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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

FEITO PIPA (2026) | Crítica (sem spoilers)

 


Com direção sensível e segura de Allan Deberton e um roteiro muito bem construído por André Araújo, Feito Pipa encontra sua maior força na humanidade dos personagens. O trio formado por Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos entrega interpretações extraordinárias. Ambientado no sertão cearense, o filme aborda com delicadeza temas como Alzheimer, sexualidade, memória, passagem do tempo e, sobretudo, liberdade. A metáfora da pipa é particularmente feliz: afinal, até onde podemos voar sem que alguém nos prenda pelo fio?

Embora o desfecho me pareça um tanto previsível, isso não compromete a potência emocional da narrativa. Deixando de lado qualquer entusiasmo nacionalista, tenho dúvidas sobre suas reais chances no Oscar. Mas sua qualidade artística é indiscutível. Espero que Feito Pipa continue conquistando novos horizontes e alcance voos ainda mais altos.


*Eduardo Spinelli é roteirista, cineasta e membro da Academia Brasileira de Cinema.