Elenco e o diretor Wagner de Assis se reuniram ontem para um workshop sobre espiritualidade e História no Rio de Janeiro
Por Atômica Lab
A história do espírito Emmanuel, conhecido como o mentor do médium
mineiro Chico Xavier, vai para os cinemas. O cineasta Wagner de Assis,
responsável pela bem-sucedida franquia Nosso Lar,
reuniu o elenco nesta segunda-feira, dia 13, para um workshop a
respeito do longa-metragem que começará a ser filmado no final de
outubro. Logo depois das apresentações, o elenco realizou a primeira
leitura coletiva do roteiro.
“Sempre começamos os filmes que falam de assuntos espirituais desta
forma, com um encontro”, explica Wagner. “Independentemente do gênero do
filme, achamos que é a melhor forma de mergulharmos no universo
espiritual e, no caso deste filme, do ambiente histórico da época
também”.
A produção do longa é da Cinética Filmes, em coprodução e distribuição com a Imagem Filmes e Universal Entertainment, apoio da FEB Cinema (o selo audiovisual da Federação Espírita Brasileira), e Patricia Chamon e Patricia Kamitsuji como produtoras associadas.
Sobre o filme
O longa é baseado nos bestsellers Há 2000 Anos, Cinquenta Anos Depois e Ave, Cristo!,
que já somam mais de 8 milhões de exemplares vendidos desde que foram
lançados a partir da década de 1930. Todos foram psicografados por Chico
Xavier, e trazem relatos das histórias que envolvem o personagem
principal.
O filme vai narrar as vidas de Emmanuel através de várias
reencarnações. “Para que possamos mostrar todas as encarnações, optamos
por trazer diferentes atores para interpretar o personagem ao longo dos
séculos. Assim, manteremos os relatos fiéis à ideia das múltiplas
existências, mesmo sendo sempre um único espírito que vive todas essas
experiências tão marcantes”, explica Wagner.
O elenco
Wagner, diretor e roteirista do filme, aproveitou o encontro desta
segunda-feira para também apresentar os protagonistas do épico que
atravessa mais de 2.000 anos de História. Emmanuel será interpretado por
um elenco estelar: Mouhamed Harfouch, Edson Celulari, Marcelo Serrado,
Leonardo Medeiros, Rafael Infante e Guilherme Magon.
A história também é um romance de “almas gêmeas”, que será
apresentado na época em que Emmanuel é um Senador romano, e vive o amor
por sua esposa, Lívia, uma das primeiras mártires cristãs, cujo
personagem será vivido por Juliana Paiva.
Caco Ciocler, Emílio Orciollo Netto, Eucir de Souza, Maria Eduarda de
Carvalho, Natallia Rodrigues, Letícia Braga, Rafa Sieg, Karin Roepke,
Ronaldo Reis, Bruno Padilha, Talita Maia, Daniel Villas, Camila
Lucciola, Vandré Silveira, Felipe Vidal, Maya Aniceto, Lettícia Moraes,
Felipe Gotelip, Mário Cardona Jr, Beatriz Alcantara, Ricardo Rodriguez,
Pedro Zurawski, Ágatha Félix, Gabriella Busich, Luã Costa, Rafael Zolly,
Rodrigo Lourival, Marcéu Pierrotti, Ittalo Figueiredo, Israel Eyer,
Diego Casanova, Vinícius Gressler, André Lima, Flávio Scala, Ely Jaffar,
Marcio Elizzio, Alle Franco, Diogo Mazzoli, Miguel Ferrari, Fábio
Bastos, Aldebaran Oliveira, Larissa Landim e a menina Sophia Fuggacy
estão no elenco interpretando mais de 70 personagens que compõem as
diversas fases do filme.
A história do longa atravessa os tempos, desde a Roma Antiga — da
República e do Império —, passando pela Galileia da época de Jesus, a
Itália de Francisco de Assis, e o Brasil do século XVI. Até chegar a
Uberaba, na época atual.
“É uma produção muito ousada porque precisamos reconstituir pedaços
de épocas em que este espírito viveu, e que têm enorme importância para
sua trajetória única” conta Wagner. “Acompanhamos sua jornada desde que
era um homem irascível e orgulhoso, até se tornar o ser espiritual e
iluminado que serve como mentor para todos nós, diante da inestimável
contribuição na divulgação das realidades espirituais que conhecemos
através da mediunidade de Chico Xavier”.
As filmagens estão previstas para Rio de Janeiro e Roma, além de
locações em Petrópolis e outras cidades do estado do Rio de Janeiro.
Equipe FEB Cinema, o diretor Wagner de Assis e parte do elenco principal de Emmanuel. Foto por Ique Esteves.
Serviço
Produção: Cinética Filmes Coprodução e Distribuição: Imagem Filmes e Universal Pictures Apoio: FEB Cinema Produtoras associadas: Patricia Chamon e Patricia Kamitsuji Direção e roteiro: Wagner de Assis
A história do espírito Emmanuel, conhecido como o mentor do médium
mineiro Chico Xavier, vai para os cinemas. O cineasta Wagner de Assis,
responsável pela bem-sucedida franquia "Nosso Lar", reuniu o elenco de
"Emmanuel" na última segunda-feira, dia 13 de outubro, para um workshop
sobre o longa-metragem que começará a ser filmado no final de outubro.
Logo depois das apresentações, o elenco realizou a primeira leitura
coletiva do roteiro. "Sempre começamos os filmes que falam de assuntos
espirituais desta forma, com um encontro", explica Wagner.
"Independentemente do gênero do filme, achamos que é a melhor forma de
mergulharmos no universo espiritual e, no caso deste filme, do ambiente
histórico da época também".
A produção do longa é da Cinética Filmes, com distribuição da Imagem
Filmes e Universal Pictures, apoio da FEB Cinema (o selo audiovisual da
Federação Espírita Brasileira), e Patrícia Chamon e Patricia Kamitsuji
como produtoras associadas.
O longa é baseado nos best-sellers "Há 2000 anos", "Cinquenta anos
depois" e "Ave, Cristo!", que já somam mais de 8 milhões de exemplares
vendidos desde que foram lançados a partir da década de 1930. Todos
foram psicografados por Chico Xavier e trazem relatos das histórias que
envolvem o personagem principal.
O filme vai narrar as vidas de Emmanuel através de várias
reencarnações. "Para que possamos mostrar todas as encarnações, optamos
por trazer diferentes atores para interpretar o personagem ao longo dos
séculos. Assim, manteremos os relatos fiéis à ideia das múltiplas
existências, mesmo sendo sempre um único espírito que vive todas essas
experiências tão marcantes", explica o diretor.
Wagner de Assis, diretor e roteirista do filme, aproveitou o encontro
para também apresentar os protagonistas do épico que atravessa mais de
2.000 anos de História. Emmanuel será interpretado por um elenco
estelar: Mouhamed Harfouch, Edson Celulari, Marcelo Serrado, Leonardo
Medeiros, Rafael Infante e Guilherme Magon. A história também é um
romance de "almas gêmeas", que será apresentado na época em que Emmanuel
é um Senador romano, e vive o amor por sua esposa, Lívia, uma das
primeiras mártires cristãs, cujo personagem será vivido por Juliana
Paiva.
A trama do longa atravessa os tempos, desde a Roma Antiga – da
República e do Império -, passando pela Galileia da época de Jesus, a
Itália de Francisco de Assis, e o Brasil do século XVI, até chegar a
Uberaba, na época atual. "É uma produção muito ousada porque precisamos
reconstituir pedaços de épocas em que este espírito viveu, e que têm
enorme importância para sua trajetória única" conta Wagner.
"Acompanhamos sua jornada desde que era um homem irascível e orgulhoso,
até se tornar o ser espiritual e iluminado que serve como mentor para
todos nós, diante da inestimável contribuição na divulgação das
realidades espirituais que conhecemos através da mediunidade de Chico
Xavier".
As filmagens estão previstas para Rio de Janeiro e Roma, além de locações em Petrópolis e outras cidades do estado.
"[...] o maior entre vós seja como o mais novo, e o que comanda como o que serve." (Lucas, 22:26)
O Evangelho apresenta, igualmente, a mais elevada fórmula de vida político-administrativa aos povos da Terra.
Quem afirma que semelhantes serviços não se compadecem com os labores do Mestre não penetrou ainda toda a verdade de suas Lições Divinas.
A magna questão é encontrar o elemento humano disposto à execução do sublime princípio.
Os ideais democráticos do mundo não derivaram senão do próprio ensinamento do Salvador.
Poderá encontrar algum sociólogo do planeta, plataforma superior além da gloriosa síntese que reclama do governante as legítimas qualidades do servidor fiel?
As revoluções, que custaram tanto sangue, não foram senão uma ânsia de obtenção da fórmula sagrada na realidade política das nações.
Nem, por isso, entretanto, deixaram de ser movimentos criminosos e desleais, como infiéis e perversos têm sido os falsos políticos na atuação do governo comum.
O ensinamento de Jesus, nesse particular, ainda está acima da compreensão vulgar das criaturas.
Quase todos os homens se atiram à conquista dos postos de autoridade e evidência, mas geralmente se encontram excessivamente interessados com as suas próprias vantagens no imediatismo do mundo.
Ignoram que o Cristo aí conta com eles, não como quem governa tirânica ou arbitrariamente, mas como quem serve com alegria, não como quem administra a golpes de força, mas como quem obedece ao Esquema Divino, junto dos seres e cousas da vida.
Jesus é o Supremo Governador da Terra e, ao mesmo tempo, o Supremo Servidor das criaturas humanas.
Emmanuel
(Alma e luz. Ed. IDE, Cap. 12)
Mensagens de Emmanuel: https://play.google.com/store/apps/details?id=peloespiritoemmanuel.com
Oh, meu companheiro, Dr. Helder, o que tenho para te dizer neste momento... - Ainda tenho vivo em minha mente aquele memorável dia 25 de agosto de 1994, uma quinta-feira, quando fui recebido por você (Que honra! Que luxo! Que presente!) no Grupo Espírita Ave Luz, dia dos estudos de “O Livro dos Espíritos”. - Você, como sempre, se curvava em gesto de acolhimento, apertou firme a mão e me indicou onde sentar para ouvir os estudos, dizendo: “seja bem-vindo...”. Isso impactou minha vida. Muito do que me tornei como ser humano devo à minha permanência no Ave Luz por mais de 20 anos, graças à sua inspiração e aconselhamento. - Você é o professor dos professores. Você nos formou. Formou gerações no meio espírita. Talvez a única coisa que você nunca negou às pessoas foi a habilidade de ensinar. Formou dezenas, talvez até centenas, nestes mais de 32 anos dedicados à Doutrina Espírita, entre passistas, coordenadores de grupo, monitores de evangelho, de ESDE. Foi, é e sempre será sua marca: ensinar, libertar almas através do conhecimento – neste caso, o conhecimento do mundo espírita. - Suas histórias de ensino vão além do tradicional. Ele, certa vez, me contou uma história que revela seu tamanho como cristão. Quem, por exemplo, iria a pé da Aerolândia, onde morava em 1994, até o Jangurussu (um trecho de mais de 12 km) porque, naquele momento, faltavam-lhe recursos? E ainda assim ele mantinha o compromisso de levar o espiritismo a almas sedentas de conhecimento, sabendo que este conhecimento poderia magnetizar, curar, aliviar dores e sofrimentos. Fora outras histórias, como as vezes em que, mesmo com febre, sem voz, doente, a pé, de qualquer forma, ele estava disposto a ajudar sempre. - Ele é convicto sobre ser espírita e sobre sua missão na Terra, coisa (convicção) que nos falta em muitas áreas. Essa sua postura firme impactou e ajudou muitas vidas, tenha certeza disso. A arte de cuidar e zelar pelas pessoas foi além de sua vida profissional como enfermeiro. Ele cuidava de todos. Preocupava-se com todos. Esse é o Helder. Não media esforços físicos, materiais, financeiros e até biológicos para se dedicar à instituição que ajudou a fundar, a qual, como ele gostava de dizer: “um ponto de luz em meio à escuridão”. Esse foi seu grande legado e jamais será esquecido. - Fui forjado por suas palavras e gestos. Você me inspirou profundamente. Sou grato por tudo. Meu amigo, eu gosto muito de escrever, mas a emoção que me toma agora me impede de dizer tudo sem esquecer detalhes importantes da nossa história. Apesar do distanciamento dos últimos anos, consegui te visitar nestes momentos finais da sua existência. E, na última vez que te vi, disse-lhe, abraçando-o, que o amava. Não esqueça disso. - Aqui não é um adeus para você. É um até logo. É um “vamos fazer uma reunião ou estudo”, em breve ou, talvez, não tão breve, em algum lugar deste espaço infinito. - Foi um privilégio conviver com você, compartilhar um tempo e uma época ao seu lado. Ter trabalhado e estudado com você. Vivemos experiências incríveis, e isso jamais será esquecido. Vá, caro amigo, e se junte a companheiros e companheiras que foram antes, como Carvalho, Anchieta, Pedrinho e tantos outros, e cuidem de nós por aí. - Como está nos postulados espíritas: “àqueles que foram já devem ter cumprido sua missão. Os que estão talvez sequer tenham começado”. - Siga com Deus e os bons Anjos! À família Loureiro, todos, força. Estamos aqui! - Além do túmulo o espírito ainda canta seus ideais de paz, amor e luz.
Somente hoje encontro palavras para expressar essa nossa breve "separação". Bem sei que já estava se despedindo, devagarinho. Via em teus olhos o olhar de quem já deslumbrava o alvorecer de um novo mundo. Já estava preparando tua bagagem para a grande partida. Senti isso quando te vi pela última vez em tua casa. Fiz algumas perguntas. As respostas vieram fracionadas, por vezes incompreensíveis, pois o teu corpo já não mais permitia expressar o sorriso largo com o qual sempre nos cativava. Mas teus olhos, essas janelas da alma, expressavam todo o teu sentimento.
Pois bem! Agora um pouco mais recomposto, vêm-me à lembrança os nossos ideais de juventude. Procuro retirar a poeira deixada pelo tempo e vejo-te nos arquivos de minha memória o nosso encontro com a Doutrina Espírita. Abraçaste-a com desvelo, com um amor incontido e um ardor que contagiava a todos que te ouviam, tornando-a teu ideal nesta breve existência.
Foste um verdadeiro espírita, pois como assevera Kardec em o Evangelho Segundo o Espiritismo, "o espiritismo bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, caracteriza o verdadeiro espírita como o verdadeiro cristão, que são a mesma coisa".
Ontem, retornaste ao Grande Além. Já estava de malas prontas à espera da condução. Aguardava, no Porto da Esperança, um navio chamado Caridade que te conduziria à outra margem da Vida.
Embarcas! À medida que o navio se aproxima da linha do horizonte, percebe que teu olhar já não alcança os que aqui ficam! "... Quem parte leva saudade de alguém..."! Guarda contigo a saudade dos que te amam, não o lamento da dor, da separação, pois que esta não existe. A Vida continua profícua e bela.
"Que maravilha, meu Deus!", exclama. Agora teu olhar percebe a outra margem que se avizinha. Passa a enxergar com maior nitidez, mais clareza. Escuta hozanas, percebe amigos que precederam e estão a te recepcionar na outra margem da Vida.
Filho pródigo, retornaste ao regaço do Pai, à nossa pátria de origem. Multiplicaste os talentos concedidos. Combateste o bom combate!
Legenda da foto, Relatos registrados ao longo da história do Brasil apontam para o uso proposital de doenças como armas biológicas
Author, Leonardo Neiva
Role, De São Paulo para a BBC News Brasil
Um
avião sobrevoa os campos e despeja dos céus brinquedos infectados pela
gripe. Criadores de gado atraem uma tribo desavisada a um povoado que
enfrenta uma grave epidemia. Fazendeiros largam estrategicamente pelo
chão mudas de roupa contaminadas com varíola.
São
esses alguns dos relatos registrados ao longo da história do Brasil que
apontam para o uso proposital de doenças como armas biológicas em
batalhas contra povos indígenas e que teriam contribuído para dizimar
grande parte das tribos que existiam originalmente no país.
Crédito,
Ao
descrever a investida de plantadores de cacau sobre as terras
reservadas às tribos kamakã e pataxó, na Bahia do início do século 20, o
antropólogo Darcy Ribeiro conta no livro Os índios e a civilização
que os invasores lançavam mão de "velhas técnicas coloniais, como o
"envenenamento das aguadas" e "o abandono de roupas e utensílios de
variolosos onde pudessem ser tomados pelos índios".
Para
Rafael Pacheco, pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios da USP
(Cesta), o uso de objetos contaminados foi o principal método usado para
inocular doenças entre os indígenas desde o início da colonização.
"Além da similaridade de métodos, o conflito de terras era a motivação mais comum para esses episódios", explica.
O
impacto devastador de doenças trazidas pelos europeus ao Brasil entre
os índios é largamente conhecido. Além da baixa imunidade, os hábitos
coletivos e a falta de tratamentos tornavam a população nativa
especialmente vulnerável a doenças trazidas por estrangeiros, como conta
o professor de antropologia da Universidade Estadual de Santa Cruz
Carlos José Santos.
"Povos
inteiros foram massacrados pelos contágios de doenças infecciosas.
Aliás, muitos foram considerados extintos por elas, como é o caso dos
goitacá", diz Santos, que é indígena e conhecido pelo nome Casé Angatu.
Doenças
como varíola, sarampo, febre amarela ou mesmo a gripe estão entre as
razões para o declínio das populações indígenas no território nacional,
passando de 3 milhões de índios em 1500, segundo estimativa da Funai
(Fundação Nacional do Índio), para cerca de 750 mil hoje, de acordo com
dados do governo.
As
causas dessas epidemias são comumente tratadas pela história como
involuntárias. Há, no entanto, diversos relatos de infecção proposital
de tribos indígenas no país: entre os timbira, no Maranhão, os
botocudos, na região do vale do Rio Doce, os tupinambá e pataxó, na
Bahia, os cinta-larga, em Mato Grosso e Roraima, entre vários outros.
Crédito, Biblioteca Nacional
Legenda da foto, Doenças
como varíola, sarampo, febre amarela ou mesmo a gripe estão entre as
razões para o declínio das populações indígenas no território nacional
Segundo
a antropóloga Helena Palmquist, que pesquisa genocídio indígena no
Brasil, o método de infecção era comum. "É uma estratégia muito difícil
de provar, e os casos aconteciam em rincões, no Brasil profundo, lugares
em que ninguém queria entrar."
"Essas
histórias não são desconhecidas, só não são levadas a sério. Os casos
não foram apurados e nenhuma medida foi tomada, esses episódios eram
divulgados pelos órgãos oficiais como fatalidades", afirma Pacheco.
O massacre dos timbira
O
caso mais bem documentado aconteceu com índios timbira no Estado do
Maranhão, por volta de 1816. Na região, eles travaram, ao longo de
décadas, uma guerra violenta contra criadores de gado, que vinham
invadindo suas terras desde o início do século 19.
Em
meio às constantes escaramuças, era comum que tribos selassem a paz com
povoados brancos em busca de uma aliança contra povos inimigos. Foi o
que aconteceu com os canela, ou kapiekrã, que, inicialmente derrotados
em batalha pelos sakamekrã, acabaram por vencê-los com a ajuda de
aliados brancos.
Em
determinado ponto, a proximidade desses índios com os ditos civilizados
foi tão grande que a tribo largou as terras onde vivia para morar junto
a eles. Os brancos, por sua vez, esperavam receber uma ajuda financeira
do governo para sustentar os novos agregados.
Esse
auxílio, porém, nunca veio, fazendo com que os índios famintos se
dispersassem e entrassem em conflito com o povoado. De um lado, a tribo
buscava formas de sobreviver. Do outro, os fazendeiros se negavam a
dividir seus parcos recursos, acusando os índios de roubar plantações e
atacar o gado.
"Perpetraram
sobre os habitantes de todo o distrito enormíssimas extorsões,
furtando-lhe gado, matando os bezerros e devorando as roças de
mantimentos com tão decisiva destruição que, exasperados, muitos dos
referidos habitantes largaram as suas propriedades e fugiram da
capitania", narra em relatório para a corte o capitão Francisco de Paula
Ribeiro, que presenciou o conflito.
Crédito, Fiona Watson/Survival
Legenda da foto, Em
2014, relatório da Comissão Nacional da Verdade identificou entre as
causas da morte de cinco mil índios em Mato Grosso e Rondônia, a partir
da década de 1950, 'aviões que atiravam brinquedos contaminados com
vírus da gripe, sarampo e varíola', enviados por seringalistas,
mineradores, madeireiros e garimpeiros, com a conivência do governo
federal
Para
dar cabo da ameaça indígena, os proprietários locais, sob o falso
pretexto de uma guerra contra outra tribo, teriam atraído os canela à
vila de Caxias, que na época sofria com uma epidemia de varíola.
Ali
chegando, os índios nada receberam para comer e, ao tentarem saciar a
fome nas plantações locais, foram imediatamente punidos. "Foram presos e
espancados, inclusive mulheres e crianças, e dentre elas, a esposa do
principal chefe da tribo, que, ao reclamar contra este tratamento, foi
também fustigado", conta Darcy Ribeiro.
Caçados
a tiros de espingarda, os que conseguiram escapar levaram consigo a
doença. Assim, a varíola se espalhou entre as tribos da região, como
conta Francisco de Paula. Até o ano seguinte, alcançaria populações
indígenas a uma distância de 1,8 mil quilômetros dali.
Segundo o capitão, a falta de tratamento ou conhecimento dos índios sobre a doença ajudou a multiplicar a mortes.
"Não
será fácil de fazer uma ideia segura de quantas mil almas nele terão
perecido, uma vez que se sabe o extravagante método porque estes homens
brutais haviam pretendido curar-se — que era deitando-se aos rios para
refrescar-se.... ou tirando-se logo as vidas àqueles que apareciam com
mais claros sintomas de semelhante moléstia", descreve.
As
doenças e a miséria causada pela tomada de seu território reduziu tanto
o números dos timbira, de acordo com Darcy Ribeiro, que estes se viram
impossibilitados de lutar até mesmo pelas áreas reservadas a eles pelo
governo após a pacificação da região.
"À
custa de tramoias, de ameaças e de chacinas, os criadores de gado
espoliaram a maioria deles e os remanescentes de vários grupos se viram
obrigados a juntar-se nas terras que lhes restavam, insuficientes para o
provimento da subsistência à base da caça, da coleta e da agricultura
supletiva", diz Ribeiro.
Outros relatos
Feito
em 1967 e só divulgado ao público 45 anos depois, o Relatório
Figueiredo, produzido pelo procurador Jader Figueiredo a pedido do
governo militar, relata o uso de vários tipos de violência contra os
indígenas por membros do órgão que deveria resguardá-los, o Serviço de
Proteção ao Índio (SPI).
Entre
os assassinatos, abusos sexuais, casos de tortura e corrupção
denunciados, o relatório ressalta as acusações de que uma tribo de
índios pataxó do sul da Bahia teria sido levada à extinção por uma
infecção proposital.
"Jamais
foram apuradas as denúncias de que foi inoculado o vírus da varíola nos
infelizes indígenas para que se pudessem distribuir suas terras entre
figurões do governo", aponta o documento.
Em
seu vasto relatório de 2014, a Comissão Nacional da Verdade identificou
entre as causas para a morte de cinco mil índios cinta-larga em Mato
Grosso e Rondônia, a partir da década de 1950, "aviões que atiravam
brinquedos contaminados com vírus da gripe, sarampo e varíola", enviados
por seringalistas, mineradores, madeireiros e garimpeiros, com a
conivência do governo federal.
O
pesquisador Rafael Pacheco cita também casos ocorridos nas últimas
décadas no Paraná e Mato Grosso do Sul, em que proprietários de terra
fizeram chover agrotóxico de um avião sobre as águas, terras e
plantações de tribos avá-guarani, guarani e kayowa, causando sérios
danos à saúde dos índios.
De
suas andanças pelo Brasil entre os anos de 1816 e 1822, o naturalista
francês Auguste de Saint-Hilaire conta uma história ocorrida no vale do
Rio Doce, onde um foragido da Justiça, acolhido de forma amigável pelos
índios botocudos, teria dado a eles objetos infectados de varíola depois
que um chefe indígena se apaixonou por sua filha.
"Muitos
botocudos caíram vítimas dessa horrível perfídia", narra Saint-Hilaire,
acrescentando que a prática era usual em outras regiões do país.
Crédito, Funai Legenda da foto, Antropólogo critica vetos recentes aplicados à lei de proteção às comunidades indígenas em meio à pandemia do coronavírus
Transmissão não proposital e omissão
Para o antropólogo Casé Angatu, as doenças serviram desde o início aos interesses dos colonizadores.
"As
contaminações, propositais ou não, serviram e servem para espoliar
terras indígenas e para o contínuo genocídio dos povos originários",
afirma.
Palmquist
classifica inclusive como criminosa a política de aproximação de tribos
indígenas instalada durante a ditadura, que teria sido diretamente
responsável pelo extermínio de milhares de índios.
"Muito
rapidamente, a Funai se transformou numa promotora da atração,
pacificação e contato com as tribos indígenas, num momento em que já se
sabia quais eram as consequências dessa política."
No
Relatório Figueiredo, a omissão é também destacada como um dentre os
vários crimes cometidos por membros do SPI. "A falta de assistência,
porém, é a mais eficiente maneira de praticar o assassinato", diz o
documento.
Nesse
sentido, Pacheco lembra da desestruturação do sistema de atenção à
saúde no Brasil durante a ditadura, especialmente na década de 1970, num
período em que a política de aproximação das comunidades indígenas
funcionava a todo vapor.
"A
ausência de equipes e estruturas de assistência médica em momentos de
extrema necessidade deve entrar sim na conta dos agentes públicos,
dentre eles o presidente, na medida em que ela expressa uma política do
governo de violar sistematicamente direitos indígenas", declara o
pesquisador.
O
Grupo Arte e Música Espírita, mais conhecido como Grupo AME, é um
dos grupos musicais espíritas mais antigos ainda em atividade no
Brasil. Criado em 1989 por jovens que freqüentavam a Mocidade
Espírita Joanna de Ângelis, da Federação Espírita do Estado do
Ceará, o grupo surgiu no mês de março daquele ano, logo após a
realização do I AME - Arte e Música Espírita de Fortaleza. Já em
1990, o AME gravou o K7 Sementes de Amor, e, em 1993, o disco
Sementes de Amor II, primeiro LP de música espírita do Brasil. Em
1996, o AME lançou o Chamado, primeiro trabalho do grupo lançado em
CD e K7, e também o segundo CD de música espírita lançado no
país. Em 1998 foi a vez do Parnaso, também lançado em CD e K7,
composto por poemas do livro Parnaso de Além-Túmulo de Chico
Xavier, musicados por Tarcísio Lima e Gleika Veras. No ano seguinte,
em comemoração aos dez anos de existência do grupo, o AME lança o
CD Sementes, compilando em um único disco as melhores faixas dos
seus dois primeiros trabalhos, remasterizadas por Marcílio Mendonça.
Seu trabalho mais recente foi o disco Traduções, lançado em 2004,
reunindo composições de Tarcísio Lima, Marielza Tiscate e Gleika
Veras.
A
Estética Musical Espírita
Ao
longo de sua trajetória, o Grupo AME, assim como a maior parte dos
grupos musicais espíritas, manteve-se ligado de forma relativamente
homogênea a uma estética que transita entre o hinário católico e
a música gospel. Por razões até hoje pouco investigadas por
antropólogos e sociólogos, a música espírita, que surgiu nos
conturbados tempos iniciais de chegada e difusão do espiritismo no
Brasil, pouco se diferenciou das orientações estéticas que lhe
serviram de forte influência inicial. Se num primeiro momento as
canções eram de tal forma espelhadas no hinário católico que, a
não ser pelas referências na letra a conceitos espíritas como
"Consolador Prometido", "Terceira Revelação" e
"reencarnação", podiam inclusive confundir-se com elas,
ao longo dos anos o surgimento da música gospel, com um apelo mais
pop, influenciou decisivamente a música espírita a um
redirecionamento nesse sentido, sem que, contudo, fosse deixada de
lado a influência católica. Além disso, a música New Age,
geralmente instrumental e utilizada como som ambiente para meditações
e relaxamentos, teve seu reflexo no trabalho de muitos compositores
espíritas brasileiros.
A
evolução do Grupo AME reflete, em linhas gerais, esse panorama de
diálogo com a tradição musical religiosa do Brasil. Seus trabalhos
iniciais, Sementes de Amor I e II, são compostos por canções
lentas de arranjos simples, cantadas em uníssono e com letras
recheadas de expressões do vocabulário cristão como "Jesus",
"Senhor", "perdão", "servir" e
"irmão". Porém, ao mesmo tempo em que se nota essa clara
identificação com o cancioneiro cristão, já se evidencia também
a presença de sinais claros de diferenciação em relação a ele.
DISCOGRAFIA
Chamado
Chamado
(Marielza Tiscate)
Vinha
de Luz (Francisco Cajazeiras & José Airton Cajazeiras)
Súplica
a Jesus (Adriano Gomes)
Mestre
Amado (Waldir Júnior & Victor Holanda)
Volta
(Tarcísio Lima, Arlindo Araújo, Mário Mesquita & Marcos
Wirtzbiki)
Espírito
de Arte (Socorro de Fátima)
Recorramos
a Jesus (Adriano Gomes)
Cantando
o Teu Natal (Tarcísio Lima & Maria Dolores, psicografado por
Chico Xavier)
Vôo
(Movimento Espírita)
Compromisso
(Gilda Bakker)
Acreditar
(Hércules Bruno)
Sorriso
(Marielza Tiscate)
Cristo
Espera por Ti (Jeová de Aquino)
Hino
ao Espiritismo (Sebastião Avelino de Macedo & Nelson Kerensky)
Parnaso
Parnaso
de Além-Túmulo (João de Deus & Gleika Veras)
Eterna
Mensagem (João de Deus & Tarcísio Lima)
Ajuda
e Passa (Alberto de Oliveira & Gleika Veras)
Alma
Livre (Cruz e Souza & Tarcísio Lima)
Incognoscível
(Antero de Quental & Tarcísio Lima)
Sombra
e Luz (Casimiro Cunha & Gleika Veras)
Mensagem
Fraterna (Auta de Souza & Gleika Veras)
Temos
Jesus (Abel Gomes & Gleika Veras)
Bilhetes
(Belmiro Braga & Tarcísio Lima)
Porta
da Agonia - I - Trágico Segredo (Batista Cepelos & Tarcísio
Lima)
Porta
da Agonia - II - Lamento (Batista Cepelos & Tarcísio Lima)
Porta
da Agonia - III - Nova Aurora (Batista Cepelos & Tarcísio Lima)
Ao
Homem (Augusto dos Anjos & Tarcísio Lima)
Espiritismo
(Casimiro Cunha & Oliver, psicografada por Tarcísio Lima)
Carta
Íntima (Auta de Souza & Tarcísio Lima)
Marchemos
(Castro Alves & Tarcísio Lima)
Sementes
Sempre
a servir (Sílvia Ximenes)
Hino
a Bezerra de Menezes (Movimento Espírita)
Depende
de você (Jeová de Aquino)
Prece
(Antônio Carlos Freixo)
Rumo
ao Pai (Jeová de Aquino)
O
grande papel (Gleika Veras)
Música
(Gerly Anne & Gleika Veras)
Compromissos
(Tarcísio Lima)
Doutrina
Espírita (Sidrônia Maria)
Sem
lágrimas de dor (Adonai Mello)
Adeus
(Hércules Bruno & Auta de Souza, psicografado por Chico Xavier)
Além
da noite (João Cabete)
O
Senhor vem (Socorro de Fátima & Auta de Souza, psicografado por
Chico Xavier)
Nova
Geração (Adriano Gomes)
Certeza
(Luciano Klein & Expedito Brito)
Seres
imortais (Adriano Gomes)
Existir
(Gleika Veras)
Prelúdio
para a evolução (Movimento Espírita)
Quedas
e acertos (Tarcísio Lima)
Acredite
no amor (Egerton Telles & Expedito Brito & Francisco Torres)
Coluna Releituras kardecistas com Marcio Sales Saraiva
Um
dos pilares do espiritismo é a convicção de que existe uma pluralidade
de mundos habitados e não somente o planeta Terra, onde atualmente
vivemos. Isso é inequívoco em “O livro dos espíritos”, na questão 55:
“Todos os globos que circulam no espaço são habitados?
— Sim,
e o homem terreno está bem longe de ser, como acredita, o primeiro em
inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam
espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio
de ser habitado por seres racionais. Orgulho e vaidade! Creem que Deus
criou o universo somente para eles.”
Orgulho e vaidade é achar que o universo é todo nosso. Esta é a resposta dos espíritos.
Não se trata, é óbvio, de mundos iguais à Terra. Os espíritos dizem que “eles absolutamente não se assemelham” (questão 56, LE) com o nosso planeta azul.
Os seres que habitam estes outros mundos também não são iguais aos humanos terráqueos, da mesma forma que “os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar” (questão 57, LE). Kardec explica que “As condições de existência dos seres nos diferentes mundos devem ser apropriadas ao meio em que têm de viver”. Nada mais lógico do que isso.
Jesus de Nazaré disse: “Não
se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa
de meu pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito” (João 14:1,2).
Casa de Mozart em Júpiter, publicada na Revista Espírita, ano 1858.
Allan Kardec, em “O evangelho segundo o espiritismo”
(OESE), capítulo 3, está consciente de que há possibilidades diferentes
de interpretação desta passagem, mas o fundador sinaliza para a
primeira leitura:
“A
casa do pai é o universo. As diferentes moradas são os mundos que
circulam no espaço infinito, oferecendo aos espíritos desencarnados
estações apropriadas ao seu adiantamento” (OESE 3:1).
Sendo
o universo a morada da divindade, nele encontramos pluralismo de
populações. A Terra é apenas uma delas. Há diversidade de mundos
habitados e cada um tem desenvolvimento cognitivo e espiritual distinto,
pois
“[…]
há os que são ainda inferiores à Terra, física e moralmente. Outros
estão no mesmo grau, e outros lhe são mais ou menos superiores, em todos
os sentidos. Nos mundos inferiores a existência é toda material, as
paixões reinam soberanas, a vida moral quase não existe. À medida que
esta se desenvolve, a influência da matéria diminui, de maneira que, nos
mundos mais avançados, a vida é por assim dizer toda espiritual” (OESE 3:3).
E
nessa diversidade de mundos inferiores à Terra e outros que lhes são
superiores, há os mundos intermediários, mais ou menos como o nosso, “o bem e o mal se misturam, e um predomina sobre o outro, segundo o grau de adiantamento em que se encontrarem” (OESE 3:4).
A
convicção espírita sobre a pluralidade de mundos habitados é bem
anterior aos modismos ufológicos do século XXI e ainda não encontra uma
resposta positiva na ciência, apenas indícios ou razoabilidade
filosófica. Em outras palavras, a ciência humana ainda não tem fatos
concretos que corroborem essa convicção espírita que nasce com as
comunicações dadas pelos espíritos, alguns inclusive de outros planetas.
Ainda
sem o respaldo da ciência, o espírita poderá deixar essa convicção
“pendurada” até que o tempo possa ou não confirmar. É uma hipótese
válida, mas não sendo o espiritismo dogmático, ele não poderia exigir de
seus adeptos uma crença cega nesse ponto, apenas uma abertura mental e
uma confiança no que dizem os espíritos sobre o assunto.
É
importante compreender isso porque o tema caiu no ridículo e não faltam
médiuns dispostos a psicografar sobre coisas de outros planetas,
incluindo naves estelares de Júpiter, que não encontram respaldo nas
ciências deste mundo e nem no bom senso, na razoabilidade.
Sendo
assim, façamos como Allan Kardec e tenhamos sempre um pé atrás quando
alguém diz falar em nome de “espíritos de outros planetas” ou que já
testemunhou comunicações com “extraterrestres”. Não vamos confundir as
pesquisas sérias neste campo, como o Paradoxo de Fermi e a hipótese do
zoológico —e é com elas que o espiritismo deve dialogar—, com algumas
viagens alucinógenas sobre espíritos de supostos comandantes de frota
intergalácticas. “Tudo temos de ter cautela”, disse Titão Passos em “Grande sertão: veredas” de Guimarães Rosa. E assim deveria ser no espiritismo que leva a sério o legado de Allan Kardec.
Já
é sabido de muita gente que pesquisadores espíritas e ufólogos
apresentam muitos interesses em comum, ainda que nem sempre eles
sejam colocados claramente. Apesar disto, o tema ufologia ainda
encontra alguma resistência no meio espírita e, para sabermos mais
sobre o assunto, conversamos com o médium, escritor e pesquisador
Pedro de Campos.
Pedro
de Campos, que se
diz particularmente interessado no tema da evolução humana,
conheceu o Espiritismo aos 13 anos, desenvolvendo sua mediunidade.
Tornou-se um dos importantes pesquisadores do Espiritismo científico
e de Ufologia da atualidade, psicografando três livros sobre o tema:
Colônia Capella – A
Outra Face de Adão
(EspíritoYehoshua Bem Nun), Universo
Profundo – Seres Inteligentes e Luzes no Céu
(Espírito Erasto) e UFO
– Fenômeno de Contato
(Espírito Yehoshua Bem Nun).
(separamos
as perguntas em negrito, e as respostas em texto normal)
Você
entende que devia haver uma aproximação maior entre o Espiritismo e
a Ufologia, no sentido de se estudar melhor e com mais profundidade
os eventos e fenômenos que ocorrem em cada um deles?
Do
meu ponto de vista, acredito que a primeira coisa que se deva
procurar é um entendimento mais amplo do que seja a pluralidade dos
mundos habitados de que fala a Doutrina Espírita, com todas as suas
variações, sem preconceito algum. E isso é algo que nós,
espíritas, devemos fazer.
Do ponto de vista científico,
podemos dizer que no universo há bilhões de planetas; uma
infinidade deles pode ter condições semelhantes às nossas. A vida
neles pode ter surgido e evolucionado até o patamar inteligente, com
realizações técnicas tão avançadas que talvez sejam difíceis
até de imaginar.
Contudo, do ponto de vista físico, por ter
evolucionado num mundo semelhante ao nosso, o ser extraterrestre, por
mais adiantado que seja, ainda seria uma criatura de corpo sólido,
denso como o nosso, para não dizer de carne e osso.
Mas
além dele, a Doutrina Espírita fala também de um ser menos
material que habita os planetas do sistema solar, vivendo ali num
regime de encarnação e desencarnação, por assim dizer. E a nossa
ciência diz que não há vida de carne e osso neles, nem tampouco
detectou seres alados volitando de um lado para o outro do orbe.
Então, essa criatura menos material de que fala o Espiritismo deve
ter um corpo muito diferente do nosso, postado em outra dimensão do
espaço-tempo. E deve ter evolucionado de uma maneira que nos seria
totalmente desconhecida. Para considerar a existência dessa
criatura, com características assim tão impalpáveis, precisamos
dar a ela um outro nome, para não misturar as coisas. O espírito
Erasto chamou de ultraterrestre essa criatura e registrou isso no
livro Universo
Profundo.
Os
Espíritos da Codificação falaram desse tipo de vida. E quando ela
for entendida de modo filosófico, então vamos aceitar que os seres
ultraterrestres vivem em esferas sutis, evolucionando num regime de
pluralidade de existências. E por estarem vivos, a reprodução da
espécie deve ser coisa normal, para que haja continuidade da vida.
Normal também seria o estudo e o desenvolvimento da tecnologia, a
qual poderia já ter atingido um patamar bem avançado. Se
considerarmos isso, então vamos ver que os objetos voadores não
identificados, os ÓVNIs, poderiam ser a expressão técnica dessas
civilizações mais adiantadas, vibrando numa faixa totalmente
desconhecida da nossa ciência.
O conceito filosófico do
Espiritismo e suas práticas experimentais podem dar uma nova base de
sustentação para entendimento dos fenômenos ufológicos. E a
investigação científica desse tipo de vida poderia aproximar
Espiritismo e Ufologia.
Como
poderia ocorrer essa aproximação?
Primeiro
teria de haver a leitura das obras de Kardec e a dos bons livros de
Ufologia. Em termos de investigação prática, quem leu o livro
Universo Profundo
viu que o nosso querido Erasto deu uma visão espírita mais ampla
dos fenômenos. E, no final do livro, o autor espiritual deixou um
Projeto Contato, com o qual o tema poderia ser articulado de modo
científico, pois os tempos atuais exigem novas abordagens, com
técnicas refinadas de pesquisa. A Ufologia não é uma atividade
para ser feita num recinto fechado, como no do Centro Espírita. Os
fenômenos acontecem lá fora, no aconchego da natureza terrestre.
Por isso é preciso ir a campo e investigar com metodologia
apropriada.
Seu
livro Universo
Profundo: Seres Inteligêntes e Luzes no Céu
é apresentado como “uma visão espírita da ufologia”. Trata-se
de um tema delicado no meio espírita, uma vez que muitas pessoas não
gostam de tocar em questões ligadas a OVNIs e extraterrestres. Como
você vê essa questão? Foi difícil para você chegar até essa
abordagem?
Por
que será que o assunto é delicado? Por que será que as pessoas não
gostam de tocar essa questão? Há de se ter motivos para isso.
Comigo acontecia o mesmo. Para falar do assunto com a devida
propriedade eu me ressentia da falta de um livro-suporte que me desse
os fundamentos doutrinários.
Lembro-me de certa ocasião
em que Jether Jacomini, em seu programa de rádio, na Rede Boa Nova,
perguntou-me nos bastidores se eu poderia falar sobre abdução, um
tema intrigante que não poderia mais ser adiado. Foi nesta ocasião,
dentro das Casas André Luiz, que senti a disposição da
espiritualidade em resolver isso. A resposta veio de Erasto,
posteriormente. Então, a questão toda ficou fácil de entender, mas
ainda assim difícil de aceitar. Somente um estudo acurado e
reflexivo da obra Universo Profundo, procurando os fundamentos na
Doutrina Espírita, é que poderá resolver isso.
Se o
encarnado não estiver preparado para entender a questão ufológica
agora, isso se deve a ele próprio; a espiritualidade já se
manifestou abertamente, não há mais razão para insegurança ao
tratar o tema. O certo é que o público vai querer saber, e o
divulgador espírita precisará explicá-lo. Para isso, é preciso
encarar a situação, estudar o tema e formar opinião para
divulgá-lo com segurança.
Quais
você considera que são as mais importantes e evidentes conexões
entre a Ufologia e o Espiritismo? Existem fenômenos comuns a
ambos?
A
maior de todas as conexões é que ambos os fenômenos, espírita e
ufológico, procedem de um mundo invisível e têm como protagonistas
seres inteligentes. Assim, casos como os de aparição, de
materialização, de transporte, levitação, de telepatia e ainda de
outros, são comuns a ambos. Mas o mais intrigante, para nós
espíritas, é que em meio aos fenômenos comuns existem aqueles
destoantes, ocorrências novas, não tratadas na época da
codificação, tais como discos voadores, os contatos imediatos com
seres humanóides, os eventos surpreendentes de abdução e os
insólitos implantes e experiências alienígenas. Isso tudo, Erasto
comenta e nos esclarece, mostrando as conexões, as diferenças e os
porquês, sempre se posicionando fundamentado na Doutrina Espírita,
desenvolvendo os temas com explicações racionais, capazes de
aclarar os pontos obscuros.
Mensagens e
comunicações
No que se refere ao contato entre os
ultraterrestres e nós, é preciso destacar também as possíveis e
prováveis diferenças entre as mensagens recebidas dos seres de
outros mundos e aquelas recebidas dos Espíritos. Em seus livros,
Pedro de campos também se referiu ao assunto, e nos esclareceu seus
pontos de vista.
Você
fez uma distinção entre as canalizações de mensagens dos
ultraterrestres e as mensagens dos Espíritos. Quais seriam e de que
forma seria possível detectar essas diferenças?
Quem
ler o livro UFO:
Fenômeno de Contato,
vai conhecer muita coisa nova. A canalização é tema abordado em
capítulo específico. Numa curta definição, podemos dizer que
“canalizar é recepcionar e interagir com um pensamento inteligente
de natureza extrafísica”. Isso quer dizer que tanto o Espírito
pode ser canalizado quanto o ser ultraterrestre. As diferenças entre
as duas entidades são muitas. Elas também são tratadas no recente
livro.
O conteúdo e o modo de transmissão das mensagens
são algo diferente. Uma comunicação cujo conteúdo esteja recheada
de termos expressivos, mas com muita fabulação sobre as energias e
planos existenciais, denotando no fundo não sair do terra-a-terra,
por lógica não poderia vir de uma entidade evoluída de outra
esfera. Nesse caso, o mais provável é que seja um embuste
espiritual. Nesse caso, o dirigente, amparado por seus guias, deve
encaminhar o embusteiro à sessão apropriada, para doutrinação e
afastamento. Espíritos podem fazer aparições e executar outras
atividades, mas não usam naves espaciais estruturadas para se
comunicar.
Os ultraterrestres não incorporam, mas se
comunicam por telepatia. Tampouco o fazem por psicografia. Os que
assim precedem estão na erraticidade, são Espíritos desencarnados,
seja de que orbe for do infinito. Se um Espírito de outro orbe
incorporasse o médium, ele teria de usar o aparato físico mediúnico
para se comunicar. Para falar, teria de dominar a escrita. Como não
sabe o idioma e tampouco nossa escrita, não poderia fazê-lo. Mas
tanto um Espírito de outro orbe quanto um ser ultraterrestre,
comunicando-se por telepatia, poderia passar a imagem mental ao
médium, e esta não precisaria de idioma algum para ser entendido.
Nessa condição, o médium interpretaria a mensagem segundo sua
própria cultura, conforme sua intuição, seu sentimento e sua
clarividência. Contudo, para fazer isso é preciso que o sensitivo
tenha vários dotes mediúnicos bem desenvolvidos, além da ajuda de
seu guia espiritual, para validar a mensagem. Caso a entidade denote
característica ultraterrestre na comunicação, então a prova só
pode ser aceita com a demonstração da nave nos céus, de modo que
ela fique bem nítida para todos.
Diferente do
Espiritismo, a Ufologia é estudo do objeto voador não identificado,
o chamado OVNI ou UFO. Por isso, o que identifica sem equívoco o
alienígena é a sua nave. Enquanto a criatura não materializar a
nave e disser por si próprio a que veio, qualquer outra comunicação
canalizada poderia ser considerada como vinda de Espírito errante.
Sem a nave, não há fenômeno ufo. E sem ufo, não há certeza da
criatura ser alienígena.
Você
se referiu ao fato dos ultraterrestres poderem se comunicar por
telepatia, mas que isso raramente ocorre nas Casas Espíritas. Não
seria de se esperar que os médiuns tivessem mais possibilidade de
receber essas mensagens telepáticas ou canalizações?
Os
médiuns espíritas podem captar perfeitamente mensagens de
ultraterrestres. Mas é preciso entender primeiro o porquê disso ser
raro nos Centros Espíritas. É muito importante lembrar que a prova
definitiva de uma canalização só pode ser dada com a aparição da
nave em campo aberto. Caso contrário, a comunicação ficaria
duvidosa para todos. Dentro de um ambiente fechado, não haveria como
fazer isso, não daria para ver a nave nos céus. E dentro das
cidades, isso seria uma atividade inviável, haveria pânico. Além
disso, trata-se de fenômeno físico, para o qual há riscos. Uma
pessoa não preparada poderia não suportar o choque emocional.
Primeiro é preciso a permissão do plano espiritual maior para
realização de qualquer atividade espírita conjugada à
Ufologia.
Por
se encontrarem em dimensões “mais sutis”, o contato entre
ultraterrestres e Espíritos não seria mais fácil e simples de
acontecer do que destes conosco, especialmente quando falamos dos
ultraterrestres moralmente evoluídos?
Apenas
por uma questão de lógica, seres evoluídos deveriam ter mais
facilidade de comunicação entre si do que nós com eles; a nossa
dificuldade para isso é grande. Mas no que respeita à comunicação
entre Espíritos e seres ultraterestres, não me parece possível
estabelecer uma regra geral e com isso dizer que seja mais fácil ou
mais difícil o contato.
Entre os Espíritos há vários
graus de refinamento. E cada qual estagia numa estratificação
diferenciada do outro. O de peso específico maior não consegue
subir a paragens mais rarefeitas. O peixe não respira fora da água,
mas o homem submerso tem artifícios para fazê-lo. O Espírito mais
evoluído pode descer a camadas de vibração inferior, enquanto que
o de lá não conseguiria subir. Assim se compreende que numa certa
dimensão espiritual há várias estratificações, como se fossem
planos de uma extensa escada. Essa concepção ascendente é válida
para todos os Espíritos ainda em estágio de depuração, seja de
que orbe for do infinito.
No livro Universo
Profundo, o autor
espiritual nos ensina que “uma outra dimensão é um outro mundo”.
Para se ir a outra dimensão há de se ter condições para fazer
isso, quer seja uma entidade, quer seja outra. A seu turno, cada
classe de ultraterrestre estagia numa dimensão específica. As
classes mais altas podem descer para níveis mais baixos. Mas isso
não significa que essa movimentação dos ultraterrestres se faça
na esfera dos Espíritos da Terra; a dimensão é outra. Um está
encarnado, por assim dizer, e o outro, desencarnado. Quando a
movimentação alienígena se faz no ambiente terrestre, acontecem os
fenômenos luminosos, os fantásticos objetos voadores não
identificados que vemos nos céus. É fácil o entendimento, mas a
aceitação disso pelos encarnados pode ser muito difícil.
Os
Ultraterrestres
Para explicar o que são exatamente os
ultraterrestes e qual a diferença entre esses seres e os Espíritos
aos quais se refere o Espiritismo, Pedro de Campos começa dizendo
que primeiro é preciso entender o que é extraterrestre.
“Este
seria uma criatura de fora do planeta Terra”, ele diz, “mas um
ser de corpo sólido como o nosso, sem necessidade de ser igual na
aparência e na constituição orgânica. Mas ainda assim uma
criatura de natureza física material”.
“O
ultraterrestre seria uma criatura também de fora do planeta Terra,
mas um ser de corpo incomum, de corpo menos material que o nosso,
como denomina o Espiritismo. Uma criatura de natureza extrafísica,
invisível para nós, assim como o são os espíritos. Essa criatura
seria habitante das esferas sutis de outros planetas do nosso sistema
solar, como também das profundezas etéreas do universo. Seria um
ser vivente de outra dimensão do espaço-tempo, cujo corpo
constituído de antimatéria cresce, se reproduz, envelhece e morre.
Como exemplo, citamos as criaturas encarnadas mencionadas por Kardec
na nota de rodapé da pergunta 188 de O
Livro dos Espíritos”.
(1)
“Os espíritos, por sua vez, são inteligências
errantes, ou seja, seres que não estão revestidos de forma corpórea
alguma, senão a forma perispiritual. Salvo os espíritos puros, que
não precisam mais reencarnar, todos os demais, para evoluir, devem
voltar a uma forma corpórea. Essa forma corpórea pode ser de
matéria sólida, como a dos homens e a dos seres extraterrestres
descritos, ou pode ser de antimatéria, a qual é sutil, etérea,
como a dos seres ultraterrestres mencionados. O espírito quando
desencarnado aguarda seu retorno à vida corpórea nas colônias
espirituais, onde ali vive sem que haja procriação, porque
espíritos não se reproduzem, são obras do Criador. No Apêndice do
livro Universo Profundo
há um quadro sintético que mostra objetivamente as diferenças
entre espírito e o ser ultraterrestre”.
1-
Livro dos Espíritos – Questão 188
188.
Os Espíritos puros habitam mundos especiais, ou se encontram o
espaço universal, sem estarem ligados de modo particular a nenhum
mundo?
“Habitam mundos determinados, mas não lhes ficam
presos, como o homem à Terra; melhor que os outros, podem ir a toda
parte.”(1)
1)
Nota de Kardec:
De todos os globos que constituem o nosso
sistema planetário, segundo os Espíritos, a Terra é daqueles cujos
habitantes são menos adiantados, física e moralmente; Marte lhe
seria ainda inferior, e Júpiter, muito superior, em todos os
sentidos. O Sol não seria um mundo habitado por seres corpóreos,
mas um lugar de encontro de Espíritos superiores, que de lá
irradiam seu pensamento para outros mundos, que dirigem por
intermédio de Espíritos menos elevados, com os quais se comunicam
por meio do fluído universal. Como constituição física, o Sol
teria um foco de eletricidade. Todos os sóis, ao que parece,
estariam nas mesmas condições.
O volume e o afastamento
do Sol não têm nenhuma relação necessária com o grau de
desenvolvimento dos mundos, pois parece que Vênus está mais
adiantado que a Terra e Saturno menos que Júpiter.
Muitos
Espíritos que animaram pessoas conhecidas na Terra disseram estar
reencarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição
e é de se admirar que num globo tão adiantado se encontrem homens
que a opinião terrena não considerava tão elevados. Isto, porém,
nada tem de surpreendente, se considerarmos que certos Espíritos,
que habitam aquele planeta, podiam ter sido enviados à Terra em
cumprimento de uma missão que, aos nossos olhos, não os colocaria
em primeiro plano; em segundo lugar, entre a sua existência terrena
e a de Júpiter podiam ter tido outras, intermediárias, nas quais se
tivessem melhorado; em terceiro lugar, naquele mundo como no nosso,
há diferentes graus de desenvolvimento, e entre esses graus pode
haver a distância que separa entre nós o selvagem do homem
civilizado. Assim, do fato de habitarem Júpiter, não se segue que
estejam no nível dos seres mais evoluídos, da mesma maneira que uma
pessoa não está no nível de um sábio do Instituto, pela simples
razão de morar em Paris.
As condições de longevidade
não são, por toda parte, a mesmas da Terra, não sendo possível a
comparação de idades. Uma pessoa falecida há alguns anos, quando
evocada, disse haver encarnado, seis meses antes, num mundo cujo nome
é desconhecido. Interpelada sobre a idade que tinha nesse mundo,
respondeu: “Não posso calcular, porque não contamos o tempo como
vós; além disso, o nosso meio de vida não é o mesmo;
desenvolvemo-nos muito mais rapidamente; tanto assim, que há apenas
seis dos vossos meses nele me encontro, e posso dizer que, quanto à
inteligência, tenho trinta anos de idade terrena”.
Muitas
respostas semelhantes foram dadas por outros Espíritos e nada há
nisso de inverossímil. Não vemos na Terra tantos animais adquirirem
em poucos meses um desenvolvimento normal? Por que não poderia
dar-se o mesmo com o homem, em outras esferas? Notemos, por outro
lado, que de trinta anos, talvez não seja mais que uma espécie de
infância, comparada ao que ele deve atingir. É preciso ter uma
visão bem curta para nos considerarmos os protótipos da Criação,
e seria rebaixar a Divindade acreditar que, além de nós, ela nada
mais poderia criar.
Os ÓVNIS na Visão
Espírita
Pedro de Campos lembra que Kardec não falou de
objetos voadores que aparecem nos céus e se materializam, porque
isso só ganhou destaque na sociedade humana depois da Codificação,
iniciada em 1857.
Contudo, Kardec registrou que seres
inteligentes se manifestam na Terra, que todos os orbes do infinito
são habitados e que os Espíritos estão ali encarnados numa forma
corpórea. Registrou que nesses mundos menos materiais o Espírito
encarna, revestido de um corpo também menos material. Assim, nesses
mundos a criatura nasce, cresce, se reproduz, morre e reencarna.
Kardec citou Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, os orbes radiantes e
as profundezas etéreas do cosmos. A conclusão, diz Campos, é que,
assim como o homem não foi colocado pronto na Terra – mas nela
evolucionou por longos períodos e aqui desenvolveu tecnologia
avançada, como aviões, foguetes, etc. – nos outros mundos do
universo deve ter acontecido processo semelhante, seguindo a mesma
lógica de raciocínio. Assim, ÓVNIS que aparecem na Terra, com a
visão evolucionista que nos dá o Espiritismo, seriam resultado da
evolução tecnológica daqueles seres inteligentes.
Fonte:
Livro dos Espíritos – Questão 188 / Revista Espiritismo &
Ciência – Vida em Outros Mundos
Com direção de Wagner de Assis, o longa é produzido pela
Cinética Filmes com coprodução da Star Original Productions e
distribuição pela Star Distribution
Fonte: Cinética Filmes
Começaram as filmagens da nova
produção sobre as pioneiras do espiritualismo, as Irmãs Fox. Escrito e
dirigido por Wagner de Assis, o filme conta a trajetória das três
mulheres americanas que tiveram um importante papel na origem do Moderno
Espiritualismo Ocidental. Katherine “Kate” Fox, Leah Fox e Margaret
“Maggie” Fox são conhecidas, principalmente, pelas “mesas girantes” – um
fenômeno da natureza mediúnica amplamente difundido na Europa e nos
Estados Unidos e iniciado em 31 de março de 1848 por uma das irmãs.
“Há uma relevância enorme em ver como, desde aqueles tempos, temos
algumas coisas que não mudam: as mulheres pioneiras, um mundo em busca
de respostas para suas questões mais profundas – de onde viemos, para
onde vamos, qual o sentido de nossas vidas – assim como erros e acertos
com questões espirituais”, comenta o diretor Wagner de Assis. “Vamos
filmar o início do que o escritor Arthur Conan Doyle batizou de ‘uma
invasão organizada’ dos espíritos. Só que essa invasão teve um preço que
resulta na incrível história épica dessas mulheres. O filme é, também,
uma retratação histórica que destaca o valor e esforço delas por uma
causa humana e espiritual em função de um mundo melhor”, completa.
Kate, Leah e Maggie Fox serão interpretadas pelas atrizes americanas
Jamie Hughes, Sionne Elise e Marie Mchugh, respectivamente. As filmagens
ocorrem nos interiores de casarões do Rio de Janeiro (RJ) que remetem à
época do filme e os exteriores serão rodados em fazendas e cidades
antigas dos Estados Unidos.
Irmãs Fox é um longa-metragem sobre as três irmãs
pioneiras do espiritualismo ocidental: Katherine "Kate" Fox (Jamie
Hughes), Leah Fox (Sionne Elise) e Margaret "Maggie" Fox (Marie Mchugh).
Em meados de 1848, a vida das três irmãs muda completamente quando a
casa em que moravam com os pais em Hydesville, Nova York, começa a
sofrer fortes barulhos e estrondos sem nenhuma explicação. Como os
barulhos não findavam, Kate, decide se comunicar com os sons que ouvia
e, para sua surpresa, obteve uma conversa com o espírito que causava
todos aqueles barulhos e o mesmo revelou ser o antigo dono daquela
propriedade.
Assustados com o que acontecerá, os
pais, junto com as meninas, decidem se mudar para uma outra casa, dessa
vez em Rochester. Para o espanto de todos, os mesmos barulhos
continuavam a aparecer só que agora a conversa não se baseava em um
espírito apenas, mas sim, em vários e a comunicação era feita entre Kate
e Maggie.
Por conta desses acontecimentos que muitos
achavam ser maldição, rapidamente as irmãs ganharam fama e foram
procuradas pela imprensa e por cientístas curiosos para investigar o quê
as meninas faziam e como. Elas contaram com a ajuda da irmã mais velha,
Leah, que até o momento não havia apresentado sinais de mediunidade, e a
mesma organizava as apresentações e sessões espíritas que as outras
duas irmãs faziam.
As irmãs Fox foram, por diversas
vezes, ridicularizadas, descredibilizadas e submetidas a diversos tipos
de provas inimagináveis para se provarem mulheres comuns e não
charlatãs.
Na foto, Jamie, Sionne e Marie reproduzem a clássica foto de Leah, Maggie e Kate Fox (Créditos: Ique Esteves)