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quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Visão Espírita e Fenômenos Ufológicos

 

Gilberto Schoereder

Já é sabido de muita gente que pesquisadores espíritas e ufólogos apresentam muitos interesses em comum, ainda que nem sempre eles sejam colocados claramente. Apesar disto, o tema ufologia ainda encontra alguma resistência no meio espírita e, para sabermos mais sobre o assunto, conversamos com o médium, escritor e pesquisador Pedro de Campos.

Pedro de Campos, que se diz particularmente interessado no tema da evolução humana, conheceu o Espiritismo aos 13 anos, desenvolvendo sua mediunidade. Tornou-se um dos importantes pesquisadores do Espiritismo científico e de Ufologia da atualidade, psicografando três livros sobre o tema: Colônia Capella – A Outra Face de Adão (EspíritoYehoshua Bem Nun), Universo Profundo – Seres Inteligentes e Luzes no Céu (Espírito Erasto) e UFO – Fenômeno de Contato (Espírito Yehoshua Bem Nun).

 (separamos as perguntas em negrito, e as respostas em texto normal)

Você entende que devia haver uma aproximação maior entre o Espiritismo e a Ufologia, no sentido de se estudar melhor e com mais profundidade os eventos e fenômenos que ocorrem em cada um deles?

Do meu ponto de vista, acredito que a primeira coisa que se deva procurar é um entendimento mais amplo do que seja a pluralidade dos mundos habitados de que fala a Doutrina Espírita, com todas as suas variações, sem preconceito algum. E isso é algo que nós, espíritas, devemos fazer.

Do ponto de vista científico, podemos dizer que no universo há bilhões de planetas; uma infinidade deles pode ter condições semelhantes às nossas. A vida neles pode ter surgido e evolucionado até o patamar inteligente, com realizações técnicas tão avançadas que talvez sejam difíceis até de imaginar.
Contudo, do ponto de vista físico, por ter evolucionado num mundo semelhante ao nosso, o ser extraterrestre, por mais adiantado que seja, ainda seria uma criatura de corpo sólido, denso como o nosso, para não dizer de carne e osso.

Mas além dele, a Doutrina Espírita fala também de um ser menos material que habita os planetas do sistema solar, vivendo ali num regime de encarnação e desencarnação, por assim dizer. E a nossa ciência diz que não há vida de carne e osso neles, nem tampouco detectou seres alados volitando de um lado para o outro do orbe. Então, essa criatura menos material de que fala o Espiritismo deve ter um corpo muito diferente do nosso, postado em outra dimensão do espaço-tempo. E deve ter evolucionado de uma maneira que nos seria totalmente desconhecida. Para considerar a existência dessa criatura, com características assim tão impalpáveis, precisamos dar a ela um outro nome, para não misturar as coisas. O espírito Erasto chamou de ultraterrestre essa criatura e registrou isso no livro
Universo Profundo.

Os Espíritos da Codificação falaram desse tipo de vida. E quando ela for entendida de modo filosófico, então vamos aceitar que os seres ultraterrestres vivem em esferas sutis, evolucionando num regime de pluralidade de existências. E por estarem vivos, a reprodução da espécie deve ser coisa normal, para que haja continuidade da vida. Normal também seria o estudo e o desenvolvimento da tecnologia, a qual poderia já ter atingido um patamar bem avançado. Se considerarmos isso, então vamos ver que os objetos voadores não identificados, os ÓVNIs, poderiam ser a expressão técnica dessas civilizações mais adiantadas, vibrando numa faixa totalmente desconhecida da nossa ciência.

O conceito filosófico do Espiritismo e suas práticas experimentais podem dar uma nova base de sustentação para entendimento dos fenômenos ufológicos. E a investigação científica desse tipo de vida poderia aproximar Espiritismo e Ufologia.


Como poderia ocorrer essa aproximação?

Primeiro teria de haver a leitura das obras de Kardec e a dos bons livros de Ufologia. Em termos de investigação prática, quem leu o livro Uni
verso Profundo viu que o nosso querido Erasto deu uma visão espírita mais ampla dos fenômenos. E, no final do livro, o autor espiritual deixou um Projeto Contato, com o qual o tema poderia ser articulado de modo científico, pois os tempos atuais exigem novas abordagens, com técnicas refinadas de pesquisa. A Ufologia não é uma atividade para ser feita num recinto fechado, como no do Centro Espírita. Os fenômenos acontecem lá fora, no aconchego da natureza terrestre. Por isso é preciso ir a campo e investigar com metodologia apropriada.


Seu livro Universo Profundo: Seres Inteligêntes e Luzes no Céu é apresentado como “uma visão espírita da ufologia”. Trata-se de um tema delicado no meio espírita, uma vez que muitas pessoas não gostam de tocar em questões ligadas a OVNIs e extraterrestres. Como você vê essa questão? Foi difícil para você chegar até essa abordagem?

Por que será que o assunto é delicado? Por que será que as pessoas não gostam de tocar essa questão? Há de se ter motivos para isso. Comigo acontecia o mesmo. Para falar do assunto com a devida propriedade eu me ressentia da falta de um livro-suporte que me desse os fundamentos doutrinários.

Lembro-me de certa ocasião em que Jether Jacomini, em seu programa de rádio, na Rede Boa Nova, perguntou-me nos bastidores se eu poderia falar sobre abdução, um tema intrigante que não poderia mais ser adiado. Foi nesta ocasião, dentro das Casas André Luiz, que senti a disposição da espiritualidade em resolver isso. A resposta veio de Erasto, posteriormente. Então, a questão toda ficou fácil de entender, mas ainda assim difícil de aceitar. Somente um estudo acurado e reflexivo da obra Universo Profundo, procurando os fundamentos na Doutrina Espírita, é que poderá resolver isso.

Se o encarnado não estiver preparado para entender a questão ufológica agora, isso se deve a ele próprio; a espiritualidade já se manifestou abertamente, não há mais razão para insegurança ao tratar o tema. O certo é que o público vai querer saber, e o divulgador espírita precisará explicá-lo. Para isso, é preciso encarar a situação, estudar o tema e formar opinião para divulgá-lo com segurança.


Quais você considera que são as mais importantes e evidentes conexões entre a Ufologia e o Espiritismo? Existem fenômenos comuns a ambos?

A maior de todas as conexões é que ambos os fenômenos, espírita e ufológico, procedem de um mundo invisível e têm como protagonistas seres inteligentes. Assim, casos como os de aparição, de materialização, de transporte, levitação, de telepatia e ainda de outros, são comuns a ambos. Mas o mais intrigante, para nós espíritas, é que em meio aos fenômenos comuns existem aqueles destoantes, ocorrências novas, não tratadas na época da codificação, tais como discos voadores, os contatos imediatos com seres humanóides, os eventos surpreendentes de abdução e os insólitos implantes e experiências alienígenas. Isso tudo, Erasto comenta e nos esclarece, mostrando as conexões, as diferenças e os porquês, sempre se posicionando fundamentado na Doutrina Espírita, desenvolvendo os temas com explicações racionais, capazes de aclarar os pontos obscuros.


Mensagens e comunicações

No que se refere ao contato entre os ultraterrestres e nós, é preciso destacar também as possíveis e prováveis diferenças entre as mensagens recebidas dos seres de outros mundos e aquelas recebidas dos Espíritos. Em seus livros, Pedro de campos também se referiu ao assunto, e nos esclareceu seus pontos de vista.


Você fez uma distinção entre as canalizações de mensagens dos ultraterrestres e as mensagens dos Espíritos. Quais seriam e de que forma seria possível detectar essas diferenças?

Quem ler o livro
UFO: Fenômeno de Contato, vai conhecer muita coisa nova. A canalização é tema abordado em capítulo específico. Numa curta definição, podemos dizer que “canalizar é recepcionar e interagir com um pensamento inteligente de natureza extrafísica”. Isso quer dizer que tanto o Espírito pode ser canalizado quanto o ser ultraterrestre. As diferenças entre as duas entidades são muitas. Elas também são tratadas no recente livro.

O conteúdo e o modo de transmissão das mensagens são algo diferente. Uma comunicação cujo conteúdo esteja recheada de termos expressivos, mas com muita fabulação sobre as energias e planos existenciais, denotando no fundo não sair do terra-a-terra, por lógica não poderia vir de uma entidade evoluída de outra esfera. Nesse caso, o mais provável é que seja um embuste espiritual. Nesse caso, o dirigente, amparado por seus guias, deve encaminhar o embusteiro à sessão apropriada, para doutrinação e afastamento. Espíritos podem fazer aparições e executar outras atividades, mas não usam naves espaciais estruturadas para se comunicar.

Os ultraterrestres não incorporam, mas se comunicam por telepatia. Tampouco o fazem por psicografia. Os que assim precedem estão na erraticidade, são Espíritos desencarnados, seja de que orbe for do infinito. Se um Espírito de outro orbe incorporasse o médium, ele teria de usar o aparato físico mediúnico para se comunicar. Para falar, teria de dominar a escrita. Como não sabe o idioma e tampouco nossa escrita, não poderia fazê-lo. Mas tanto um Espírito de outro orbe quanto um ser ultraterrestre, comunicando-se por telepatia, poderia passar a imagem mental ao médium, e esta não precisaria de idioma algum para ser entendido. Nessa condição, o médium interpretaria a mensagem segundo sua própria cultura, conforme sua intuição, seu sentimento e sua clarividência. Contudo, para fazer isso é preciso que o sensitivo tenha vários dotes mediúnicos bem desenvolvidos, além da ajuda de seu guia espiritual, para validar a mensagem. Caso a entidade denote característica ultraterrestre na comunicação, então a prova só pode ser aceita com a demonstração da nave nos céus, de modo que ela fique bem nítida para todos.

Diferente do Espiritismo, a Ufologia é estudo do objeto voador não identificado, o chamado OVNI ou UFO. Por isso, o que identifica sem equívoco o alienígena é a sua nave. Enquanto a criatura não materializar a nave e disser por si próprio a que veio, qualquer outra comunicação canalizada poderia ser considerada como vinda de Espírito errante. Sem a nave, não há fenômeno ufo. E sem ufo, não há certeza da criatura ser alienígena.


Você se referiu ao fato dos ultraterrestres poderem se comunicar por telepatia, mas que isso raramente ocorre nas Casas Espíritas. Não seria de se esperar que os médiuns tivessem mais possibilidade de receber essas mensagens telepáticas ou canalizações?
 
Os médiuns espíritas podem captar perfeitamente mensagens de ultraterrestres. Mas é preciso entender primeiro o porquê disso ser raro nos Centros Espíritas. É muito importante lembrar que a prova definitiva de uma canalização só pode ser dada com a aparição da nave em campo aberto. Caso contrário, a comunicação ficaria duvidosa para todos. Dentro de um ambiente fechado, não haveria como fazer isso, não daria para ver a nave nos céus. E dentro das cidades, isso seria uma atividade inviável, haveria pânico. Além disso, trata-se de fenômeno físico, para o qual há riscos. Uma pessoa não preparada poderia não suportar o choque emocional. Primeiro é preciso a permissão do plano espiritual maior para realização de qualquer atividade espírita conjugada à Ufologia.


Por se encontrarem em dimensões “mais sutis”, o contato entre ultraterrestres e Espíritos não seria mais fácil e simples de acontecer do que destes conosco, especialmente quando falamos dos ultraterrestres moralmente evoluídos?

Apenas por uma questão de lógica, seres evoluídos deveriam ter mais facilidade de comunicação entre si do que nós com eles; a nossa dificuldade para isso é grande. Mas no que respeita à comunicação entre Espíritos e seres ultraterestres, não me parece possível estabelecer uma regra geral e com isso dizer que seja mais fácil ou mais difícil o contato.

Entre os Espíritos há vários graus de refinamento. E cada qual estagia numa estratificação diferenciada do outro. O de peso específico maior não consegue subir a paragens mais rarefeitas. O peixe não respira fora da água, mas o homem submerso tem artifícios para fazê-lo. O Espírito mais evoluído pode descer a camadas de vibração inferior, enquanto que o de lá não conseguiria subir. Assim se compreende que numa certa dimensão espiritual há várias estratificações, como se fossem planos de uma extensa escada. Essa concepção ascendente é válida para todos os Espíritos ainda em estágio de depuração, seja de que orbe for do infinito.

No livro
Universo Profundo, o autor espiritual nos ensina que “uma outra dimensão é um outro mundo”. Para se ir a outra dimensão há de se ter condições para fazer isso, quer seja uma entidade, quer seja outra. A seu turno, cada classe de ultraterrestre estagia numa dimensão específica. As classes mais altas podem descer para níveis mais baixos. Mas isso não significa que essa movimentação dos ultraterrestres se faça na esfera dos Espíritos da Terra; a dimensão é outra. Um está encarnado, por assim dizer, e o outro, desencarnado. Quando a movimentação alienígena se faz no ambiente terrestre, acontecem os fenômenos luminosos, os fantásticos objetos voadores não identificados que vemos nos céus. É fácil o entendimento, mas a aceitação disso pelos encarnados pode ser muito difícil.


Os Ultraterrestres

Para explicar o que são exatamente os ultraterrestes e qual a diferença entre esses seres e os Espíritos aos quais se refere o Espiritismo, Pedro de Campos começa dizendo que primeiro é preciso entender o que é extraterrestre.

“Este seria uma criatura de fora do planeta Terra”, ele diz, “mas um ser de corpo sólido como o nosso, sem necessidade de ser igual na aparência e na constituição orgânica. Mas ainda assim uma criatura de natureza física material”.

“O ultraterrestre seria uma criatura também de fora do planeta Terra, mas um ser de corpo incomum, de corpo menos material que o nosso, como denomina o Espiritismo. Uma criatura de natureza extrafísica, invisível para nós, assim como o são os espíritos. Essa criatura seria habitante das esferas sutis de outros planetas do nosso sistema solar, como também das profundezas etéreas do universo. Seria um ser vivente de outra dimensão do espaço-tempo, cujo corpo constituído de antimatéria cresce, se reproduz, envelhece e morre. Como exemplo, citamos as criaturas encarnadas mencionadas por Kardec na nota de rodapé da pergunta 188 de
O Livro dos Espíritos”. (1)

“Os espíritos, por sua vez, são inteligências errantes, ou seja, seres que não estão revestidos de forma corpórea alguma, senão a forma perispiritual. Salvo os espíritos puros, que não precisam mais reencarnar, todos os demais, para evoluir, devem voltar a uma forma corpórea. Essa forma corpórea pode ser de matéria sólida, como a dos homens e a dos seres extraterrestres descritos, ou pode ser de antimatéria, a qual é sutil, etérea, como a dos seres ultraterrestres mencionados. O espírito quando desencarnado aguarda seu retorno à vida corpórea nas colônias espirituais, onde ali vive sem que haja procriação, porque espíritos não se reproduzem, são obras do Criador. No Apêndice do livro
Universo Profundo há um quadro sintético que mostra objetivamente as diferenças entre espírito e o ser ultraterrestre”.


1- Livro dos Espíritos – Questão 188


188. Os Espíritos puros habitam mundos especiais, ou se encontram o espaço universal, sem estarem ligados de modo particular a nenhum mundo?
“Habitam mundos determinados, mas não lhes ficam presos, como o homem à Terra; melhor que os outros, podem ir a toda parte.”(1)

 

1) Nota de Kardec:

De todos os globos que constituem o nosso sistema planetário, segundo os Espíritos, a Terra é daqueles cujos habitantes são menos adiantados, física e moralmente; Marte lhe seria ainda inferior, e Júpiter, muito superior, em todos os sentidos. O Sol não seria um mundo habitado por seres corpóreos, mas um lugar de encontro de Espíritos superiores, que de lá irradiam seu pensamento para outros mundos, que dirigem por intermédio de Espíritos menos elevados, com os quais se comunicam por meio do fluído universal. Como constituição física, o Sol teria um foco de eletricidade. Todos os sóis, ao que parece, estariam nas mesmas condições.

O volume e o afastamento do Sol não têm nenhuma relação necessária com o grau de desenvolvimento dos mundos, pois parece que Vênus está mais adiantado que a Terra e Saturno menos que Júpiter.

Muitos Espíritos que animaram pessoas conhecidas na Terra disseram estar reencarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição e é de se admirar que num globo tão adiantado se encontrem homens que a opinião terrena não considerava tão elevados. Isto, porém, nada tem de surpreendente, se considerarmos que certos Espíritos, que habitam aquele planeta, podiam ter sido enviados à Terra em cumprimento de uma missão que, aos nossos olhos, não os colocaria em primeiro plano; em segundo lugar, entre a sua existência terrena e a de Júpiter podiam ter tido outras, intermediárias, nas quais se tivessem melhorado; em terceiro lugar, naquele mundo como no nosso, há diferentes graus de desenvolvimento, e entre esses graus pode haver a distância que separa entre nós o selvagem do homem civilizado. Assim, do fato de habitarem Júpiter, não se segue que estejam no nível dos seres mais evoluídos, da mesma maneira que uma pessoa não está no nível de um sábio do Instituto, pela simples razão de morar em Paris.

As condições de longevidade não são, por toda parte, a mesmas da Terra, não sendo possível a comparação de idades. Uma pessoa falecida há alguns anos, quando evocada, disse haver encarnado, seis meses antes, num mundo cujo nome é desconhecido. Interpelada sobre a idade que tinha nesse mundo, respondeu: “Não posso calcular, porque não contamos o tempo como vós; além disso, o nosso meio de vida não é o mesmo; desenvolvemo-nos muito mais rapidamente; tanto assim, que há apenas seis dos vossos meses nele me encontro, e posso dizer que, quanto à inteligência, tenho trinta anos de idade terrena”.

Muitas respostas semelhantes foram dadas por outros Espíritos e nada há nisso de inverossímil. Não vemos na Terra tantos animais adquirirem em poucos meses um desenvolvimento normal? Por que não poderia dar-se o mesmo com o homem, em outras esferas? Notemos, por outro lado, que de trinta anos, talvez não seja mais que uma espécie de infância, comparada ao que ele deve atingir. É preciso ter uma visão bem curta para nos considerarmos os protótipos da Criação, e seria rebaixar a Divindade acreditar que, além de nós, ela nada mais poderia criar.


Os ÓVNIS na Visão Espírita

Pedro de Campos lembra que Kardec não falou de objetos voadores que aparecem nos céus e se materializam, porque isso só ganhou destaque na sociedade humana depois da Codificação, iniciada em 1857.

Contudo, Kardec registrou que seres inteligentes se manifestam na Terra, que todos os orbes do infinito são habitados e que os Espíritos estão ali encarnados numa forma corpórea. Registrou que nesses mundos menos materiais o Espírito encarna, revestido de um corpo também menos material. Assim, nesses mundos a criatura nasce, cresce, se reproduz, morre e reencarna. Kardec citou Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, os orbes radiantes e as profundezas etéreas do cosmos. A conclusão, diz Campos, é que, assim como o homem não foi colocado pronto na Terra – mas nela evolucionou por longos períodos e aqui desenvolveu tecnologia avançada, como aviões, foguetes, etc. – nos outros mundos do universo deve ter acontecido processo semelhante, seguindo a mesma lógica de raciocínio. Assim, ÓVNIS que aparecem na Terra, com a visão evolucionista que nos dá o Espiritismo, seriam resultado da evolução tecnológica daqueles seres inteligentes.

Fonte: Livro dos Espíritos – Questão 188 / Revista Espiritismo & Ciência – Vida em Outros Mundos 

https://www.espiritualidades.com.br/Artigos/S_autores/SCHOEREDER_Gilberto_tit_Visao_Espirita_e_Fenomenos_Ufologicos.htm


Ufologia sob a ótica Espírita

 

CHRISTINA NUNES
cfqsda@yahoo.com.br
Rio de Janeiro, RJ (Brasil)

Um respeitado autor de vários livros sobre este tema costuma usar os termos ser ultraterrestre ou ET de antimatéria. Gosto deles. São exatos para aferir base lógica a um sem-número de contatos e experiências neste terreno. Explico-me.

Não foi por uma nem duas vezes que houve a mesma coisa: entretida em palestra com alguém acerca do modo como visualizei OVNIs, via desprendimento do corpo físico, sobre vida intradimensões ou temas similares, me acontecia frequentemente, pouco tempo depois, avistar estes objetos nos céus, de abrupto, como se estivessem os seus tripulantes atentos ao que eu dizia ou pensava, e interessados nalgum tipo de exibição proposital e a propósito do assunto discorrido, assim como numa confirmação inopinada e extemporânea. E há pouco tempo, na minha varanda, altas horas da noite, durante uma conversa com meu filho, exatamente sobre a mesma coisa, tornou a acontecer.

Contava para ele sobre o início da minha trajetória no envolvimento com os assuntos espíritas, quando tinha anos menos da idade dele hoje, dezoito anos; relembrava as primeiras leituras e, de entremeio, aludíamos à exuberância da vida no universo e nos planos invisíveis; e, daí, as probabilidades de que muitos dos visitantes extraterrenos, provenientes de dimensões mais ricas e avançadas em recursos tanto quanto em evolução espiritual, nos surgissem, volta e meia, via materialização dos tais veículos não identificados nos céus.

Neste exato ponto da agradável conversa - e no silêncio de uma noite estrelada, embora iluminada pelo suave clarão do luar pleno - nos surge, para nosso pasmo, de inopino, mais um destes objetos, num trecho de céu bem acima da nossa rua. Alto. Absolutamente visível; alaranjado, como logo meu filho observou; circular; surgiu do nada, sem mais nem menos, descrevendo um trajeto que, tanto era lento demais para sugerir qualquer queda de asteroide, quanto rápido demais para admitirmos satélites ou outro veículo aéreo conhecido. Até porque via-se a luz meio desfocada, única, sem outras quaisquer piscando, como no caso de aviões e helicópteros, contida em uniforme desenho circular. Descreveu um trajeto visível e direcionado, oscilante, mais ou menos em linha reta; declinou ligeiro movimento em ziguezague e bandeou-se levemente para a esquerda, em curva suave, desaparecendo depois.

Custamos a abandonar o nosso estupor. Gastamos mais um tempo incontável com os olhos presos no escuro estrelado da abóbada celeste, na esperança de mais algum avistamento. Mas, com o avanço do horário, afinal nos recolhemos, por volta de uma hora da manhã - apenas para que me ocorresse, via desprendimento físico, como num outro tanto incontável de vezes, a continuidade da experiência - muito mais nítida, rica, onde mantive contatos visuais com uma série de luzes e objetos outros, do mesmo lugar da varanda onde estivera enquanto em vigília, inclusive com um realismo impressionante na identificação de detalhes e de impressões que descartava, de imediato, qualquer consideração em torno de sonhos comuns. Um me apareceu, inclusive, também alaranjado, gigantesco, mas sem contornos que o definissem como um objeto material, como o conhecemos propriamente, como se uma luz laranja difusa se visse claramente delimitada apenas pela própria forma um tanto fosca e elíptica deste objeto que se erguia, impressionante, de detrás dos prédios circunvizinhos.

Curioso é que, tempos atrás, um amigo me encaminhou um texto por e-mail, relatando coisas controvertidas acerca da crise dos controladores de voo. Houve rumores na internet, notícias girando em torno de um pandemônio nas torres de controle de todo o território brasileiro, já de longa data, por causa da incapacidade de se captar com precisão nos radares - somando-se isso, certamente, aos problemas em baila em torno de toda esta confusão - o que é ou não é avião ou espaçonave extraterrestre, tendo em vista que vinham aparecendo em grande número nos céus de todo o espaço aéreo nacional.

Lendo aquilo, fiquei imaginando se não poderia ter sido algo assim o problema ligado à mencionada falha no controle do voo da Gol. Mas isto é especulação. E, ainda que houvesse qualquer vestígio de veracidade, as autoridades não permitiriam a divulgação, assim como habitualmente agem, guardando em sigilo de Estado todo assunto relacionado ao tema UFO. Fato é que, recebendo há pouco tempo este e-mail, e me vendo ultimamente entretida com a produção de mais um livro, andava distanciada dos temas relacionados aos UFOs; e assim respondi a este amigo, um tanto displicente, que nutria dúvidas sobre o que havia lido, já que, habituada a viver olhando o céu à cata mesmo dos nossos visitantes, ultimamente, todavia, não vinha vendo nem mosquito...

Depois, todavia, lhe escrevi outro e-mail, no qual dizia: "Retiro o que disse. Acabei de ver mais um. Eles me deram um "cala boca"!"

Não nutro mais dúvidas, portanto, com base nestas inúmeras experiências repetidas, sobre o que já foi considerado nos artigos anteriores desta série:

- Os OVNIs (UFOs) - boa parte deles - nos surgem em caráter intradimensional, fazendo-se materializar à nossa percepção visual quando bem entendem (pois comprovadamente lidam com antimatéria), ou quando as condições o permitem, e com o propósito específico de serem vistos por algumas pessoas, enquanto que por outras não.

- Certamente nos entendem e acompanham os nossos diálogos e trabalhos associados ao tema via telepatia, respondendo-nos, ou interferindo nestas conversas prontamente, quando querem, e com intenção bem definida.

- A vertente do estudo da Ufologia atrelada aos conceitos espíritas está correta ao mencionar, como aludido acima, o ser ultraterrestre ou ET de antimatéria (vida num corpo menos material, em seres chamados dimensionais, vivendo em corpos de matéria mais rarefeita, mas ainda materiais).

Todas estas assertivas são baseadas em vivências que corroboram, neste momento evolutivo no orbe, o que Allan Kardec já nos sugeria na sua Codificação acerca da pluralidade dos mundos habitados (vide O Livro dos Espíritos, cap. III, item V).  

Resta-nos, então, em nos atendo a experiências que mais ainda aprimorem e esclareçam as nuances desta convicção, engajar-nos em estudo e em trabalho sérios e despojados de preconceitos (com ênfase ao movimento espírita e respectivos contextos dos seus ensinamentos), como já o faz um bom número de escritores e cientistas de vanguarda, empenhados para que um dia o assunto vida extraterrestre saia, definitivamente, do campo da especulação para o da certeza concludente. 

Talvez que então se inaugure uma era na qual - e sem perder de vista o devido merecimento de ordem evolutivo-espiritual - nos aconteça, enfim, a quebra da quarentena cósmica que nos cerceia o contato franco e a troca enriquecedora com os representantes de civilizações outras e mais avançadas do Universo em visita ao nosso planeta. 

FONTE:http://www.oconsolador.com.br/ano4/187/christina_nunes.html

QUEM SOMOS? DE ONDE VIEMOS? PARA ONDE VAMOS?


Por: Geraldo Mota Valintim

O filósofo francês René Descartes (pronunciado "decárte") escreveu em latim: Cogito, ergo sum: Reflitamos que o pensar assegura à mente o fato da própria existência psicológica. Em outras palavras, quando nos damos conta de que estamos pensando, podemos ter a certeza de que existimos.

Explicações metafóricas, nos dá maior poder de assimilação, persuasão e ampliação aos horizontes do conhecimento: Platão e o Mito da Caverna, Shakespeare e célebres frases“ser ou não ser, eis a questão”; "Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia."

A vida macro cósmica e micro cósmica são verdades absolutas até um novo cientista descobrir um equipamento de maior alcance ou a descoberta de novos planetas e galáxias ou ainda novas divisões atômicas.

O mundo vai acabar. Afirmação de muitos credos. O que é o mundo para você o que é mundo para mim? A maioria diria que a terra é o nosso mundo, mas a terra é um simples grão de areia, uma poeira cósmica pairando sobre o espaço sideral. Outros diriam que o mundo está dentro de cada um de nós e cada um cria o seu mundinho, outros ainda diriam que o mundo é o universo imensurável e infinito.

Se nos teletransportássemos a outras dimensões, planetas ou galáxias longínquas não saberíamos nem se a terra existiria no universo porque visualmente ela não existe. Há anos luz não teríamos nem tempo de concluir a viagem, porque não estaríamos vivos fisicamente ao retornar. O tempo é apenas uma convenção de acordo com o ponto de partida do qual nos encontramos. A nossa medida de tempo é limitada ao nosso planeta terra, ou seja, é um ponto de referência para medir o nosso tempo.

O Planeta terra está em ebulição: são as tecnologias avançadas mas ainda as guerras pairam sobre nós e a polarização global recai sobre a politização e os meios de comunicação. Nesse processo de transição ainda estamos atrasados com relação à nossa evolução moral e intelectual.

Os sinos já soaram e alertas já foram dados em encontros mundiais por apelos, para que salvemos o planeta do processo de devastação. O descongelamento das camadas glaciais torna-se frequente, mas os corações endurecidos e orgulhosos estão em defesa apenas do material. As potências mundiais não querem abrir espaço para novas negociações em que os mais ricos possam colaborar para redução de emissão de gases poluentes.

As
novas tecnologias, avançamos para um processo de vigilância em todos os níveis da sociedade. A globalização dos meios de comunicação aproxima gregos a baianos, abrindo um portal de esperança para que, apesar das diferenças religiosas étnicas e culturais, possamos nos aproximar de forma fraternal e pacífica, mundos tão equidistantes e desiguais. O espaço está aberto, ainda limitado é claro, mas com inúmeras possibilidades, a exemplo do que hoje podemos rapidamente nos comunicar com o mundo, criarmos nossos mecanismos e mesmo não sabendo uma nova língua, rapidamente consultamos um tradutor e expressamos nossa mensagem aos rincões do planeta.

Qual a nossa pretensão como seres humanos habitantes de um planeta que visivelmente falando é único no universo, se pensar limitado nosso raciocínio lógico?
Se ao
jogarmos um minúsculo papel ao solo, sem um mínimo de escrúpulos, porque todo mundo faz assim e eu serei o único que farei diferente, prefiro deixar tudo como está apesar de mais tarde verificar que a minha casa está inundada com a enchente por causa de milhões de papeizinhos que entupiram os esgotos, mas direi:” foram os outros, eu não fiz nada de errado”, eles poluem, eles sujam, eles picham e eu? Ah, eu não!

São muitas questões a se discutir e vários pontos a se examinar.
Somos simples mortais, materialmente falando, existem vários planetas em nosso sistema solar e muitas outras galáxias estão sendo descobertas, mas a maioria ainda acredita somente no que vê e é palpável, Recusam-se a admitir que exista vida inteligente em outros planetas e galáxias.

Voltemos ao passado: Muitos foram queimados vivos em fogueiras ou condenados à morte por não desistirem à quebra de paradigmas. Limitados à matéria, a maioria ainda admite que apenas haja vida em nosso planeta, porque estão limitados à visão terrena ou porque ainda não se provaram o contrário ou porque tentaram provar ao contrário, mas ainda não os convenceram.

Sobre a civilização egípcia, ainda hoje há muitas teorias sobre qual tecnologia fora aplicada para elevar as pirâmides, bem como sobre a inteligência desses povos que vieram apenas elevar os povos primitivos e desapareceram no tempo.

O que é verdade realmente para nós seres humanos? 

Na maioria das vezes, somos donos da verdade por achar-nos em condição de fazer julgamentos precipitados, diante do orgulho que nós mesmos não admitimos possuidores. Estamos limitados ao nosso estado evolutivo, digam-se de passagem, ainda primitivos em nossas conclusões, embora muitos queiram admitir que sejamos sábios e donos da verdade. A verdade está atrelada  à evolução de cada ser. Então, a verdade que eu defendo é apenas um ponto de vista momentâneo e que mais tarde eu poderei revogá-la ao ampliar os horizontes do conhecimento. 

Ao admitirmos que: As maravilhas do nosso planeta são apenas cópias mal elaboradas de outra dimensão bem mais evoluída e bela; que as músicas, as artes são apenas intuições e viagens atrais feitas por seres que já viveram em outras dimensões e que voltaram para lá, deixo um ponto de interrogação: Afinal, quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

sexta-feira, 26 de julho de 2024

ESPIRITIZAR, QUALIFICAR, HUMANIZAR!

 

Pode parecer um absurdo espiritizar o Centro Espírita e um tanto paradoxal. No entanto, há Centro Espírita que só tem o rótulo mas não tem espiritismo. Vamos por partes, porque é muito delicado.

Fui convidado a proferir uma conferência em um Centro Espírita no sul do país. Normalmente, quando recebo convite, não atendo, porque pode ser entusiasmo da pessoa. No segundo convite eu digo: “para o ano, volte a escrever.” Isso é para ver se a pessoa está mesmo interessada. Para o ano a pessoa volta a escrever e eu digo: “para o ano, na programação, nós vamos agendar.”

E, naquela Casa, fui postergando por um período de seis a oito anos, por falta de tempo, até que o presidente insistiu tanto que fiquei constrangido e dei um jeito.

Disse-lhe, na carta: “mande-me as datas que lhe são ideais e eu escolherei aquela compatível com minha programação.” Estabelecemos a data e por seis meses correspondemo-nos e tudo foi muito bem.

No dia marcado cheguei à cidade e fui a uma bela instituição. Edifício monumental. Uma grande sala. Quando cheguei à porta, fui recebido por uma comissão muito gentil e estabeleceu-se o seguinte diálogo:

— Senhor Divaldo, o Presidente pede desculpas por não ter podido vir receber o Senhor.

Eu disse: “é muito natural, não há problema.”

— Aqui está o Vice presidente, o Secretário, o Tesoureiro, e nós desejamos recebê-lo, porque o nosso Presidente está, no prédio vizinho, fazendo cromoterapia.

— “Eu não sabia que ele era cromoterapeuta,” falei. “Ele é profissional, naturalmente?”

— “Não! Ele é espírita”, responderam-me.

— Deixe-me ver: ele é o Presidente do Centro e é o presidente da cromoterapia? Ele me convidou para vir aqui durante oito anos. Marcou a data e foi fazer a cromoterapia!

— É porque a cromoterapia é muito importante. Está salvando milhares de vida.

— Que graça! Eu sempre pensei que o Espiritismo está salvando milhões de vidas.

Será esta a imagem de um Centro Espírita? Em absoluto.

O Centro Espírita não tem que se envolver com nenhuma terapia alternativa. É até um desrespeito, porque o cromoterapeuta é alguém que estudou. Ele tem sua clínica e o Centro Espírita não se pode transformar numa clínica alternativa. É lugar de transformação moral do indivíduo, onde se viaja ao cerne do problema para arrancá-lo. Se transformarmos um Centro Espírita em uma clínica, para lá vão pessoas aturdidas. Qualquer coisa esdrúxula que anunciemos no jornal haverá uma massa incontável que adere por necessidade de pedir socorro.

Mas o Espiritismo não ilude, não mente e nem posterga a ação, porque ele é herança de Jesus. E Jesus, com todo o amor, dizia a verdade. Seja o nosso falar: sim, sim, não, não, conforme Ele o fazia. Não iremos dizer de forma grotesca ou agressiva, mas iremos dizer de uma forma verdadeira. É melhor, às vezes, perder o amigo agora porque não conivimos e o termos depois, do que o apoiarmos e o perdermos em definitivo, quando ele notar a nossa fraude.

Então, Joanna de Ângelis manda ESPIRITIZAR.

Tenho ouvido oradores em casas Espíritas apresentarem temas maravilhosos, mas que não são nada espíritas. Temas que podem narrar no Rotary, na Maçonaria, no Lions, numa reunião social. Na Casa Espírita pode-se abordar qualquer tema, à luz do Espiritismo. Fazer as conotações espíritas.

Se aconteceu uma tragédia na cidade vamos examiná-la, à luz do Espiritismo. Está no momento da clonagem. Vamos falar sobre clonagem, à luz da Doutrina Espírita. Está nos noticiários a corrupção. Vamos falar sobre a corrupção e a terapia Espírita.

Infelizmente não está ocorrendo isso. Convida-se, às vezes, oradores admiráveis, fascinantes, porém, totalmente deslocados. Palestras que se pode ouvir em qualquer lugar.

Na Casa Espírita vão as pessoas atormentadas, buscando consolação, com a alma despedaçada pela morte de seres queridos e, se ouvem uma coisa que nada tem a ver com a proposta da Doutrina Espírita, saem desoladas. Agindo assim, estaremos fraudando a proposta do Espiritismo.

Temos visto congressos espíritas – não é crítica, é análise – em que se aborda Terapia pela dança. É uma maravilha. Mas não num congresso espírita. Vamos fazer isso num congresso de Yoga, que respeitamos muito, ou num congresso de psicoterapia e então coloquemos música, metais, cristais, mas não num congresso espírita.

Ah! É porque nossos irmãos estão doentes, justificam. Nesse caso, falemos das causas das doenças. Das causas anteriores das aflições. Das causas atuais das aflições.

A terapia da dança podemos encontrar em qualquer setor do mundo social, respeitável e nobre. Mas quando vamos à Casa Espírita, esperamos encontrar a proposta espírita.

O Centro Espírita tem que ser o lugar de Doutrina Espírita.

Daí o Centro Espírita tem que ser espiritizado. É a proposta de Joanna de Ângelis.

A segunda vertente de sua proposta é QUALIFICAR.

Vivemos hoje a época da qualidade total. Qualificação é indispensável. Nós, às vezes vamos à Casa Espírita com nossos hábitos ancestrais, o que é natural. Mas o fato de entrarmos na Casa Espírita não muda nossa existência. Levamos a nossa qualificação muitas vezes empírica, singela, e vamos exercer certas funções para as quais não estamos qualificados.

Vemos, por exemplo, um literato, que não entende absolutamente de contabilidade, sendo o tesoureiro do Centro. Vamos ver o indivíduo aplicando a terapia dos passes, mas que, de maneira nenhuma se preparou para isso. Vamos ver no atendimento fraterno uma pessoa que tem muito bom coração, mas não tem o menor tato psicológico.

Temos que qualificar-nos.

O que é qualificar?

É adquirir características essenciais, típicas das finalidades que vamos exercer na vida prática.

Se eu, por exemplo, quero dedicar-me ao atendimento fraterno, devo fazer um curso. Por isso, os Centros Espíritas devem estar vinculados ao chamado movimento organizado, porque as nossas Casas Federativas dispõem de equipes para nos esclarecer, para nos informar, para ministrar cursos.

Quando vemos, por exemplo, a Federação Espírita do Paraná (FEP), oferecer-nos o jornal Mundo Espírita por um preço irrisório, que muitos ainda não pagam, chegar às nossas mãos todo o mês, com pontualidade, trazendo-nos mensagens libertadoras de consciência, comovo-me com esse trabalho.

Se ligarmos o rádio, aí está um programa de orientação espírita, o Momento Espírita, já transmitido por uma cadeia de rádios em várias cidades do País. Seria interessante se cada um dos senhores, nas suas cidades, entrassem em contato com a FEP e, ao invés de fazer programa de rádio sem nenhuma habilidade, sem qualificação, colocassem o programa que é transmitido em Curitiba, que é de excelente qualidade, narrado por pessoa qualificada, desde a voz, uma voz agradável, muito bem empostada. É uma mensagem muito bem trabalhada, apresentando várias conotações para o enriquecimento das pessoas espíritas e não espíritas.

Muitas pessoas confundem qualificação com elitismo. E as pessoas dizem: “está elitizando!”.

Minha mãe era analfabeta e eu dialogava com ela. Qualificamo-la. Ela tornou-se uma excelente bordadeira, uma excelente cozinheira. Conheço tanta gente instruída que não sabe enfiar a linha na agulha e que não sabe pregar um botão.

Daí, meus amigos, qualificar não é elitizar, não é intelectualizar. É equipar de recursos para fazer bem aquilo que gostaria de fazer. Evitar o aventureirismo.

HUMANIZAR – Humanizar é fazer com que nós, de vez em quando, tornemos à nossa simplicidade, ao nosso bom humor, ao nosso lado humano. A vida nos impõe rotinas e, quando menos esperamos, estamos fazendo aquilo rotineiramente, sem emoção. Nós nos transformamos em máquinas.

Visitei uma instituição e uma senhora me disse assim: “Ah! Irmão Divaldo, não aguento mais. Estou cansada de fazer caridade. Eu não aguento mais, é tanto pobre. Eu disse: “minha filha, então deixe”. Ela: “O Senhor está me mandando deixar de fazer a caridade?” Eu disse: “Não, eu estou mandando você descansar, porque a caridade está lhe fazendo mal. Já imaginou a caridade fazer mal a quem a faz? Algo não está funcionando! Ou você está exibindo-se sem o sentido de caridade, me perdoe a franqueza, pois quero lhe ajudar, ou você está saturada. Faça uma pausa”.

Ela: “o que será dos pobres?” Eu: “Minha filha, eles são filhos de Deus. Antes de você chegar Deus já tomava conta. Você está só dando uma mãozinha para você, não para eles, porque, afinal, isso aqui nem é caridade, é paternalismo. Você está mantendo muita gente na miséria, que já podia estar libertada, porque você me disse que já atendeu a avó, a filha e agora está atendendo a neta.

Como é que você conseguiu manter na miséria três gerações? Que a avó e a filha fossem pobres necessitadas, é aceitável, mas a neta já teríamos que libertar da miséria de qualquer jeito. Colocando-a na escola, equipando-a, arranjando-lhe trabalho. Isso não é caridade. Está lá no Evangelho: “Transformai as vossas esmolas em salário”.

Então, repouse um pouco. É uma rotina. Você quer abarcar um número de pessoas que você não pode abraçar. Diminua. Faça com qualidade e procure fazer em profundidade. Faça o bem.

Nós não podemos salvar o mundo e perder a nossa alma. A tese é de Jesus Cristo: “Que vos adianta salvar o mundo e perder-se a si mesmo!” Nós não estamos aqui para salvar o mundo. Estamos aqui para salvar-nos e ajudar o mundo para que cada um nele se salve.

Então, humanizar é neste sentido. É esta proposta de voltarmos a ser gente. Não ficarmos nos considerando muito importantes. O Presidente do Centro, o dono do Centro, o super-médium, a pessoa mais formidável do século. Voltarmos às nossas origens. A simplicidade de coração, a afabilidade, a doçura (textos do Evangelho Segundo o Espiritismo), a cordialidade, o bom trato. Se o doente é insistente, se o pobre é impertinente, nós estamos ali porque queremos. Não foi o pobre que pediu para nós irmos lá. Nós é que nos oferecemos. Então temos a escusa de estarmos cansados, de estarmos irritados. “Eu também tenho problemas”. Então vá resolver seus problemas. Não os traga para a Casa Espírita. E notem que esta tríade está perfeitamente de acordo com o pensamento Kardequiano: trabalho, solidariedade e tolerância.

Qual é o trabalho?

ESPIRITIZAR-SE.

O trabalho de adquirir o conhecimento espírita, de perseverar no estudo. Minha mãe era analfabeta. Eu lia para ela, estudava, comentava. Ela acompanhava. Aprendeu a Doutrina Espírita dentro dos seus limites.

Solidariedade. QUALIFICAR-SE, para servir melhor, para ser mais solidário.

Tolerância: ser mais HUMANO. Quando somos mais humanos, somos tolerantes. E esta tríade não é propriamente de Allan Kardec. Ele a tirou de Pestalozzi, seu professor, que tinha como base educacional três palavras: trabalho, solidariedade e perseverança. Allan Kardec, que foi seu discípulo, tomou a tríade e adaptou-a, substituindo perseverança por tolerância.

Assim, o Centro Espírita é a nossa oficina. Quando nós entramos na Casa Espírita devemos sentir os eflúvios do amor, da fraternidade. Não é o lugar dos conflitos, das picuinhas, das nossas dificuldades, das nossas diferenças, que nós as temos, mas das nossas identidades, das nossas compreensões, do nosso esforço para sermos melhor.

Daí a nova proposta do Centro Espírita: voltar às bases do pensamento de Allan Kardec.

Reviver o trabalho, a solidariedade e a tolerância. Sermos realmente irmãos. Esta é a nossa família ampliada. Se entre aqueles com os quais compartimos ideias, que são perfeitamente consentâneas com as nossas, nós temos dificuldades de relacionamento, como é que iremos nos relacionar com o mundo agressivo, com a sociedade que não nos aceita, com aqueles que nos hostilizam, com aqueles que nos perseguem?

A Trilogia de Joanna de Ângelis: espiritizar, qualificar e humanizar, por Divaldo Pereira Franco. (Texto recebido pelo WhatsApp.)

FONTE: https://divulgandoadoutrinaespirita.wordpress.com/2017/11/18/a-trilogia-de-joanna-de-angelis-espiritizar-qualificar-e-humanizar/

 


" O TEMPO É INEXORÁVEL "

Por: Geraldo Mota Valintim

As nossas lembranças são regadas por essências, perfumes, relva, chuva, serenos, canções, amores, paixões, livros, paisagens, palavras, trilhas. Tudo toca nosso coração e nossas mentes fragilizadas pelo tempo. Como proferiu a pintora, desenhista, escultora, ilustradora, cronista e tradutora brasileira Tarsila do Amaral "O tempo é inexorável ".

Essa foto, vista há muito tempo em um livro "na minha infância "  até hoje gravada na retina.

Hoje, analisando sobre um outro prisma, entendo o quanto aprendemos sobre dialogar e chegar a um consenso em que seja bom para ambas as partes e isso nos ensina muito sobre nos despojarmos do nosso egoísmo e exercitarmos a humildade para com todos.

O FANTÁSTICO CASO KARRAN

 

Um controvertido encontro de 3° grau com a equipe do extraterreno Karran modificou completamente a vida do casal Hermínio e Bianca Reis, um ex-pastor das Testemunhas de Jeová e uma dona de casa. Presenças obrigatórias em relatos e simpósios de ufologia, os dois contam, nesta entrevista exclusiva, os muitos obstáculos que tiveram de superar, desde as acusações de serem meros robôs teleguiados até os desconfortos da popularidade. Além disso, discorrem com naturalidade sobre a presença, já entre nós, de seres de outros planetas. Seus encontros com Karran são dos mais bem documentados da factualidade ufológica.

Um grupo de alunos, deitados no chão, aguarda as instruções de seus professores ou “guias”, que os conduzirão através das várias etapas do exercício de “saída consciente da matéria”.

Um novo tipo de culto? Não. Apenas um dos grupos orientados pelo casal de mineiros Hermínio e Bianca Reis, que se tornaram o caso mais controvertido de contato de 3º grau já ocorrido no Brasil, e que, baseados em ensinamentos de extraterrestres, ministram cursos sobre as práticas e técnicas da filosofia de vida extraterrestre – cursos esses que já contam com grande número de alunos, entusiasmados com as novas ideias, e que vêm causando polêmicas entre adeptos e céticos.

Parte de toda essa controvérsia advém da maneira sensacionalista com que o assunto foi tratado num programa de televisão, transmitido em rede nacional. A entrevista ocasionou, na época, diversas críticas por parte de pesquisadores, que julgaram insensato expor um assunto tão importante nas bases em que foi explorado naquele show.

Entretanto a presença do casal diante das câmeras provocou imediatamente uma discussão de caráter nacional com relação à questão discos voadores. As conferências do “casal do disco voador”, como são conhecidos, geram sempre grande entusiasmo do público, que se aglomera ao redor dos dois, bombardeando-os de perguntas e dúvidas.

Novamente, aqui, parte da controvérsia se faz evidenciar nas opiniões de alguns ufólogos, os quais acham injusto que duas pessoas reconhecidamente leigas no assunto sejam tomadas como especialistas nele.

A aventura de Hermínio e Bianca começou em 1976, numa noite de janeiro, quando viajavam em seu carro do Rio de Janeiro para Belo Horizonte. Era muito tarde e a visão de um “balão” luminoso no céu os fez parar – fato que aconteceu o seu “seqüestro” com carro e tudo para dentro da espaçonave. Já no disco, eles encontraram o alto e belo Karran, extraterrestre que se tornou amigo dos dois e, através deles, também uma “celebridade”.

Aquele foi o primeiro de uma série de quatro contatos ou encontros com Karran. O caso Hermínio e Bianca é um dos poucos em que os “seqüestrados” não perderam a lembrança do acontecido e ainda se envolveram tanto com os extraterrestres que outros contatos foram estabelecidos.

Digno de nota foi o terceiro deles, em que Hermínio tirou fotos da nave deixando o solo. Estas fotos, que mais mostram “jogos de formas de luz” do que propriamente a silhueta de um disco voador, foram exaustivamente estudadas em laboratórios pelo pesquisador de UFOs Alberto Francisco Carmo.

O resultado das revelações foi apresentado em março de 1979, no Primeiro Congresso Brasileiro de Ufologia, em São Paulo, que contou com a presença do papa da ufologia, o astrofísico americano Allen Hynek. Alberto Francisco conclui:”...ou estas fotos são autênticas, revelando parte de uma supra – realidade que não conhecemos, ou então o sr. Hermínio da Silva Reis é um amador genial...”

Na nossa opinião, o que mais incita à controvérsia no caso de Hermínio e Bianca é o fato deles insistirem na tese de que os extraterrestres são sempre bem intencionados, ou seja, todos os extraterrestres que nos visitam vêm com a missão pacífica de compreender-nos e ajudar-nos a penetrar numa etapa do desenvolvimento e conhecimento humanos.

O assunto ainda se tornou mais delicado quando Hermínio, ex-pastor das Testemunhas de Jeová, divulgou detalhes impressionantes sobre discussões de caráter teológico que mantivera com o extraterrestre, chegando a fazer profundas declarações sobre as origens da vida na Terra.

Em geral, os pesquisadores divergem em suas opiniões sobre Hermínio e Bianca. Alguns preferem não discutir o assunto, temendo o risco da controvérsia e da especulação; outros admitem a veracidade do “sequestro”, mas preferem manter-se à distância quando são chamados a testemunhar; outros, ainda, chegam às fronteiras da paranoia, afirmando terem os dois se tornado verdadeiros robôs, manipulados pelos extraterrestres, cujo único propósito é o de dominar o mundo.

ENTREVISTA

Apenas uma coisa é certa: apesar das diferentes reações de leigos e especialistas a respeito desse caso, o “casal do disco voador” continua sua caminhada, procurando, através dos ensinamentos dos extraterrestres, levar as pessoas ao maior conhecimento de si mesmas e do mundo em que vivem.

Sabe-se que vocês participam de todos os congressos de ufologia, onde ouvem muitos cientistas e pesquisadores apresentarem diversos trabalhos. O que vocês acham dessas pesquisas?

Hermínio: Nos congressos, prestamos muita atenção aos trabalhos de todos os pesquisadores. Isso nos abre perspectivas amplas sobre o assunto, inclusive a respeito de nosso trabalho. Os pesquisadores estão fazendo o seu trabalho, como nós estamos fazendo o nosso. Porém, eu e Bianca tivemos uma experiência física. Estivemos dentro de uma máquina; conversamos com gente de carne e osso como nós. Nessa ocasião, não só ouvimos muito como perguntamos muita coisa. Há outras pessoas como nós, que podem falar sobre o assunto e deveriam participar dos congressos mas não participam. Alguns pesquisadores ainda têm muitas dúvidas sobre a existência dos discos voadores. Uma pessoa que participa de um congresso de ufologia para expor trabalhos sobre o assunto Deve ter certeza de que eles existem. Certeza daquilo que está falando. Nesses congressos, onde você deveria ouvir e aprender sobre UFOs, as pessoas saem com medo deles. E isso não é positivo.

De acordo com as conclusões do congresso de ufologia de Brasília, pôde-se perceber que há, de certa forma, dois tipos de pesquisador: o clássico, que cataloga depoimentos, e os anticlássicos ou místicos como James Hurtak que associam a ufologia à arqueologia, ocultismo e ao próprio inconsciente humano. O que vocês acham desses dois tipos de pesquisa?

Hermínio: Acho que são válidos desde que representem o fato como ele se deu e não na a sua opinião sobre o assunto. A propósito, essa ligação misticismo/discos voadores não é correta. Eu mesmo já fui um místico até o dia em que tive contato direto com o fato; então passei a observá-lo como ciência, não como religião.

Muitos pesquisadores dizem que o caso de vocês é um tanto controvertido e que vocês até hoje não apresentaram “provas” ou “mostras” de que a experiência aconteceu realmente. Como vocês respondem a isso?

Bianca: Mas o que seria uma “prova convincente” para os pesquisadores? Um pedaço de papel? Um pedaço de tecido da roupa de Karran? Alguns pesquisadores ficariam satisfeitos; outros, não. O que seria uma prova para alguns não seria para outros. Karran nos autorizou a tirar fotos que comprovam que estivemos com extraterrestres. Fotos que foram testadas cientificamente comprovando as diferenças com as coisas daqui. Para muitos ainda não foi o suficiente. Agora, o que é uma prova? Então eles diriam: trazer Karran pessoalmente. Mas esta é uma prova que satisfaz às pessoas individualmente. Outras não acreditarão em você. Agora eu coloco uma pergunta: e se agora eu trouxesse Karran até aqui? Talvez as pessoas dissessem que ele era muito humano para ser de outro planeta. Elas não vão acreditar que ele é extraterrestre, pois a grande maioria acha que, para eles serem de outros planetas, devem necessariamente ser diferentes. E existem muitas pessoas de outros planetas iguais a nós. Portanto, isso não seria uma prova.

Vocês contaram tudo o que sabem aos pesquisadores?

Bianca: Na medida do possível, sim.

O que você quer dizer com “na medida do possível ”?

Bianca: Eles nos pediram para não divulgar certos fatos e nós mesmos achamos que certas coisas não deveriam ser mencionadas em público.

Há pesquisadores que acham que vocês estão sendo usados por Karran e seu povo, e que, desde o primeiro contato, vocês se tornaram robôs, apesar de crerem estar agindo de própria vontade. Como vocês encaram essas afirmações?

Bianca: Acho que robôs todos nós somos. Uns usados de uma forma, outros de outra. Não sou manipulada por eles. Quando Karran diz alguma coisa, ele explica e te convence a lutar por aquilo que está dizendo. Da mesma maneira que uma pessoa luta por uma religião,por uma ciência, um ideal político ou qualquer outra coisa. Se as pessoas acham que somos robôs, elas devem pensar melhor e ver que existe um monte de robôs por aí – alguns manipulados pelo poder, pelo dinheiro, ou até pelo sexo.

Sabemos que após o contato direto, Bianca, você também passou a funcionar como um tipo de receptor e que Karran fala com você quando esta próximo da Terra. O que foi feito dentro do disco para tornar isso possível?

Bianca:Lá dentro, através de um aparelho dele (bem entendido que não foi implantado nenhum aparelho em mim), Karran registrou ondas mentais provenientes do meu cérebro – ondas mentais que todos emitimos, mas que não conhecemos ainda. Através dessas ondas eles se comunicam, ampliando-as, e elas são transmitidas para mim.São ondas minhas. São frequências mentais minhas. Por isso eu compreendo e me comunico com eles assim. Conversando normalmente, já estou emitindo freqüências que chegam até os aparelhos, e eles estando com as máquinas ligadas, imediatamente recebem as minhas ondas também.

Antes da experiência, você apresentava algum sintoma de paranormalidade ou sensitividade?

Bianca: Não. Nunca prestei atenção nisso. Pode ser até que tivesse.

Vocês conheceram outros extraterrestres além de Karran?

Bianca: Sim.

Hermínio: No mês de janeiro de 1977, quando Karran veio pela segunda vez, ficamos conhecendo uma pessoa que estava vivendo aqui no Brasil e que nos encontrou e nos levou até Karran e vice-versa. Essa pessoa chamava-se Zir.

Qual era a aparência física de Zir?

Hermínio: Primeiramente, suponhamos que eu tomasse Zir como uma prova. Se eu chegasse até alguém e dissesse que Zir era de outro planeta, as pessoas não acreditariam, porque ele é igual a qualquer pessoa. Visualmente, Zir não dá provas de ser um habitante de outro planeta. Apenas em circunstancias especiais, que ele nos mostrou, pudemos notar que a circulação sanguínea dele não é do mesmo tipo que a nossa. Por exemplo, nossas veias são dispostas em sentido vertical, as dele são em sentido circular.

As de Karran também?

Hermínio: Não. Zir era diferente de Karran.

Então Zir não vem do mesmo planeta que Karran?

Hermínio: Não. Apenas serviu de intérprete naquele momento.

Então Zir morava na Terra?

Hermínio: Zir estava trabalhando aqui. Mas voltando à particularidade da circulação sanguínea ser diferente – fato que é quase imperceptível, pois só pudemos notar isso bem de perto com lanternas deles -, Zir também nos disse que tinha dois corações e que, antes de vir para cá, fora adaptado para viver aqui. Durante a noite, Zir usava filtros no nariz para manter-se em equilíbrio com nosso tipo de respiração.

Zir tinha uma profissão aqui?

Hermínio: Ele trabalhava no campo. Era um lavrador e se vestia como tal. Em suas mãos havia até calos. Usava roupas simples e pretas, feitas de tecido nosso.

Zir ainda vive na Terra?

Hermínio: Pelo que me consta, não. Ele estava doente naquela época. Sofrera um acidente e disse que ia embora.

Você disse que ele serviu de intérprete?

Hermínio: Karran falava seu próprio idioma e Zir ouvia e traduzia para nós em português.

Dentro do disco, esse processo foi feito através de uma máquina, certo?

Hermínio: Sim, por máquinas. Mas Bianca informou que Karran está aprendendo português. Só que, nessa segunda vez, Karran ainda não falava português.

Quer dizer que há realmente extraterrestres morando na Terra?

Hermínio: Sim. Karran nos disse que existem extraterrestres vivendo aqui, assim como há seres humanos da Terra vivendo no planeta de Karran.

Qual é a missão dos extraterrestres entre nós?

Hermínio: Karran nos disse que, por motivo de um acidente no planeta Terra nosso cérebro ficou bastante avariado, bloqueado. Por isso, eles resolveram acompanhar nosso desenvolvimento mental através dos tempos.

Vocês sabem se algum outro acidente irá ocorrer?

Hermínio: Sim. Mas Karran explicou que será um acidente necessário, porque nosso planeta precisa voltar à sua posição original. Retornando á situação inicial, então as coisas irão melhorar. Naturalmente, tudo voltará ao normal, inclusive os sobreviventes serão bem diferentes do ser humano atual. Não haverá bloqueios e eles usarão seus cérebros na totalidade.

Esse outro acidente será natural ou provocado pelo homem?

Hermínio: Karran me disse que inicialmente esse acidente foi provocado por uma grande descarga de energia solar. Naturalmente, esse retorno do planeta ao seu eixo também será provocado pelo Sol. Mas ele poderá ser apressado pelo homem.

Quando vai ocorrer esse acidente?

Hermínio: Karran me disse que está bem perto. Bem perto mesmo.

Embora não sejam místicos, vocês normalmente não têm diferenças ideológicas com os místicos como os rosacruzes,os teosofistas. Mas essa notícia do acidente que para muitos corresponde à idéia do Apocalipse, não seria um assunto dentro das fronteiras da mística?

Bianca: Pode até ser. Mas quando ele falou do acidente para nós, falou com a mesma naturalidade com que nós estamos falando tudo à você. Ele não contou coisas misteriosas, secretas.

Hermínio: A propósito, esse retorno ao eixo da Terra não significa um castigo, ou que Deus irá salvar os bons e destruir os maus. O mar, quando retomar sua posição inicial, atingirá tanto bons quanto maus. Para os extraterrestres, todos somos iguais.

Hermínio, você era pastor de uma religião cujos adeptos são normalmente considerados fanáticos. Quando você discutiu assuntos de natureza religiosa com Karran, o que foi que ele falou sobre Jesus Cristo e as idéias existentes na Bíblia?

Hermínio: A palavra pastor não era usada naquela época. Eu era um ministro de Deus e fui atuante como chefe de uma congregação por doze anos. Eu pregava, mas isso não quer dizer que eu era uma pessoa de grande importância na religião.

Na época em que se deu esse contato – 12 de janeiro de 1976, na estrada Matias Barbosa – eu já tinha me afastado do meu ministério por razões puramente particulares, e não por causa do assunto “disco voador”. Esse assunto me afastou ainda mais da religião e não da Bíblia.

Desde então, venho descobrindo muitas evidências na Bíblia sobre a existência de extraterrestres aqui na Terra. Posso dizer que hoje leio muito mais a Bíblia do que antes, e que aprendi muito mais a respeito de Deus do que antes.

O deus de Karran é o mesmo em que nós acreditamos?

Hermínio: Sim, mas o deus de Karran não é o deus pregado pelas religiões. Esse Deus que nós conhecemos não existe. Karran disse que Deus ama todos nós sem distinção. Que o Criador não necessita de nós como servos, e sim como filhos. Assim, eu, de escravo de Deus passei a ser filho de meu Pai. E meu Pai é um homem rico, não é pobre.

Ele é dono de tudo, de todas as coisas que recebemos; e Deus não cobra nada por aquilo que Ele nos dá.

Como você vê hoje a figura de Jesus Cristo?

Hermínio: Quando conversei com Karran sobre a Bíblia, ele falou de um Pai Criador. Então perguntei se na terra dele havia muitas leis, como havia aqui na Terra. Ele me disse que na sua terra eles também receberam as mesmas leis que foram dadas a nós por aquele que conhecemos por Jesus Cristo, mas que não o conheciam por esse nome, “Não o conheço assim”, disse-me ele.

Então, ele completou dizendo trechos dessa lei:

“Amar ao próximo é amar ao Criador”; “Toda vez que tocarmos nosso próximo, é como se estivéssemos tocando em nós mesmos”; e: “Toda vez que ofendermos o próximo estaremos ofendendo a nós mesmos”.

Estas são as leis que eles conhecem. E é por isso que não concordo com pesquisadores que falam de tripulantes de disco voador violentos, agressivos, que falam de guerras em outros planetas. Chegam a dizer que Karran era um “bandoleiro do espaço”. Se você algum dia fizer contato com extraterrestres, verá que são pessoas bondosas, dedicadas, e raramente existe um registro nosso mostrando que o extraterrestre foi agressivo. Normalmente, nós é que agredimos primeiro.

Existem casos documentados – um exemplo clássico é o de Villas-Boas – da existência de cruzamentos (até forçados) entre terrestres e extraterrestres. Isto não seria uma evidência de uma conduta agressiva em relação aos homens?

Hermínio: Não. O que ocorreu com o dr. Villas-Boas foi um tipo de experiência científica.

Todos os extraterrestres são bons? Têm intenções boas em relação a nós?

Bianca: Sim. Por exemplo, suponhamos que eles fossem maus, que tivessem a intenção de tomar nosso planeta. Ora, diante da tecnologia que têm, da capacidade mental que têm, se eles fossem pessoas más, já teriam feito o mal há muito tempo. Então, eu não acredito que sejam maus, porque até hoje não invadiram nosso planeta.

Sabe-se que muitas pessoas foram queimadas, sofreram choques emocionais, psicológicos, e perderam a capacidade de trabalhar, sem contar os casos de pessoas que foram forçadas ao relacionamento sexual. Vocês acham que esse seria um comportamento de pessoas que querem o bem dos seres humanos?

Bianca: Ainda hoje estive discutindo com a pesquisadora – d.Irene Granchi – a respeito de pessoas que ficaram impossibilitadas de trabalhar por problemas mentais, etc. Mas acontece que pessoas sofrem dessa maneira a ponto de ficarem impossibilitadas atuar aqui na Terra só porque viram ou entraram num disco, se levassem um tombo também ficariam loucas. Se houvesse qualquer tipo de acidente, ela ficaria afetada como ficou diante de um disco voador, porque fisicamente ela já não estaria bem.

Então Karran não mencionou a existência de extraterrestres com intenções ruins a nosso respeito?

Bianca: Não. Apenas existem maneiras diferentes de ação dos extraterrestres. Alguns são muito precavidos. Se eles estão parados e a pessoa vai na direção deles, eles paralisam a pessoa mesmo.Só então podemos ver isso como uma agressão. Mas eu pergunto: se nós estivéssemos no lugar deles, não faríamos a mesmíssima coisa? Você sabe que nós não somos “bonzinhos” coisa nenhuma. Pela quantidade de crimes que existe em nosso planeta...

Karran verificou com vocês o caso de um extraterrestre que foi preso pelo FBI nos Estados Unidos, em 1953 ou 1954?

Bianca: Karran mencionou até o lugar – Ohio – e completou dizendo que não foi uma nave só que caiu, e sim duas; e que na ocasião, após o acidente, alguns tripulantes já estavam mortos, havendo somente um com vida. Os extraterrestres da terra do sobrevivente viriam apanhá-lo. Só que, quando chegaram, essa pessoa já fora levada. Então, a nave que veio buscar o tripulante destruiu apenas os restos dos discos que sofreram o acidente. Ele ainda me disse que aqui na Terra há corpos de pessoas de outros planetas. Só que não sei onde estão.

Por que vocês nunca escreveram um livro sobre os contatos que tiveram?

Hermínio: Porque realmente o assunto do livro é tão controvertido quanto o assunto “disco voador”. Você tem nos acompanhado e sabe que, até o presente momento, o esboço original não está em nossas mãos. Está em mãos de outras pessoas. À medida que novos contatos vão acontecendo e nossas opiniões vão se consolidando sobre as coisas que já conhecemos, com informações mais exatas, estamos pensando em colocar esses quatro encontros em um livro só, com fotografias obtidas no terceiro contato.

Além disso, desde o primeiro encontro em que ele nos falou do acidente que nos bloqueou o cérebro, existia também eu - Hermínio. Minha religião não admite a existência de um espírito dentro de nós, algo que sobrevivesse à perda da matéria. Conversei sobre isto com Karran e ele me disse que não falava comigo – matéria, porque eu como matéria não poderia falar nada com ele sem a minha real presença.

Então ele nos ensinou uma técnica para sairmos conscientemente de nossa matéria, para provar-me que eu não era apenas matéria como nós pensávamos.

Em que encontro ele ensinou isso?

Hermínio: Desde o primeiro encontro ele falou sobre isso. E nos encontros seguintes, Bianca foi quem mais trabalhou essa técnica, porque eu tinha que viajar e ela podia ficar em casa, fazendo o exercício. Com isso, ela conseguiu resultados muito mais rápidos do que eu.

E qual é a finalidade de sair do corpo?

Hermínio: Não. Sair do corpo, muita gente faz. O problema é sair da sua matéria consciente.Preparar sua matéria para uma saída consciente e um retorno consciente, ou eliminando o bloqueio existente em nosso cérebro. Mas os exercícios não terminam com a saída e o retorno consciente da matéria; eles têm que continuar a ser praticados fora da matéria em grupo.

Há alguma outra finalidade além dessa? Qual a utilidade dessa técnica?

Hermínio: Não sei se vou ser bem explícito, mas o que eu tenho a dizer é que além de você sair do corpo, de provar a si mesmo que você existe,você estimula um tipo de glândula da cabeça que, através de exercícios com o nervo ótico, é irrigada, fazendo com que ela funcione, porque antes ela foi atrofiada.

Através desse exercício, você vai usar uma parte do cérebro que nós não usamos e não estamos habituados a usar. É justamente aquela área do cérebro que está bloqueada.

Segundo Karran, não existe mais motivo para esse bloqueio, porque as matérias que estão nascendo agora são boas – sem defeito. Nós apenas não estamos usando toda a nossa capacidade mental porque nos esquecemos de como usá-la. A técnica de trabalhar esse lado da mente também nos foi ensinada e ela nos favorece as lembranças anteriores.

Após seus contatos com Karran, confirmou-se para você a ideia de que reencarnação existe?

Hermínio: Não segundo uma doutrina, e sim como uma técnica. Não quero usar essa palavra “reencarnação”; prefiro “troca de matéria”. Não quero usar um termo que possa causar uma questão mística. Você retorna novamente à matéria, porque você foi feito para usar matéria. É uma lei natural feita pelo Criador. Existe uma semelhança com aquilo que chamamos reencarnação para pagar um carma, para pagar pecados, e por aí afora.

O que Karran nos disse não foi isso. Você volta por uma causa natural das coisas, não para pagar algo que está devendo. 

                              Casal Hermínio e Bianca, na época em que seu caso foi divulgado
                                                      Retrato falado de Karran
Descrição do interior da nave. Vê-se a “máquina tradutora” e os capacetes ligados ao casal, para conversações com tradução imediata.
 

FONTE: https://www.fenomenum.com.br/ufo/casuistica/1970/karran

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