico, entre outras. Ele defende a conciliação entre física quântica, espiritualidade, medicina, filosofia e estudos sobre a consciência. Seus livros estão repletos de descrições técnicas, objetivas, científicas, o que tem silenciado seus detratores.
Fritjof Capra, Ph.D., físico e teórico de sistemas, revela a importância do observador na produção dos fenômenos quânticos. Ele não só testemunha os atributos do evento físico, mas também influencia na forma como essas qualidades se manifestarão. A consciência do sujeito que examina a trajetória de um elétron vai definir como será seu comportamento. Assim, segundo o autor, a partícula é despojada de seu caráter específico se não for submetida à análise racional do observador, ou seja, tudo se interpenetra e se torna interdependente, mente e matéria, o indivíduo que observa e o objeto sob análise. Outro renomado físico, prêmio Nobel de Física, Eugen Wingner, atesta igualmente que o papel da consciência no âmbito da teoria quântica é imprescindível.

fonte:  http://www.infoescola.com/fisica/quantica/


Programa ao vivo transmitido em: http://www.icefaovivo.com.br, via internet aberto a perguntas via MSN: icefaovivo@gmail.com.
Toda semana um convidado com temas diversos, sempre de acordo com a Doutrina Espírita. Quartas-Feiras início 20:05hs.
ICEF - Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis
Participe!

"A maior caridade que se pode fazer ao Espiritismo é a sua divulgação!" - Emmanuel.

"Divulgar o Espiritismo por todos os meios e modos dignos ao alcance, é tarefa prioritária!" - Bezerra de Menezes.

"Divulgar, em cada programa de rádio e televisão, ou programas outros de expansão doutrinária, conceitos e páginas das obras do Espiritismo.
A base é indispensável para qualquer edificação!" - André Luiz.


Gostaria de saber o que é Física Quântica e por que alguns cientistas afirmam a existência de Deus?

Ouço falar da física quântica mas nada sei a este respeito. Alguns cientistas dizem que através da física quântica, descobriram e passaram a acreditar em Deus. Por que? O que ela estuda? Como estudam? Onde iniciou? Que países tem mais pesquisadores? Quais conclusões chegaram até o momento? Na verdade gostaria de saber tudo sobre isso? Pode me indicar site, não tenho problemas em pesquisar. Obrigada.

Melhor resposta - Escolhida por votação

Vou tentar ser o menos técnico possível. Bem, a física quântica surgiu no fim do século XIX/início do século XX para tentar explicar a cor da luz emitida por determinados materiais a determinadas temperaturas (calma, eu sei que isso ainda não explica nada). Para que se pudesse encontrar teoricamente o que era observado na prática, Max Planck supôs que a energia embutida nessa luz deveria ter valores bem determinados (não podia ter qualquer valor), ou seja, essa energia era "quantizada" (isso ficou provado por Einstein no seu trabalho sobre o efeito fotoelétrico). A partir daí os cientistas utilizaram estes conceitos para determinar propriedades dos movimentos em escala atômica (a chamada mecânica quântica). Como essas propriedades não podem ser determinadas absolutamente (pois nessa escala a medição interfere no movimento), estas foram definidas em termos de probabilidades. Daí o povo começou a achar que tudo é possível, já que, de acordo com a teoria quântica, você pode atravessar uma parede, ou coisa do gênero. Um livro bom pra você (eu imagino) é um chamado "Alice no país do quantum" (devem existir melhores, mas eu só lembro desse). Para saber algo sobre essas "lombras" sobre a física quântica, você pode procurar "O tao da física". Aonde você também pode encontrar algo de forma simples é na Revista Brasileira de Ensino de Física (mas eu não faço a menos idéia de onde achar). Bem, espero ter ajudado, pelo menos um pouco.
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Outras Respostas (3)

A Mecânica Quântica é a parte da física que estuda o estado de sistemas onde não valem os conceitos usuais na mecânica clássica tais como os de trajetória e o de distingüibilidade de partículas idênticas (aliás, os dois conceitos são intimamente relacionados); usualmente estuda o movimento das partículas muito pequenas, ou seja, em nível microscópico. Entretanto, efeitos há que ocorrem a nível macroscópico (ver adiante). O conceito de partícula "muito pequena" , mesmo que de limites muito imprecisos, relaciona-se com as dimensões nas quais começa a ficar-se evidente efeitos como a impossibilidade de conhecer com infinita acuidade e ao mesmo tempo a posição e a velocidade de uma partícula (veja Princípio da incerteza de Heisenberg), entre outros. A ditos efeitos chama-se "efeitos quânticos". Assim, a Mecânica Quântica é a que descreve o movimento de sistemas nos quais os efeitos quânticos são relevantes. Experimentos mostram que estes são relevantes em escalas de até 1000 átomos. Entretanto, existem situações onde mesmo em escalas macroscópicas, os efeitos quânticos se fazem sentir de forma manifestamente clara, como nos casos da supercondutividade e da superfluidez. A escala que regula em geral a manifestação dos efeitos quânticos é o raio de Bohr.

As conclusões mais importantes desta teoria são:




Em estados ligados, como o elétron girando ao redor de um átomo, a energia não se troca de modo contínuo, mas sim em de modo discreto (descontínuo), em transições cujas energias podem ou não ser iguais umas às outras. A idéia de que estados ligados têm níveis de energias discretas é devida a Max Planck.
O de ser impossível atribuir ao mesmo tempo uma posição e uma velocidade exatas a uma partícula, renunciando-se assim ao conceito de trajetória, vital em Mecânica Clássica. Ao invés da trajetória, o movimento de partículas em Mecânica Quântica é descrito por meio de uma função de onda, que é uma função da posição da partícula e do tempo. A função de onda é interpretada por Max Born como uma medida da probabilidade de se encontrar a partícula em determinada posição e em determinado tempo. Esta interpretação é a mais aceita pelos físicos hoje, no conjunto de atribuições da Mecânica Quântica regulamentados pela Escola de Copenhagen. Para descrever a dinâmica de um sistema quântico deve-se, portanto, achar sua função de onda, e para este efeito usam-se as equações de movimento, propostas por Werner Heisenberg e Erwin Schrödinger independentemente.

Fonte(s):

Wikipédia

Okey para a ÁREA Q

Publicado em 19/04/2012 - 22:00 por | 8 Comentários
Categorias: CRÍTICAS DE FILMES
Independente de seu mal resultado inicial nas bilheterias, Área Q é uma ficção que deve ser vista por apostar numa temática pacifista

Em toda a história do cinema brasileiro, apenas 32 filmes são catalogados como ficção científica. Mas, destes, apenas 12 podemos classificar como obras pertinentes ao gênero, já que os demais são comédias, paródias e chanchadas. De O 5º Poder (1962), de Alberto Pieralisi, que trata do efeito das mensagens subliminares em uma trama política e que considero o filme sério no gênero, passando por Brasil Ano 2000 (1969), de Walter Lima Jr., Quem é Beta? (1973), de Nelson Pereira dos Santos, Paralelo 88: o Limite de Alerta (1977), Abrigo Nuclear (1981), de Roberto Pires, a animação Cassipéia (1996), de Clóvis Vieira, até ao mais recente, Aquária (2004), de Flávia Moraes, nenhum trata de contato extraterrestre.
A primeira ficção científica brasileira a tratar do tema, O Homem das Estrelas (1970), dirigida pelo francês Jean-Daniel Pollet, acompanhava um alienígena que, com a capacidade de viajar no tempo, conhece vários personagens históricos do Brasil Colônia à década de 1970.

Área Q, co-produção brasileira-estadunidense dirigida pelo carioca radicado nos EUA Gerson Sanginitto, é, na verdade, a primeira película a tratar de contatos imediatos no cinema brasileiro, tendo como intenção chamar a atenção para as ações danosas do homem ao seu planeta. O filme de Sanginitto trafega pelos temas de dois clássicos da moderna ficção científica, O Dia em que a Terra Parou, a versão de 1951 dirigida por Herbert Wise, e de 2008, a cargo de Scott Derrickson, e Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), de Steven Spielberg.
No caso das versões de O Dia em que a Terra Parou, alienígena chega à Terra com a forma humana e procura obter contato com os governantes a fim de alertá-los sobre os perigos que ameaçam o planeta e da possibilidade de interferência de seres superiores. Na obra de Wise, feita à época da guerra fria, o perigo era a ameaça de uma guerra nuclear, e, no segundo, o tema, atualizado para a época atual, passa a ser a devastação ecológica. Mas, há uma diferença vital entre o primeiro e o segundo filme.  No primeiro, se prepondera uma mensagem pacifista, no segundo, o alienígena, comportando-se como um deus, revoltado com a arrogância dos governantes, quase chega a eliminar a raça humana do planeta através de pragas que lembram aquelas proferidas pela Bíblia.

A pormenorização de cada filme, nesta análise, tem um sentido, já que Área Q traz para si todas essas abordagens das duas películas. Mas, antes que alguém pense que, com esta exposição, estamos desqualificando Área Q, a intenção é justamente oposta, porque, na verdade, identificamos na produção cearense uma condensação, harmoniosa e inteligente, das abordagens oferecidas.
No entanto, não seria correto desconhecer que Área Q tem problemas de montagem, e, principalmente, de erros de continuidade que são visíveis por qualquer tipo de espectador. Mas, todos os filmes têm erros de continuidade e, felizmente, esses são problemas menores, os quais não afetam diretamente a qualidade da obra.
Por isso, são maiores as qualidades de Área Q, no qual, ressalte-se, reside o seu principal objetivo: transmitir uma mensagem pacifista. Ou seja, o filme se apropria das características dos dois filmes estadunidenses, mas tem a inteligência de ampliá-las para além da condição humana, transportando-a para um sentido cosmológico com a inserção de um brilhante desfecho com Isaiah Washington no meio de um deserto africano.

O roteiro de Área Q, apesar dos deslizes de alguns diálogos e situações, é a sua maior virtude. Julia Câmara e Gerson Sanginitto construíram um enredo em que o cenário místico e as formações rochosas de Quixadá e Quixeramobim (mais propriamente a Pedra da Gaveta) transmitem um aspecto de segredos e mistérios quando enfocadas pela câmera de Carina Sanginitto, remetendo a uma espécie de Roswell à brasileira.
É elogiável, também, a forma como o enredo se desenvolve sem entregar a sua real intenção de “pegar” o espectador e impactá-lo. A partir da entrada do jornalista estadunidense interpretado por Isaiah Washington na “bolha cósmica” e a sua reentrada na realidade terrestre, mas na temporalmente um ano depois, a história ganha uma característica entre intrigante e fascinante, aí sim, envolvendo a plateia até o desfecho enxuto e revelador.
Área Q lembra ainda um outro filme de ficção científica, o subestimado Presságio (2008), de Alex Proyas, no qual o homem recebe mensagens de que o plan0eta passará por uma renovação e a humanidade será extinta. Diferentemente do desfecho devastador desta surpreendente obra de Proyas, Área Q segue em direção oposta, abrindo espaço para a renovação da humanidade.

Ainda no campo da ficção científica, outra qualidade é a introdução da “bolha cósmica”, raras vezes lembrada como instrumento da ficção científica, e que aqui serve como meio de “transporte” (e teletransporte) para o personagem João Batista, vivido por um ótimo Murilo Rosa. O interior da bolha mostra-se tão fascinante quanto o interior da nave mãe na reedição de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.
Tratando com seriedade um tema difícil e sem tradição no Brasil, Área Q abre uma porta interessantíssima para a ficção científica no cinema nacional. Aposta em um desfecho reflexivo, filosófico, no qual evidencia não estarmos sós no universo. Um bom filme que deve ser conferido.
Mais informações
Área Q (Brasil, 2012), de Gerson Sanginitto. Com Isaiah Washington, Murilo Rosa, Tânia Khalil e Ricardo Conti. Califórnia. 107 minutos. 14 anos.
Veja o trailer de Área Q.

Comentários

Peterson Frank
em 20 de abril de 2012
Gostei muito da sua postagem! Os brasileiros subestimam o nosso potencial para o cinema. É bom ver alguém elogiando um filme nacional mostrando também seus defeitos. Abraço.
Pedro Martins Freire
em 20 de abril de 2012
PETERSON – muito obrigado pelo entendimento. Esse o nosso princípio. Quando faço a crítica de um filme, procuro abri-lo para o espectador, a fim de que ele possa conferir as qualidades e os defeitos da obra. Assim, ele também aprende a ver um filme. Digo aprende, porque estamos sempre aprendendo com os outros. E aprendo muito com os comentários de pessoas, como você Peterson. Obrigado por frequentar o blog e fique a vontade para fazer, também, suas críticas e sugestões. Um grande abraço, Pedro.
Célio César
em 21 de abril de 2012
Assisti ao filme, e como você mesmo afirmou, apesar de algumas deficiências é um filme que merece ser prestigiado.
Pedro Martins Freire
em 21 de abril de 2012
CÉLIO – muito bom que v. tenha visto Área Q. Um grande abraço do Pedro.
Moacir Silberschmidt
em 24 de abril de 2012
Fiquei sensibilizado com esta crítica. Já li muito sobre Área Q, ouvi entrevistas, reportagens. Alguns críticos simplesmente se apegaram a falhas, deixando no ar a ideia de que o filme não merece ser visto. Você, Pedro, ao contrário, reforçou em mim o desejo de ver e interpretar por mim mesmo o trabalho destes profissionais que conseguiram produzir um filme de ficção (gênero que gosto muito) com conteúdo. Área Q, por sua história e mensagem, é um filme que deve entrar para a história do cinema brasileiro e mundial. Mais uma vez, parabéns, Pedro Martins Freire, por fazer suas críticas pertinentes sem necessariamente se colocar como o dono da verdade. Ganhou mais um fã!
Pedro Martins Freire
em 25 de abril de 2012
MOACIR – obrigado por sua generosidade e palavras acolhedoras. Recomendo que você veja A Perseguição, de Joe Carnahan, outro filme que nos toca com profundidade e gera reflexões. Grande abraço, Pedro
Marcos Nascimento
em 25 de abril de 2012
Vi o filme,gostei da abordagem.É bom ver minha terra natal nas telonas. Vamos lá gente, vamos prestigiar este fime.
Pedro Martins Freire
em 25 de abril de 2012
É isso aí Marcos. Vale o incentivo. Grande abraço, Pedro.

FONTE: http://blogs.diariodonordeste.com.br/blogdecinema/criticas-de-filmes/okey-para-a-area-q/

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Jornada ADEP 2012 - Viva Além da Crise foi o tema das Jornadas de Cultura Espírita

Jornadas ADEP 2012 n' O Consolador
Posted: 29 Apr 2012 08:25 AM PDT



Viva Além da Crise foi o tema das Jornadas de Cultura Espírita

Promovida pela ADEP – Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, a edição deste ano realizou-se nos dias 21 e 22 de abril na bela Vila de Óbidos

Estava a Europa posta em relativo sossego, e eis que a famosa crise econômica invade os lares com assustadoras perspectivas para o futuro. Na televisão pontificam os economistas, falando uma nova língua feita de subprimes, bubbles, spreads e outros palavrões que para o comum cidadão se traduzem em desemprego, falta de dinheiro e dificuldades crescentes. A crise econômica será apenas um acidente de percurso na engenharia financeira, um capricho inexplicável desse deus dos dias atuais que é o “mercado”? Ou será a ponta de um iceberg que faz adivinhar uma crise mais profunda – a dos valores?
Foi à volta destas apreensões e destas interrogações que a ADE Portugal resolveu escolher o tema “Viva Além da Crise” para esta edição das suas Jornadas de Cultura Espírita. No fim-de-semana de 21 e 22 de Abril de 2012, todos os caminhos foram dar ao Auditório da Casa da Música, na histórica e encantadora Vila de Óbidos. A transmissão via Internet não foi possível, por motivos técnicos alheios à Organização, mas os vídeos estarão em breve disponíveis no site da ADE Portugal.
Tratando-se de um evento espírita, ninguém ia na expectativa de encontrar receitas milagrosas para obter fortuna material, como acontece em certas correntes new-age e em setores religiosos que prometem fazer chover dinheiro. Em vez disso, a audiência foi brindada com reflexões muito sérias, mas agradáveis de seguir, sobre as crises nos contextos histórico, antropológico, psicológico, geológico, biológico, econômico, social, familiar e espiritual.
Temos que viver com os pés na Terra, mas com os
olhos no Céu

Se tivéssemos que resumir estas Jornadas numa frase, escolheríamos um trecho do inesquecível O Ponto de Vista, de O Evangelho segundo o Espiritismo: A ideia clara e precisa que se faz da vida futura dá uma fé inabalável no porvir, e essa fé tem consequências enormes sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vista pelo qual eles encaram a vida terrena. Para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita, a vida corporal não é mais do que rápida passagem, uma breve permanência num país ingrato.(…) Estas palavras, tão significativas da Doutrina Espírita, não podem ser letra morta, e é nos momentos difíceis que ganham maior significado. Há que viver com os pés na Terra mas com os olhos no Céu.

Paulo Mourinha
(foto), médico e psicólogo de profissão, analisou o stress e a depressão, apontando o caráter cíclico e necessário das crises, conducentes a novos (e melhores) paradigmas. Neste caso, o paradigma que desponta parece apontar para um reequilíbrio entre “ter” e “ser”, após um período de materialismo exacerbado.
Francisco Curado (foto), cientista e professor universitário, assinalou que o Universo não evolui de forma linear, da micro à macro escala, e que há momentos de aceleração. Apresentou análises de diversos pesquisadores sobre o movimento cíclico evolutivo e citou exemplos históricos, como o da civilização Maia ou da que viveu na Ilha de Páscoa. Lembrou que alguns pesquisadores compararam a Terra à Ilha de Páscoa, o que é um poderoso alerta para a
forma como usamos os nossos recursos.

Os problemas são muitos, mas os desafios são também entusiasmantes

O jornalista e naturalista Jorge Gomes estabeleceu um interessante paralelo entre as crises humanas, e a Geologia e a Biologia. Da Natureza colhemos a lição de que a vida pressupõe níveis de instabilidade. E o Espiritismo lembra-nos que já enfrentamos muitas crises, em anteriores existências carnais. O exemplo do lobo de menor estatuto da matilha, que chega a ser expulso e sozinho faz das fraquezas forças, foi sugestivo.


Andreia Nunes (foto), jovem psicóloga clínica com respeitável currículo acadêmico e profissional, embora não sendo espírita, acedeu amavelmente a palestrar neste evento, e encantou a audiência com uma dissertação sobre as dificuldades conjugais que se agravam nestes tempos difíceis. Os problemas são muitos, mas são entusiasmantes os desafios que se apresentam aos pares que o amor uniu. Foi especialmente tocante sua sugestão de que ambos a
cada dia procurem completar a frase “Hoje fui feliz porque…”. Mesmo que só
tenham jantado um prato de sopa – acrescentou.

A Amélia Reis, professora aposentada, coube abordar um dos problemas dos nossos dias: o impacto da separação dos pais na vida dos filhos. Uma abordagem lúcida, responsabilizadora e enaltecedora das responsabilidades de mães e pais.

Em Espiritualidade, quanto mais capital se divide, mais capital se multiplica
Uma apresentação invulgar, com uma dinâmica de sketch, foi trazida por José Lucas (militar) e Noémia Margarido (técnica de contas), que se atreveram a tratar os temas do suicídio, homicídio, pena de morte e aborto, com o otimismo inquebrantável que a Doutrina Espírita possui.
Na última mesa-redonda do dia a psiquiatra
Gláucia Lima, presença habitual nas Jornadas, juntou-se ao painel e respondeu a questões do auditório, relacionando Psiquiatria e Espiritismo.
O segundo dia iniciou-se com a eterna jovialidade de Lígia Pinto, médica especialista em Geriatria e investigadora, que abordou outro tema quente, a eutanásia. Aliando conhecimento científico e solidez doutrinária, destacou o papel do livre-arbítrio, da emancipação moral que o Espiritismo aponta a uma Humanidade que se liberta dos
ditames religiosos dogmáticos e vai entrando na maioridade espiritual.


Especialista em Informática, professor e webmaster da ADE Portugal, Vasco Marques destacou o papel das redes sociais na atividade humana em geral e na divulgação do Espiritismo.


Isaías Sousa (foto), economista, surpreendeu o auditório com um tema invulgar – “A Economia do Espírito” – demonstrando que em Espiritualidade, quanto mais capital se divide, mais capital se multiplica. O “mercado da virtude” ou as dívidas que Deus transforma em oportunidades foram algumas das imagens usadas, numa comunicação
cativante, que conseguiu o feito inédito de comover corações com Economia, gráficos e números.

Em nosso orbe, cada um de nós tem a sua parcela
de virtudes e fraquezas
A última comunicação coube ao professor Reinaldo Barros, que sintetizou tudo o que fora dito, na sua palestra “Reaprender a Viver”. Com efeito, em tempos em que a Economia está na ordem do dia, a ideia que fica é de que a Humanidade terrena está sentada sobre uma mina de ouro que ainda não descobriu. Urge não cometer os mesmos erros que os habitantes da Ilha de Páscoa outrora cometeram, esgotando-se em lutas estéreis e consumindo totalmente os seus recursos materiais. A Espiritualidade – neste caso interpretada pelo modelo espírita – é o precioso recurso que ainda não exploramos eficientemente. É inesgotável, e se usado caritativamente, poderá enformar a nova Sociologia, a nova Economia, a nova era de paz e harmonia que a Humanidade busca.
Citando Paulo Mourinha, "O Espiritismo é o movimento social mais revolucionário que a Humanidade já conheceu".


Na intervenção de encerramento, João Xavier de Almeida (foto), aposentado, ex-presidente da Federação Espírita Portuguesa, membro honorário e presidente da Assembleia Geral da ADEP, lembrou, com desarmante singeleza, que Deus está com todos nós. “Está aqui neste momento e basta que pensemos nele uns segundos para sentirmos a Sua
paz.” Rejeitando a busca obstinada de culpados exclusivos das crises, lembrou que cada um de nós tem a sua parcela de virtudes e fraquezas. A progressiva sintonia com Deus trará a progressiva perfeição das instituições e sociedades humanas. O decano dos espíritas portugueses não precisou falar bastante para dizer muito.


Uma palavra para os belos momentos musicais oferecidos pelo jovem pianista Rafael Araújo(foto), pelo grupo juvenil do Centro de Cultura Espírita, e pelos adultos Reinaldo Barros, Inês Guinote, João Paulo & Filomena, que viriam a interpretar em conjunto uma memorável versão de “Essa Luz ao Fim da Tarde”, já quase no final do evento.
Lamentou-se, mais uma vez, a ausência da imprensa não-espírita, que ai

sexta-feira, 20 de abril de 2012

DOENÇA DE ALZHEIMER E SEUS ASPECTOS ESPIRITUAIS



Definição e Anotações sobre a Psicopatologia da Doença de Alzheimer

O “Mal de Alzheimer”, ou Doença de ALZHEIMER, é um quadro demencial, irreversível, com solapamento progressivo, principalmente, da MEMÓRIA do paciente e de outras funções cognitivas (intelectuais).
Em geral, a doença começa a partir dos 65 anos, mas há vários casos de início precoce, isto é, a partir dos 45 anos.
Para entendermos bem as características e evolução dessa Doença é preciso tentar explicar o que se denomina LEI DA REGRESSÃO MNÊMICA DE RIBOT... Segundo esta, quando uma pessoa apresenta uma alteração mnêmica (da memória) “orgânica”, primeiramente é comprometida a “memória de fixação” e “memória de curto prazo”, ou seja, a pessoa começa a se esquecer de acontecimentos ocorridos mais recentemente e, com o progredir da Doença, a memória para fatos mais antigos também será deteriorada. Outro aspecto da “Lei de RIBOT” é que as funções psíquicas mais complexas são afetadas, também, mais precocemente do que as funções mais simples. É por isso que, no início da Doença de ALZHEIMER o paciente costuma se “perder” em via pública ou mesmo esquecer-se de fatos os mais corriqueiros, pois a memória recente estando comprometida, o paciente fica “desorientado” no tempo e no espaço; além disso, o paciente costuma apresentar alterações “ético-sociais” -, o “pudor” (que é uma função complexa) fica comprometido; conseqüentemente, não é raro indivíduos bem educados apresentarem sintomas como despir-se na frente de uma multidão de pessoas, não conseguindo ajuizar eticamente a sua conduta.
A propósito, certa vez, tratamos um paciente com Doença de ALZHEIMER cujo primeiro sintoma foi urinar em via pública, exibindo a genitália para os transeuntes, no entanto, era um Sr. com um passado de moral ilibada e muito responsável e elegante...
Enfim, a Doença de ALZHEIMER vai afetando, progressivamente, as funções corticais do paciente, pois o que acontece é que há uma ATROFIA DO CÉREBRO do paciente e, por isso mesmo, as funções cognitivas (intelectuais) e até motoras (de movimento) são deterioradas pela doença, irreversivelmente, porque as células cerebrais não se regeneram, uma vez atrofiadas não são substituídas por outras, íntegras; por isto, diz-se que o tecido cerebral é “tecido nobre”, isto é, as células lesionadas não são substituídas. Exatamente como varias pessoas vivenciam: “na parte física vemos que a pessoa vai definhando, perdendo o movimento e a noção das coisas.”

Visão espírita do “Mal de Alzheimer’

Na época do lançamento de O LIVRO DOS ESPÍRITOS (OLE), de ALLAN KARDEC (1857), não se conhecia a fisiopatologia da Doença de ALZHEIMER, por isso, a Codificação não se refere à Doença especificamente, porém, podemos extrair algum conhecimento sobre o que acontece com o Espírito da pessoa com essa Doença se analisarmos bem a resposta à questão
156 de OLE e, com tal análise, não podemos nos furtar a um melhor entendimento da natureza e propriedades do PERISPÍRITO e suas correlações com a MEMÓRIA e o TEMPO,,,
Assim, leiamos a questão 156 de OLE e a primeira parte da resposta:
“A separação definitiva entre a alma e o corpo pode verificar-se antes da cessação completa da vida orgânica?
“- NA AGONIA, ÀS VEZES, A ALMA JÁ DEIXOU O CORPO, QUE NADA MAIS TEM DO QUE A VIDA ORGÂNICA (...)”.
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MORTE CORPORAL E ESPÍRITO
O Espírito desliga-se definitivamente do corpo porque este está morto, mas
não é o desligamento do Espírito que causa a morte do corpo
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Parece-nos, que nas doenças crônicas em geral, que afetam o cérebro (como é o caso da Doença de ALZHEIMER), estando este deteriorado, ele não mais reagiria ao comando do Espírito - a vida na doença de ALZHEIMER se resumiria, praticamente, à vida orgânica, VEGETATIVA, “a alma já deixou o corpo”, embora não definitivamente, pois isto só ocorre na desencarnação...
A Sra. poderia, talvez, argumentar que um corpo não poderia viver sem alma, o que não seria verdade... O que mantém a vida corporal é o “FLUIDO” VITAL e não o Espírito, a vida só se extingue pela exaustão dos órgãos e não pela ausência do Espírito (cf. resp. à questão 68 de OLE). É preciso que se repita: o Espírito desliga-se definitivamente do corpo porque este está morto, mas não é o desligamento do Espírito que causa a morte do corpo...
Obviamente, ainda há uma ligação, muito tênue, entre o Espírito e o corpo de uma pessoa com Doença de ALZHEIMER, mas o rompimento de tal ligação só não é definitivo porque a pessoa ainda não desencarnou, pois o Espírito nada mais tem a fazer estando o cérebro sem NENHUM controle seu... Sabemos que a alma desprende-se do corpo, pouco a pouco, gradativamente, nas doenças orgânicas, crônicas (cf. se depreende da resposta à questão 155-A de OLE) e, num grau avançado da Doença, acreditamos que a alma está quase totalmente liberta do corpo.
Como um paciente com Doença de ALZHEIMER sente-se interiormente? Parece-nos que isto irá depender não só da evolução espiritual da pessoa, como também, do estágio evolutivo da doença, da demência. Quando as funções cognitivas (intelectuais) estão seriamente comprometidas, a pessoa nada sente, isto é, não há nenhuma repercussão ESPIRITUAL do que se passa no corpo... Aliás, KARDEC afirmava mais ou menos isto, em outras palavras, quando disse que de nada adianta ser um bom violinista se o violino estiver danificado. Como tocar boa música, nessa situação?
Prezados Srs. leitores e leitoras, o grande sofrimento na doença de ALZHEIMER é dos familiares e da Sociedade, não é do paciente. É muito duro, às vezes desesperador mesmo, ver um ente querido, um ser humano, desconhecer seus próprios parentes, não saber pronunciar seus nomes (na afasia motora) e, às vezes, nem reconhecer as coisas do ambiente (agnosia) e nem ter coordenação para os mais simples movimentos úteis, como vestir uma roupa (apraxia), certamente, como dizem alguns: “é um sofrimento ver uma pessoa tão dinâmica ir definhando aos nossos olhos.”... Aí está: a doença de ALZHEIMER é uma PROVA, extremamente difícil para os familiares e exige muita resignação e muito Amor e, antes de tudo, a certeza na IMORTALIDADE DA ALMA e de sua INDIVIDUALIDADE após a morte e confiança na Providência Divina e aí está a “vantagem” de ser espírita, se é que assim podemos nos exprimir, porque a Doutrina Espírita é Consoladora justamente porque nos dá essa CERTEZA (através de FATOS positivos) nas respostas a questões existenciais que todos já fizeram algum dia: por que aqui estamos? Para onde vamos? Por que sofremos?...
Enfim, cuidar muito bem dos pacientes, embora acreditemos que não é fácil, mas as dificuldades são postas em nossa vida para crescermos espiritualmente e, quem sabe, se este gênero de prova não foi solicitado pelos familiares. antes de reencarnar?!
A nosso ver os familiares devem ficar tranqüilos quanto ao suposto sofrimento dos pacientes, pois, praticamente ele não existe, e aí é que devemos agradecer à Providência Divina, pois, na maioria das vezes o próprio paciente não percebe o seu comprometimento cognitivo, nem se dá conta que sua memória está gravemente comprometida. Se eles forem um Espírito com certa elevação, devem estar sentindo-se muito melhor que os familiares, disto temos absoluta certeza, pois estando o Espírito dela com uma tal emancipação, as coisas terrenas praticamente não a afetariam.
Onde ficarão “impressas” as vivências presentes e passadas?

Como dissemos, o sintoma principal na Doença de ALZHEIMER é a deterioração da MEMÓRIA e tem havido muita distorção doutrinária, a nosso ver, em relação à questão do PERISPÍRITO, que, para alguns, seria o “arquivo” das nossas experiências terrenas.

O PERISPÍRITO, A MEMÓRIA E O TEMPO

Existem outras obras, além das básicas , da DOUTRINA ESPÍRITA? Creio que não, pois não me consta que a Espiritualidade Superior tenha se manifestado doutrinariamente, depois de KARDEC, com a “concordância universal dos seus ensinos”; eis, talvez, uma das causas dos aspectos polémicos citados por alguns. Há um adágio, cuja autoria eu desconheço, do qual gosto muito: quando os “espíritas” igrejeiros insistirem, estereotipadamente, em que FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO, que, aliás, é uma verdade; poderemos complementar com o adágio: - E FORA DA CODIFICAÇÃO NÃO HÁ DOUTRINA ESPÍRITA...

Perispírito - Matéria e Espírito - Densidade e ponderabilidade da matéria

Como vários estudiosos dizem, o “perispírito” possui características “especiais” de DENSIDADE, PONDERABILIDADE e PLASTICIDADE. Está perfeito! Perguntaríamos, então, ao leitor: conhecemos a densidade e a ponderabilidade do “perispírito”?!...Embora seja “matéria”, desconhecemos a natureza íntima do perispírito. Por que? Porque só conhecemos, aliás não completamente, a matéria “terrena”. As qualidades de EXTENSÃO, IMPENETRABILIDADE e que IMPRESSIONA OS SENTIDOS cessam, quando desejamos conceituar a matéria constitutiva do perispírito (cf. resposta à questão 22 de O Livro dos Espíritos de ALLAN KARDEC).
Portanto, só podemos definir a “matéria”, muito genericamente, como “o liame que escraviza o espírito; é o instrumento que ele usa, e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce a sua ação” (cf. resposta à questão 22-A, op. cit.).
A matéria com que lidamos na Terra possui densidade, ponderabilidade, contudo, a matéria considerada como derivada do “fluido universal” é IMPONDERÁVEL para nós, encarnados e imperfeitos. E isso é exposto claramente em resposta à questão 29 (op. cit.), diz ela: “A ponderabilidade é atributo essencial da matéria? E a resposta: “- Da matéria como a entendeis, sim; mas não da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que forma esse fluido é imponderável para vós, mas nem por isso deixa de ser o princípio da vossa matéria ponderável.”. A seguir, KARDEC comenta:
“A ponderabilidade é uma propriedade RELATIVA (o destaque é nosso). Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, da mesma maneira que não há alto nem baixo.”
É interessante ressaltar que a ponderabilidade dos corpos depende, necessariamente, dos fatores cósmicos atuantes do mundo em que se encontram; da lei de gravidade, por exemplo, em nosso planeta.
Vários cientistas estudaram a questão da MATÉRIA, tais como: CHARLES RICHET, MORSELLI, CESARE LOMBROSO, W. J. CRAWFORD, WIILLIAM CROOKES, etc., inclusive estudaram os fenômenos de “ectoplasmia”. Contudo, tais estudos foram realizados, fundamentalmente, em MÉDIUNS, isto é, com “fluidos animalizados” do médium em “conjunção” com os da Espiritualidade desencarnada. Assim, W. CROOKES no seu notável estudo da médium FLORENCE COOK na qual se manifestava principalmente o espírito de KATIE KING, além dos estudos com a médium EUSÁPIA PALADINO realizados por RICHET, LOMBROSO, CRAWFORD e outros... Todas essas experiências, realizadas em geral por cientistas, a princípio, céticos em relação ao mundo espiritual, serviram para a comprovação da realidade do mundo espiritual e pouco mais se conseguiu. A propósito, na obra “O Psiquismo experimental”, ALFREDO ERNY relata que escreveu ao Sr. CROOKES, em 1892, e perguntou-lhe se KATIE KING ter-lhe-ia feito revelações sobre o outro mundo, recebendo do ilustre químico a resposta:
“Tive muitas conversações com KATIE KING, e naturalmente lhe fiz várias perguntas a respeito do outro mundo. As respostas não satisfizeram. Geralmente ela dizia que estava proibida de dar essas informações.”
Portanto, vários leitores leram algumas obras atuais estabelecendo as “correlações do Espírito com a matéria”, pontificando a natureza eletromagnética dessa matéria, tenham muito cuidado; pois no Espiritismo, infelizmente, há muitos espíritos pseudo - sábios, embora a Física moderna têm lançado muita luz sobre tais obscuros problemas. Creio que deverá demorar muito para que conheçamos, aqui na Terra, a densidade e ponderabilidade do perispírito; talvez isto ocorra com a regeneração da Terra... Talvez... Talvez... Por enquanto, há boas hipóteses-de-trabalho, nada mais, o que já é um avanço considerável...

Perispírito e participação na elaboração do pensamento e no desenvolvimento da inteligência

Não concordo com que o perispírito - embora seja matéria quintessenciada - esteja “alheio à elaboração da inteligência e do pensamento”. Na erraticidade, na Terra e em outros mundos o Espírito terá sempre o seu envoltório (perispírito), exceto os Espíritos muito Superiores e os Puros, se não estiverem encarnados; aliás, esta é uma eventualidade rara mas não impossível, embora não estejam mais sujeitos à encarnação, eles podem encarnar-se em “missão”, nada impede!... Frisamos isto, aqui, como um obstáculo aos sofismas dos roustainguistas.
Como disse a Espiritualidade Superior: “(...) o Espírito muda de envoltório, como muda de roupa.” (cf. resposta à questão 94 ‘in fine’ de O Livro dos Espíritos). Só podemos conceber o Espírito sem a matéria “pelo pensamento” (cf. resposta à questão 26, op. cit.).
Embora a Inteligência e o Pensamento sejam atributos inalienáveis do Espírito, haverá sempre co-participação do perispírito em relação ao Pensamento e à Inteligência. Por que o perispírito não está “alheio à inteligência e ao pensamento”? Justamente porque o perispírito é o liame entre o mundo espiritual e o material. Onde houver matéria, aí estará o perispírito, mais grosseiro como o nosso ou menos grosseiro como na erraticidade e nos mundos mais evoluídos.
Sem a participação do perispírito não há progresso material nem espiritual. Como citamos, anteriormente (questão 26 de OLE), a separação entre o perispírito e o espírito é uma abstração do pensamento dos encarnados e inferiores, como nós.

Memória humana (psíquica ou verdadeira) e Memória animal (Memória orgânica ou Memória - hábito) - A questão do tempo - A “durée” bergsoniana

As explicações da função do perispírito como “arquivista temporário” ou como “biblioteca do espírito”, são interessantes didaticamente, todavia, não há rigor nessas explicações... A memória humana não é um mero repositório de engramas (imagens fixadas e conservadas) “arquivados”.
Coube ao filósofo HENRI LOUIS BERGSON (1859-1941) a distinção entre MEMÓRIA ORGÂNICA (ou MEMÓRIA-HÁBITO) e MEMÓRIA PSÍQUICA (ou MEMÓRIA VERDADEIRA). Esta seria apanágio, “específico”, do ser humano.
Com o prof. NOBRE DE MELO podemos definir MEMÓRIA, genericamente, como “a propriedade ou capacidade psíquica de “fixar, conservar” (em latência) e “reproduzir”, “evocar” ou “representar” (voltar a apresentar na consciência), sob a forma de “imagens representativas ou mnêmicas” aquelas impressões sensoriais recebidas, transmitidas e conscientizadas sob a forma de sensações.” (A . L. NOBRE DE MELO. PSIQUIATRIA - Vol. I. Civiliz. Bras. / MEC, Rio de Janeiro, 1979, p. 398). Prosseguindo, diz o nosso mestre da Psiquiatria brasileira, já desencarnado:
“Mas, assim, genericamente concebida, a memória deixa de ser, é óbvio, atributo específico do ser humano”. E exemplifica: “Um cão, digamos, que, alguma vez, tenha sido corrido a pedradas, fugirá espavorido se alguém fizer menção de arremessar-lhe seja o que for, e isso, por efeito, unicamente da dolorosa lembrança anterior fixada”.(op. cit., p. 398 - 399).
Então, com aquela definição genérica, poderíamos dizer que a simples capacidade de armazenar (“arquivar”) e reproduzir impressões deixadas pelos estímulos e excitações do meio externo pode ser encontrada até nos organismos unicelulares, num disco CD, numa fita cassette e nos robôs eletrônicos da moderna Cibernética. Mas seria simplesmente isso a memória humana? Não, a memória orgânica existe no Homem como em qualquer animal, mas a memória humana tem algo de específico...Vejamos a explicação do prof. NOBRE:
“Algo diversos, sem dúvida, são os fatos que definem a chamada “memória psíquica” ou “verdadeira”, esta sim, apanágio do ser humano. Aqui, não somente se verifica a possibilidade de reprodução mecânica ou automática (ecforia) de imagens perceptivas fixadas e conservadas “(engramas)”, mas também a revivescência “(evocação) voluntária” ou “involuntária”, isto é, mercê de associações fortuitas, de estados psicológicos passados, dos pensamentos, sentimentos, emoções, desejos e fantasias, que constituem o patrimônio de nossa experiência vivida. Quer isso dizer que o homem recorda, não apenas os acontecimentos do mundo externo ou circundante, que lhe é dado aos sentidos, mas também os de sua realidade interna, e suas significações respectivas, reconhecendo-os e localizando-os em determinado momento da existência. A memória psíquica ou verdadeira implica, em suma, um FATOR INTENCIONAL SIGNIFICATIVO o destaque é nosso, que, a libera do FATALISMO destaque nosso da memória orgânica.” (op. cit., p. 399).
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MEMÓRIA HUMANA
A memória orgânica existe no Homem como em qualquer animal,
mas a memória humana tem algo de específico
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Enfim, caríssimos leitores, a “memória humana, verdadeira”, não é um simples “arquivo”, estático, de nossas vivências pretéritas. Nem a memória de um computador é assim!... O élan vital caracterizado por BERGSON implica numa continuidade do tempo e numa duração (“durée”). Ou, como dizem os filósofos existencialistas, implica numa “intencionalidade, significativa”... O movimento humano é para o futuro, evolutivo; nunca retroagimos. Nossas vivências passadas são sempre modificadas pelo nosso psiquismo presente e pelas nossas perspectivas futuras... Quando me lembro de uma vivência ocorrida na minha infância, estando com 61 anos, tal vivência não é hoje, rigorosamente, igual àquela que tive na infância. O que mudou? O meu passado? Não, eu mudei e, portanto, mudou a minha vivência.
Além disso, a lembrança ATUAL de um acontecimento será vivenciado diferentemente pelas pessoas, o que levou, inclusive, o escritor italiano LUIGI PIRANDELLO a falar na “Verdade de cada um”... Aliás, a vivência atual pode ser modificada por uma série de “associações fortuitas” como bem assinalava o prof. NOBRE. Através dessas associações há “mudanças qualitativas” na duração (“durée”) e o passado é recuperado , de acordo com o “bergsonismo” (cf. sua obra “Matéria e Memória. Ensaio sobre a Relação entre o Corpo e o Espírito”). Assim, pode ser traçado um paralelo entre o bergsonismo e a música do compositor CLAUDE ACHILLE DEBUSSY e a obra do escritor MARCEL PROUST.
Obviamente, não cabe neste artigo uma análise pormenorizada da questão do TEMPO VIVIDO, do tempo como DURAÇÃO. A propósito disse SANTO AGOSTINHO, encarnado, nas suas Confissões em relação ao que seja o tempo:
“Si nemo me quaerat, scio; se quarenti explicare velim, nescio” (Se ninguém mo pergunta, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei.).cf. op. cit. Livro XI – item 14.
Ou seja, a questão do tempo implica um caráter eminentemente “intuitivo”. Ora, um filósofo, “encarnado”, afirma não poder explicar o que é o tempo, imagine-se definir o tempo vivido no mundo espiritual!...
A DURAÇÃO (“durée”) do ponto de vista “espiritual” é bem diferente da nossa e isso foi explicitado na resposta à questão 240 de O Livro dos Espíritos e KARDEC comentou a seguir:
“Os Espíritos vivem fora do tempo, tal como o compreendemos; a DURAÇÃO o destaque é nosso, para eles, praticamente não existe, e os séculos, tão longos para nós, são aos seus olhos apenas instantes que desaparecem na eternidade, da mesma maneira que as desigualdades do solo se apagam e desaparecem para aquele que se eleva no espaço”.
O “TEMPO VIVIDO” pode alterar-se em algumas doenças mentais (Esquizofrenias, depressão, etc.) e até em pessoas normais. Por exemplo, o cantor popular brasileiro ROBERTO CARLOS diz nos seus versos na canção “Amor sem limites”: “(...) Aprendi que pouco tempo é muito, se estou longe de seus braços.” . E nos pacientes com a denominada Síndrome de COTARD observa-se um “delírio de negação dos órgãos” (delírio niilista) e um “delírio de eternidade”, em conseqüência, o paciente sofre muito por julgar que nada existe e que aquela situação durará “eternamente”...
É exatamente pelo fato da “DURAÇÃO” ser diferente no mundo “espiritual”, que muitos espíritos desencarnados, ainda apegados à vida carnal, julgam-se no inferno, acreditando assim na “eternidade das penas”. Assim, KARDEC dá inúmeros exemplos dessa situação na 2ª. parte do seu livro “O Céu e o Inferno – A Justiça divina segundo o Espiritismo”. Ilustrando-se isto, sugiro ao leitor que leia o caso BENOIST (op. cit., 2ª parte, cap. VI, “Criminosos arrependidos”, especialmente as questões 3, 9 e 11); e que leia também o caso “Duplo suicídio, por amor e por dever” (op. cit., 2ª parte, Cap. V, “Suicidas”, especialmente a resposta à questão 4, atentando-se para o clamor da que foi a jovem PALMYRE: “sempre assim!”).

EPÍLOGO

Acreditamos que nossas vivências sejam “impressas” em nosso cérebro e aquelas mais importantes espiritualmente (intelectuais e morais) são levadas ao Espírito, através do perispírito. Mas, tais vivências não ficam ali “arquivadas”, o Espírito as modifica de acordo com o seu “livre – arbítrio”.
Admitir-se o perispírito como “arquivista temporário” ou como “biblioteca do espírito” é admitir-se a “memória orgânica”, pura e simplesmente, e, portanto, cair num “fatalismo materialista mecanicista”, ao qual muitos expositores que se dizem “espíritas” e defensores do “Evangelho de JESUS” são conduzidos, alguns até bem-intencionados...
Caro leitor, estou terminando este artigo... Precisarei utilizar o comando “Salvar como” do meu computador para que ele fique arquivado. Toda vez que clicarmos no título “O PERISPÍRITO, A MEMÓRIA E O TEMPO”, aparecerá na tela todo o meu artigo, porque ele ficará na “memória” do meu computador...
Embora as minhas vivências significativas também fiquem “arquivadas” no meu Espírito, o comando “Salvar como” é sempre “Salvar automaticamente” e eu terei acesso a elas clicando não o título, mas sim a “tecla” VONTADE, aqui ou na erraticidade; contudo, nem todo o “texto” estará disponível para ser revivenciado na minha consciência, como numa “ecmnesia” (revivescência do passado individual), pois a “Providência Divina” interdita pensamentos, emoções, sentimentos, etc. que sejam inúteis para o nosso progresso espiritual.
Gostaríamos de dizer que as vivências do Espírito desses pacientes são “qualitativamente” diferentes das dos seus familiares, pois o Espírito deles estão parcialmente EMANCIPADOS do corpo, ao passo que os familiares e nós, encarnados, vivemos as nossas experiências na “prisão” da carne... O “Mal de ALZHEIMER” aniquila a vivência do tempo para o corpo, porque este não “obedece” ao comando do Espírito.

Autor: Iso Jorge Teixeira

Aconteceu na Tam? Seria verídico esse caso?!


Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe econômica e viu que estava ao lado de um passageiro negro. Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo.
- 'Qual o problema, senhora?', pergunta a comissária..
- 'Não está vendo?' - respondeu a senhora - 'vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Você precisa me
dar outra cadeira'
- 'Por favor, acalme-se' - disse a aeromoça - infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível’.
A comissária se afasta e volta alguns minutos depois.
- 'Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe
econômica. Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar na classe econômica. Temos apenas um lugar na primeira classe'.
E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua: -'Veja, é incomum que a nossa companhia permita à um passageiro da classe econômica se assentar na primeira classe.Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável’.
E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:
- 'Portanto senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe...'
E todos os passageiros próximos, que, estupefatos assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé."

Gostou? Compartilhe! E diga não ao preconceito!

Texto que circula há anos pela web conta a história de uma passageira que se recusou a se sentar ao lado de um negro em um vôo da companhia aérea TAM termina com final feliz.

Em 2009, uma mensagem interessante começou a viajar pelas nossas caixas de entrada. Segundo o texto, uma passageira de 50 anos embarca numa aeronave da TAM e, ao chegar em seu lugar, ela se recusa a se sentar ao lado de um passageiro negro na classe econômica.

De acordo com o e-mail, a comissária resolveu o problema da passageira depois de conversar com o comandante. Depois de um tempinho, a comissária teria dito para a senhora:

“Veja, é incomum que a nossa companhia permita a um passageiro da classe econômica se sentar na primeira classe. Porém, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável.”

TAM Airbus

Uma das versões do texto afirma que o racismo teria acontecido em um vôo da TAM

E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária diz:

“Portanto, senhor, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe!”

O texto, no final, conta que todos ao redor aplaudiram a atitude da comissária e, como toda boa corrente, pede para que repassemos a história aos amigos.

A mensagem é muito interessante e em muitos casos acabamos por acreditar nesse tipo de texto como sendo reais sem nem ao menos nos darmos o trabalho de checar antes de repassá-lo adiante.

Sem dúvida, é uma história bem bonita para ser contada em uma roda de amigos.

Uma parábola com final feliz para todos aqueles que lutam contra o racismo. Mas a história não aconteceu de verdade.

Isso mesmo! A história é falsa.

A empresa de aviação citada, a TAM, não confirma a história.

Entramos em contato – via e-mail – com a TAM questionando sobre a veracidade do texto.

A resposta foi:

FALE-37510367

São Paulo, maio de 2011

Prezado Sr. Gilmar,

Recebemos seu e-mail enviado ao serviço Fale com o Presidente e agradecemos sua atenção em entrar em contato conosco.

Soubemos de suas observações com relação ao fato mencionado, porém gostaríamos de esclarecer que a TAM não possui nenhum registro do ocorrido.

Queremos que saiba que permanecemos, como sempre, à disposição para conhecer suas opiniões.

Atenciosamente,

Equipe Fale com o Presidente

TAM Linhas Aéreas S/A

rbl/dm Av. Jurandir,856 – Lote 4 – 6° andar – Hangar VII – Jd Ceci – 04072-000

Sao Paulo/SP – Brasil

Tel. 0800 123 200 – Fax 0800 123 900 – www.tam.com.br

Como era de se esperar, a notícia também não saiu em nenhum jornal ou site.

Em qual vôo que isso aconteceu?

Pesquisando um pouco mais, descobri que essa história é uma variação de outra mais antiga só que o caso teria acontecido com outra empresa, a British Airways em um vôo entre Johanesburgo e Londres.

Nesse fórum, em inglês, um membro postou a história, que teria acontecido na British Airways, mas também foi desmentido pelo SAC da empresa.

Essa variante foi traduzida de uma piada em inglês e em algum momento foi mudando até chegar nessa versão usando o nome da TAM.

http://www.e-farsas.com/preconceito-em-um-voo-da-tam-termina-com-final-feliz.html

terça-feira, 17 de abril de 2012

Objeto Voador Não Identificado (Raquel de Queiroz)


Objeto Voador Não Identificado

HOJE não vou fazer uma crônica como as de todo dia; hoje, quero apenas dar um depoimento. Deixem-me afirmar, de saída, que nestas linhas abaixo não digo uma letra que não seja estritamente a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade, como um depoimento em Juízo, sob juramento.

Escrevo do sertão, onde vim passar férias. E o fato que vou contar aconteceu ontem, dia 13 de maio de 1960, na minha fazenda “Não me Deixes”, Distrito de Daniel de Queiroz, município de Quixadá, Ceará.

Seriam seis e meia da tarde; aqui o crepúsculo é cedo e rápido, e já escurecera de todo. A Lua iria nascer bem mais tarde e o céu estava cheio de estrêlas.

Minha tia Arcelina viera da sua fazenda Guanabara fazer-me uma visita, e nós conversávamos as duas na sala de jantar, quando um grito de meu marido nos chamou ao alpendre, onde êle estava com alguns homens da fazenda. Todos olhavam o céu.

Em direção norte, quase noroeste, a umas duas braças acima da linha do horizonte, uma luz brilhava como uma estrêla grande, talvez um pouco menos clara do que Vésper, e a sua luz era alaranjada. Era essa luz cercada por uma espécie de halo luminoso e nevoento, como uma nuvem transparente iluminada, de forma circular, do tamanho daquela “lagoa” que ás vêzes cerca a Lua.

E aquela luz com o seu halo se deslocava horizontalmente, em sentido do leste, ora em incrível velocidade, ora mais devagar. Às vêzes mesmo se detinha; também o seu clarão variava, ora forte e alongado como essas estrêlas de Natal das gravuras, ora quase sumia, ficando reduzido apenas à grande bola fôsca, nevoenta. E essas variações de tamanho e intensidade luminosa se sucediam de acôrdo com os movimentos do objeto na sua caprichosa aproximação. Mas nunca deixou a horizontal. Dêsse modo andou êle pelo céu durante uns dez minutos ou mais. Tinha percorrido um bom quarto do círculo total do horizonte, sempre na direção do nascente; e já estava francamente a nordeste, quando embicou para a frente, para o norte, e bruscamente sumiu, - assim como quem apaga um comutador elétrico.

Esperamos um pouco para ver se voltava. Não voltou. Corremos, então, ao relógio: eram seis e três quartos, ou seja, 18.45.

* * *

Pelo menos umas vinte pessoas estavam conosco, no terreiro da fazenda, e tôdas viram o que nós vimos. Trabalhadores que chegaram para o serviço, hoje pela manhã, e que moram a alguns quilômetros de distância, nos vêm contar a mesma coisa.

Afirmam alguns dêles que já viram êsse mesmo corpo luminoso a brilhar no céu, outras vêzes, - nos falam em quatro vêzes. Dizem que nessas aparições a luz se aproximou muito mais, ficando muito maior. Dizem, também, que essa luz aparece em janeiro e em maio - talvez porque nesses meses estão mais atentos ao céu, esperando as chuvas de comêço e de fim de inverno.

* * *

Que coisa seria essa que ontem andava pelo céu, com a sua luz e o seu halo? Acho que, para a definir, o melhor é recorrer à expressão já cautelosamente oficializada: objeto voador não identificado. Mas, não afirmo. Porém, isso êle era. Não era uma estrêla cadente, não era avião, não, de maneira, nenhuma coisa da Natureza - com aquela deliberação no vôo, com aquêles caprichos de parada e corrida, com aquêle jeito de ficar peneirando no céu, como uma ave. Não, dentro daquilo, animando aquilo, havia uma coisa viva, consciente.

E não fazia ruído nenhum.

* * *

Poderia recolher os testemunhos dos vizinhos que estão acorrendo a contar o que assistiram: o mesmo que nós vimos aqui em casa. A bola enevoada feito uma lua, e no meio dela uma luz forte, uma espécie de núcleo, que aumentava e diminuía, correndo sempre na horizontal, e do poente para o nascente.

Muita gente está assombrada. Um parente meu conta que precisou acalmar enèrgicamente as mulheres que aos gritos de “Meu Jesus, misericórdia!” caíam de joelhos no chão, chorando. Sim, em redor de muitas léguas daqui creio que se podem colhêr muitíssimos testemunhos. Centenas, talvez.

Mas faço questão de não afirmar nada por ouvir dizer. Dou apenas o meu testemunho. Não é imaginação, não é nervoso, não são coisas do chamado “temperamento artístico”. Sou uma mulher calma, céptica, com lamentável tendência para o materialismo e o lado positivo das coisas. Sempre me queixo da minha falta de imaginação. Ah, tivesse eu imaginação, poderia talvez ser realmente uma romancista. Mas o caso de ontem não tem nada comigo, nem com o meu temperamento, com minhas crenças e descrenças. Isso de ontem EU VI.


O Cruzeiro on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva