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quarta-feira, 17 de junho de 2009

-->EM DEBATE: O Futuro da RELIGIÃO



"No futuro, a religião será uma só e se chamará fraternidade"
Paulo Roberto Viola (Para a Revista "Além da Vida")

O QUE PENSAM OS DIFERENTES CREDOS:

““Qual a sua Religião? ”Meu Deus é você, e minha religião é o amor”
Resposta de Teresa de Calcutá ao ser indagada por um paciente portador de chagas pelo corpo, que ela fraternalmente beijou.

COMO PENSA A IGREJA DO BENTO 16

Na Inglaterra, um ex-jornalista, que estudou na Universidade de Oxford, e alcançou o grau de Mestrado em Literatura Inglesa, hoje com 51 anos de idade, membro do mosteiro beneditino Christ is the King (Cristo é o Rei), fundou e se tornou líder espiritual da Comunidade Mundial de Meditação Cristã (The World Community for Christian Meditation), de natureza ecumênica, que possui 27 centros de meditação em todo o mundo. Seu nome, Dom Laurence Freeman, monge da Ordem de São Bento - OBS (denominado beneditino), um peregrino do Ecumenismo, que já viajou a diversos países e encontrou-se várias vezes com o líder oriental Dalai Lama, com quem também praticou a meditação e mantém relacionamento fraterno.
Em entrevista que concedeu numa de suas vindas ao Brasil, Dom Laurence disse que “a meditação é universal, existe em todas as religiões. Ela une a cabeça ao coração. O silêncio, a tranqüilidade e a simplicidade são elementos que permitem o encontro com a presença de Deus de uma maneira que tenha significado, forma e propósito para tudo o que vamos fazer e para tudo o que somos”.
Dom Laurence reconhece “há diferentes formas de se chegar a Deus” e que “nos últimos anos houve uma retomada cristã muito grande”.
Essa liderança internacional que o famoso monge beneditino inglês assumiu dentro da Igreja Católica Romana, na verdade, impulsiona em nossos dias os ideais superiores do Pontífice João 23 expressos no Concílio Vaticano 2º, que instituiu, no âmbito dos católicos, o diálogo inter-religioso entre as religiões, posteriormente confirmado pelo Papa João Paulo 2º, o primeiro a pregar numa igreja luterana e numa mesquita, e, também, o primeiro a visitar o Muro das Lamentações em reiteradas manifestações em favor de uma aproximação fraterna das religiões.
O teólogo católico Dom Brian Farell, em manifestação ao público de seu credo, disse que é recomendada “a instituição de Comissões Ecumênicas em todas as Dioceses, e aos níveis nacionais e regionais, ou pelo menos a designação em cada Diocese, de um delegado encarregado de promover o espírito ecumênico e os relacionamentos intereclesiais”.

O ECUMENISMO NÃO É UM LIQUIDIFICADOR

Porém, o veterano bispo-auxiliar do Rio de Janeiro, Dom João D’Ávila, hoje com 86 anos, que até recentemente trabalhava no Palácio São Joaquim, ao lado do Cardeal, em entrevista que concedeu a um jornal de paróquia há alguns anos, advertiu: “A doutrina da caridade exige que olhemos a todos como irmãos. O ecumenismo é uma resposta ao desejo de Jesus de que todos sejamos um. Mas essa unidade não se consegue de repente: exige sacrifício. O ecumenismo, porém, não é uma espécie de liquidificador, em que se põem dentro todas as religiões e sai uma mistura. O ecumenismo parte da afirmação de que queremos a revelação trazida por Jesus”. E aqui reside uma questão fundamental, que muita gente lida com confusão de entendimento. Ecumenismo é a união na convergência, deixando-se de lado as divergências, que devem ser substituídas pelo diálogo fraterno e pelo respeito.
O atual Pontífice Bento 16 reafirmou, em abril de 2004, como objetivos importantes de seu pontificado, o diálogo ecumênico para avançar na direção da unidade dos cristãos e o diálogo local e internacional com outras religiões. Aos representantes de outras religiões o Papa Bento 16 expressou seu desejo de "continuar construindo pontes de amizade”.
Este o pensamento, ou, pelo menos, a posição oficial da Igreja Católica, a Religião mais hegemônica do Planeta durante a Idade Média e, ainda, o maior credo do mundo em quantidade de fiéis, contando atualmente mais de 2 bilhões de adeptos.

A POSIÇÃO FRATERNA DOS IRMÃOS ISLÂMICOS

“Deus é um só e Maomé é o seu Profeta”. Quanto aos nossos irmãos islâmicos, que professam a segunda maior Religião do Planeta, com aproximadamente 1,3 bilhão de fiéis, o ideal de fraternidade também se verifica presente, pois segundo o lema dos islâmicos “Deus é um só e Maomé é o seu profeta”. Al Furqan, a primeira página Islâmica em Portugal, com divulgação pela Internet anunciou: “Os não-muçulmanos são obrigados a respeitar todos os povos, indistintamente, mas, em especial aqueles que têm fé e consciência de Deus, nomeadamente aqueles que receberam mensagens de Deus. Os Judeus e os Cristãos são considerados como "povos do Livro". O Alcorão diz aos Muçulmanos que tratem os "povos do Livro" com respeito e os informem, em termos moderados, a respeito de adoração de um só Deus, e trabalhem juntos para a solução de muitos problemas existentes na sociedade.
O escritor espírita Hermínio Miranda contou à Revista Além da Vida, que em sua viagem ao Egito, estava, no Cairo, em companhia de mulçumanos, visitando a Mesquita do Alabastro, acompanhado de um guia islâmico, onde tirou os sapatos e lavou as mãos, antes de entrar, conforme exige a tradição. Depois de visitar a Basílica e extasiado com a beleza arquitetônica do templo, com ricos tapetes e “maravilhoso ambiente místico”, Hermínio disse ao guia, que gostaria de ficar a sós por uns instantes para orar ali naquela Mesquita. Surpreso, o guia o interpelou: “mas o senhor não é cristão?”... Hermínio, então, explicou que o Deus que ele acreditava era o mesmo Alah dos islâmicos, apenas com nome diferente, dando, com isso, um exemplo bastante característico de ecumenismo para o seu interlocutor...
“Sempre admirei a fidelidade dos islâmicos a Deus”, disse o famoso escritor. Sobre o ecumenismo ele acha que o povo de Deus deve ser reeducado, através de seus líderes religiosos, para a tolerância, advertindo que “Política e religião é uma mistura explosiva e aí está o problema, porque todas as religiões acabam fazendo política”. E concluiu: “o dia em que as criaturas aceitarem a reencarnação o mundo será outro. Dizem que é uma doutrina ‘subversiva’ porque mexe com muita coisa. Já imaginou o dia em que os políticos a compreenderem e a aceitarem? Com certeza, não fariam o que hoje estão fazendo”...

A OPINIÃO FAVORÁVEL DOS IRMÃOS " REFORMISTAS "(*)

“Ecumenismo é uma forma de espiritualidade. Agradecemos a Deus por este despertamento”.

No âmbito das demais religiões, a disposição de aproximação e diálogo não é menos significativa. Em maio de 1977, o pastor Ervino Schmidt da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), disse, na função de Secretário Executivo do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) que “o Ecumenismo" carrega em si a preocupação de que tenhamos nossa casa como terra habitável. Ela será habitável se derrubarmos, a partir do Evangelho, todo tipo de preconceito, todos os muros de separação, e se nos empenharmos por justiça, paz e integridade da criação. (...) De maneira mais abrangente, também é empregado para designar o diálogo entre todas as religiões (...) Percebe-se, cada vez mais, que o ecumenismo é uma forma de espiritualidade. Brota do amor a Jesus e às irmãs e irmãos. Agrademos a Deus por este “despertamento”.
Por sua vez, o Pastor e líder presbiteriano, Nehemias Merien, formado em teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana , em Campinas, SP, mestre em ciências bíblicas pela Escola Bíblica de Jerusalém e pela Universidade de Nottingham, na Inglaterra e considerado um dos mais notáveis presbiterianos em exegese bíblica, também foi enfático: “Penso no reconhecimento de um permanente pentecostes, deixando o Espírito agir com plena liberdade. O caminho das pedras está na fórmula de Melacthon, cérebro da reforma Protestante: “unidade no que é essencial, liberdade naquilo que é duvidoso e a caridade em todas as coisas”. Acho este o caminho do ecumenismo”.

(*) expressão usada por Chico Xavier no Programa “Pinga Fogo”, em 1971, quando se referiu aos chamados fiéis “Evangélicos”, que resultaram da Reforma Protestante, no século 16, e de suas inúmeras e posteriores facções.

A MANIFESTAÇÃO DE BOA VONTADE DOS CULTOS AFRO

Entre nós, brasileiros, as religiões que deitam raízes em culturas genuínas, como é o caso dos cultos afro-brasileiros, a disposição de boa vontade para uma aproximação com as demais religiões não é muito diferente. Pouco antes de desencarnar, em julho de 2004, aos 96 anos de idade, o mais antigo sacerdote afro em nosso País, Agenor Miranda Rocha, ou simplesmente Pai Agenor (olwuô: dono dos segredos), professor de matemática, poeta, cantor lírico e formado por antigos líderes religiosos da Bahia, na década de 1930, considerado um dos importantes e respeitados sacerdotes dos cultos afro-brasileiros, disse: “Essa aproximação das religiões só vem comprovar a existência de um só Deus. E é partindo deste ponto que devemos unir todas as religiões, porque todas são manifestações do mesmo Pai”.

A DOUTRINA ESPÍRITA PARTILHA DO ESFORÇO DE UNIÃODE TODAS AS RELIGIÕES

Finalmente, o Espiritismo, uma Religião com apenas 150 anos de existência, ainda se organizando administrativamente pelo mundo, enquanto credo religioso, mas que já encontra no Brasil a maior pátria Espírita do Planeta, despertando cada vez mais novos adeptos em todo o mundo.
Por ser uma cultura ecumênica universal, por excelência, o Espiritismo não poderia ser hostil às manifestações fraternas de aproximação dos demais credos religiosos porque para a Doutrina Espírita, baseada no modelo e guia, que é Jesus, toda a lei e os profetas se resumem num único mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”. E o que importa para a Doutrina de Kardec é a reforma moral do indivíduo; não a sua religião... Em artigo que subscreveu sob o título “O Caráter Ecumênico do Espiritismo”, o confrade Eduardo Medeiros disse: “Todas as religiões, tem seu ponto em comum, de pertencerem a um único propósito, cada uma a seu modo, buscando a Deus de diferentes maneiras e interpretações. Contudo, o intuito final é sempre o mesmo: entender como as coisas acontecem conosco e a finalidade real da nossa existência aqui, na Terra. Longe de conceituar-se "dono da verdade", mesmo porque ninguém o é, o Espiritismo, ou melhor, a Doutrina codificada por Allan Kardec com base nos Evangelhos de Jesus e na orientação de espíritos superiores (daí a seriedade e naturalidade da questão) não foge à essa regra, ou seja, também explica com detalhes o nosso verdadeiro objetivo de vida. O por quê de estarmos aqui, diante de todas essas desigualdades, e convida a todos, independente de sua religião - por isso é ecumênico - a entender também essas grandes verdades da vida”.
Por sua vez, conhecida é a posição do cientista espírita Jorge Andréa dos Santos sobre o tema ecumenismo: “O homem precisa de um estado de religiosidade, mesmo que ele não tenha religião. E me refiro à religião constituída (...) Chegará o tempo em que os rótulos vão desaparecer. No futuro, a religião será uma só e se chamará fraternidade”.

O POSICIONAMENTO DA FEB - FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA

Em documento dirigido a um confrade em 14 de setembro de 2005, a Federação Espírita Brasileira (FEB), representada pelo seu presidente, Nestor João Masotti, deixou expresso o seu posicionamento sobre o Ecumenismo ao dizer que “partilhando do esforço de união entre todas as religiões, a própria Doutrina Espírita ressalta a sua importância e traz em si o condão de não só colaborar com as outras religiões, como, também, o de oferecer esclarecimentos básicos dos princípios espiritualistas em que se assentam, estimulando o convívio fraternal e solidário, embasado na lei de amor que emana de Deus e a todos orienta”. Assim sendo – prossegue o documento - “a FEB tem participado também de todo esforço voltado a esta integração ecumênica entre as pessoas que se apóiam em princípios religiosos diferentes, mas que jamais devem servir de base para conflitos de nenhuma espécie”.

O ACENO DO MUNDO ESPIRITUAL

“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”.
O tema Ecumenismo, com toda a certeza, vem ao perfeito encontro das mais nobres expectativas atuais do Plano Espiritual Superior, nessa largada histórica em que nos encontramos em direção ao Planeta de Regeneração anunciado pela unanimidade da literatura espírita. Esse ideal ecumênico foi recentemente confirmado em uma prestigiosa Casa Espírita fluminense, onde em recente sessão pública, que tinha por exposição o tema “Prece”, a mesa de trabalhos ficou rodeada de Espíritos que vestiam trajes característicos das diferentes religiões, as quais procuravam representar, irmanados no ideal superior de união, fraternidade e amor. Foi quando uma médium se viu impelida a psicografar um conhecido chavão, que constitui a saudação celestial a todos os povos de todos os tempos: “Glória a Deus nas Alturas e Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade”.
Afinal, se as Religiões não derem o exemplo de diálogo, de fraternidade e, sobretudo, de respeito recíprocos umas com as outras, quem dará esse exemplo?... Importante notar que a mesma Igreja Católica – a maior Religião do Planeta, com 2 bilhões de fiéis - que não perdoou aqueles que divergiam de sua Doutrina durante os séculos sombrios da Inquisição, inaugurou, através do Pontífice João 23, esse movimento de aproximação de todos os credos religiosos, cabendo a cada fiel de boa vontade, seja de que religião for – segundo os que defendem esse movimento - regar essa plantinha de amor, cuja semente foi plantada às portas do novo período de Regeneração - o tempo das luzes - do qual se aproxima o atual e declinante Planeta de Provas e Regeneração.
FONTE: http://www.jornaldosespiritos.com/2008/alem(7).htm
Publicado por Marcio-geec em 25/5/2006 (346 leituras)
Fátima Farias
FONTE: http://www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=680
"Olha, nós todos somos médiuns. Queiramos ou não. É uma questão de reconhecer, constatar e disciplinadamente desenvolver. Agora, há muitos preconceitos. Nossa cabeça é assim muito cheia de preconceitos, conceitos não, mas preconceitos temos demais. Então, eu acho o seguinte: eu, a respeito da mediunidade até agora estou sentindo... (emociona-se e chora). Eu acho que o verdadeiro servo de Deus é um médium. Ele não fala de si. Vamos dizer, entre aspas, traduzindo sentimentos, é uma incorporação espiritual. Ele não é dono dele, é um veículo, um canal. O importante é a mensagem que transmite."
—Nehemias Mariem

Nehemias Marien é um pastor sensível, que transmite muito carisma, e afirma ter uma mentalidade holística. Assume sua mediunidade, fala sobre as evidências da reencarnação, em várias passagens bíblicas, e abre espaço para pregação da doutrina espírita em sua igreja. É que, para ele, "o Espiritismo é o mais caudaloso afluente do Cristianismo", a Bíblia o mais antigo livro de psicografia e mediunidade, Cristo o médium perfeito, e diz que a mentalidade kadecista todos nós a temos.

Marien demonstra ainda um grande respeito por Chico Xavier, com quem já esteve duas vezes, e por Dom Héider Câmara.

Apesar de todos estes pontos de vista, com independência ideológica, ainda consegue o respeito de sua comunidade, onde é pastor da Igreja Presbiteriana Bethesda, em Copacabana, há 26 anos,

Nehemias, autor do livro Transcendência e Espiritualidade, é uma das grandes estrelas, com cadeira e público cativos, em todas as nove edições do Encontro para a Nova Consciência, realizado no período carnavalesco em Campina Grande, onde ele abriu um espaço na sua apertada agenda e nos recebeu, carinhosamente, para esta entrevista. Ele é conhecido nacionalmente inclusive já participou do programa Jota Silvestre, respondendo sobre as sagradas escrituras, das quais é um profundo conhecedor do assunto.

Pastor, qual é a sua Igreja e onde fica?

Minha igreja e uma betel, Vamos dizer, uma palavra hebraica, todo lugar, onde o ser humano está presente em Deus, o eterno, na imensurável transcendência. Eu tenho até constrangimento de dizer em que igreja, porque minha igreja é você, estarmos, juntos, a eclésia no pensamento de Jesus, lá na Cesaréia, quando pela primeira vez disse "eu vou edificar a Igreja". É isso ai, é a vida, é o trabalho, é família, caminhada, Quando as pessoas estão juntas, mesmo que não pensem da mesma maneira é uma igreja, é uma comunidade holística. Agora, sou de formação Calvinista, sou pastor presbiteriano, lá em Copacabana, já há 43 anos, sem sair da igreja. Meus pais eram missionários lá em Mato Grosso, onde eu nasci, morei na Inglaterra, um período na França e estou no Rio de Janeiro há 26 anos, pastoreado a Igreja Presbiteriana Bethesda.

É verdade que o senhor acredita em reencarnação?

Olha só, muito grato pela pergunta. Até o ano de 546, no Concílio de Calcedônia, o Espiritismo fazia parte dos cânones da Igreja. Depois, por discussões mais administrativas e menos teológica, foi banido do cânone oficial e hoje a doutrina espírita, para a maioria dos pressupostos evangélicos, porque assim, numa confusão chamar de evangélicos só os crentes entre aspas, né? Evangélico é quem anuncia a Boa Nova. Então, eu sou professor de Teologia Bíblica e de Ciências Bíblicas. É meu livro de cabeceira. No estudo da Bíblia, as evidências da reencarnação são assim clauburosas e eu acho que o Espiritismo é a mais caudalosa vertente do Cristianismo, pelas idéias. Você encontra, tanto no Antigo como no Novo Testamento, evidências claras da reencarnação, isto é, do prosseguir da vida. Tanto Pedro, o pressuposto grande apóstolo Pedro, fala na sua segunda encíclica, no final da Bíblia, fala sobre a existência do espírito após a morte e nesta evolução do ser humano. E também São Judas, o apóstolo de Cristo, na sua epístola final, também fala sobre o mesmo tema. Então, sou uma pessoa estudiosa, aberta. Eu não tenho muros de espécie alguma. Eu tenho uma visão holística e aprendo muito com meus amados irmãos espíritas. Eu tenho um livro Transcendência e Espiritualidade, onde abordo mais diretamente o assunto. Estou crescendo assim, nesta área e num certo diálogo. Tem algumas coisas que eu não entendo, pelos meus limites bíblicos e culturais, como também não entendo o próprio Cristo. Como vou compreender plenamente Allan Kardec?

O senhor já manifestou este ponto de vista reencarnacionista na sua igreja?

Ah, sim, sim. A minha comunidade é uma igreja grande. Somos cerca de 350 congregados, tem cinco pastores, é um colegiado pastoral, além do livro. O livro é público, editado aí. Eu tenho participado de revistas. Por exemplo, no começo do ano a Revista Espírita Allan Kardec publicou uma síntese do pensamento meu, a respeito. A igreja ouve-me, aceita. Eu sou o pastor titular. Somos cinco pastores, mas estou ali, orientando a igreja, neste sentido. Eu não tenho nada de secreto na minha vida pastoral.

Qual a receptividade do público de sua igreja, em relação ao seu conceito reencarnacionista?

Bem, a igreja, ela me aceita plenamente, mas eu tenho a impressão que não só sobre o meu aspecto filosófico, teológico, doutrinário sobre o Espiritismo, mas em outros também. Porque eu, pessoalmente, Nehemias Marien, sou uma espécie de espinho de peixe na garganta da minha própria igreja, mas aceitam e vão atrás. Como diz o Mestre: "o pastor vai à frente do rebanho e o rebanho o segue, porque conhece a voz do seu pastor". Não segue em frente, mas segue a mim, mesmo que me engulam, vamos dizer assim goela abaixo, por não entenderem bem minhas nuances teológicas e espirituais, eles me aceitam. A gente vive num amor perfeito. Lá na minha igreja pregou Libório Siqueira, que é desembargador, um grande espírita. O Gérson Azevedo, que é ex-presidente da Federação Espírita do Rio de Janeiro. Vários espíritas pregando na Igreja. Não vão lá visitar não. É subindo ao púlpito. É um púlpito bonito, mais alto. Usam até toga e se não quiser fardamento, ficam como estão, elegantemente vestidos e pregam lá. Então é uma igreja aberta.

Já que o senhor acredita na reencarnação, o que o faz continuar professando a teoria presbiteriana?

Olha, eu estou presbiteriano. Eu até não gosto muito desta palavra presbiteriano porque Calvino, João Calvino, que é o estruturador do pensamento teológico protestante, ele bebia muito lá na Idade Média. Mandou crucificar na maneira de falar, mandou queimar vivo Serventus, um médico, porque discordava dele. Criou uma doutrina chamada doutrina da predestinação. Eu bato de frente contra isso. Agora eu estou lá, porque, acho que estamos num "pool" de idéias e a minha cabeça é holística. Assim, vamos dizer, Nehemias Marien, teológica e pastoralmente é um caleidoscópio. A beleza do caleidoscópio é exatamente ter vidros quebradinhos, bonitos e funcionais, com figuras geométricas de grande dimensão espiritual.

O senhor já estudou a doutrina espírita?

Eu tenho o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo e vários livros de Allan Kardec.

E qual a sua opinião sobre a doutrina espírita?

Eu acho que o Espiritismo é o mais caudaloso afluente do Cristianismo. Considero a bíblia como o mais antigo livro de psicografia e mediunidade. Eu acho que Jesus era o médium perfeito e que a mentalidade kardecista todos nós a temos.

Sobre a mediunidade, pastor, o que o senhor diz?

Olha, nós todos somos médiuns. Queiramos ou não. É uma questão de reconhecer, constatar e disciplinadamente desenvolver. Agora, há muitos preconceitos. Nossa cabeça é assim muito cheia de preconceitos, conceitos não, mas preconceitos temos demais. Então, eu acho o seguinte: eu, a respeito da mediunidade até agora estou sentindo... (emociona-se e chora). Eu acho que o verdadeiro servo de Deus é um médium. Ele não fala de si. Vamos dizer, entre aspas, traduzindo sentimentos, é uma incorporação espiritual. Ele não é dono dele, é um veículo, um canal. O importante é a mensagem que transmite.

E quanto à comunicabilidade com os espíritos, o que o senhor diz?

É isso que eu estava tentando passar. Eu tenho, até não entendo bem este espírito meu, mas eu tenho a impressão que é uma índia, minha Biquara, mãe de minha mãe, minha avó Joana. Eu sinto assim, uma certa colocação, uma certa energia dela para mim. Todas as vezes que eu abro o texto sagrado, para as homílias, as pregações, os sermões, sinto que estou fora de mim. Eu admito esta transcendência da espiritualidade, esta invasão do céu no coração humano, através da mediunidade.

Como o senhor encara os sucessivos ataques de pastores ao Espiritismo?

Bom, como eu diria, nossos amados irmãos são aliados. Estamos todos no mesmo barco, mas eles fazem parte da artilharia. O artilheiro é o soldado, que vem lá atrás. A infantaria somos nós, a doutrina espírita, aqueles que vão lá para frente. A artilharia, ao abrir espaço à frente, solta as bombas, mas são muito ruins de cálculos matemáticos, erram os cálculos e acabam dizimando os próprios aliados. É o que acontece, criticando o Espiritismo, que está na mesma dimensão espiritual. Eu os chamo, vamos dizer assim, de bonsais espirituais, aquela plantinha que não cresce. Lá em Tóquio vi todo um horto só de bonsai, bonitos, mas não se desenvolveram espiritualmente. Estes que atacam nossos irmãos espíritas e outras tradições, com as quais não concordam, e uma espécie de pitimbus. Eu acho que os ventos contrários firmam raízes de árvore e o avião sobe mais alto. Acho que é como burilando um diamante, que vira brilhante.

Na sua opinião, qual seria o caminho mais eficiente para a Humanidade seguir em direção ao Ecumenismo?

Eu penso mimo Melânquico, o grande reformador do século XVI. Ele tem uma fórmula e diz assim: "Unidade absoluta, naquilo que é essencial, o amor, por exemplo. Liberdade absoluta em tudo que é duvidoso e caridade em todas as coisas". Acho que este é o caminho do ecumenismo.

O que o senhor acha de Chico Xavier?

Chioco Xavier e um nome-legenda na da Espiritualidade, nacional e mundial. Eu tive o privilégio de estar com ele, duas vezes. Fui fazer uma sede de conferências do Rio à Brasília. Viajei de carro e propus ao meu amigo levar-me em Uberaba. Oramos juntos. Olha, Chico Xavier e Dom Hélder Câmara são pessoas que me fizeram muito bem pela prece ao meu favor. Rogo a Deus que este ícone da Espiritualidade, que o Mundo todo respeita, tenha assim muitos, muitos e muitos privilégios desta bênção inaudita de transbordar a espiritualidade como ela vem fazendo pelo santo Chico Xavier.

Espaço aberto para sua mensagem final.

Rogo a Deus que haja uma nova consciência no ser humano e que é difícil abrir ao espírito. Ele, como vento, sopra onde quer, já que aqui a vida é grande Pentecostes. Que Deus abençoe os irmãos e irmãs, grandes e pequenos, que participam desta festa eucarística do Programa Nova Consciência.

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