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sábado, 25 de julho de 2009

-->HAMLET (Tragédia de Shakespeare)


Hamlet, a tragédia da dúvida, do desespero do solitário príncipe, da violência do mundo, é a peça de Shakespeare mais representada e estudada até hoje.

Interpretando Hamlet
Hamlet, príncipe da Dinamarca, peça escrita provavelmente em 1600/2, é seguramente a tragédia de Shakespeare mais representada em todos os tempos e a que mais se prestou a interpretações de toda ordem. Praticamente todos os escritores e pensadores importantes nos últimos quatro séculos deixaram suas impressões sobre o impacto que lhes causou a história do infeliz príncipe da Dinamarca, constrangido a fazer, sem nenhuma vocação para tal, uma terrível vingança.
Estrutura e inspiração
Estrutural e tecnicamente, Hamlet é a peça mais longa escrita por Shakespeare (4.042 linhas com 29.551 palavras, 73% delas em verso e 27% em prosa) e, provavelmente, a que mais lhe deu trabalho. Supõe-se inclusive a existência de um esboço original que teria sido alinhavado uns dez ou 12 anos antes da sua conclusão, ali por 1588. Texto que os críticos denominaram de Ur-Hamlet (um primeiro Hamlet). Isso porém são especulações, pois a influência mais direta sobre ele veio mesmo da peça The Spanish Tragedie,
Uma Tragédia Espanhola, de um autor de menor importância chamado Thomas Kyd, que a encenou possivelmente em 1590. Não seria a primeira vez na história cultural, nem a última, em que um traço tosco qualquer servisse como chispa para que alguém de talento ou gênio empolgue-se fazendo dele maravilhas.
A história de Hamlet
A fonte original da história do príncipe dinamarquês encontrou-se na Gesta Danorum, obra de Saxo Gramaticus, (1150-1206), escrita em latim mas que recebeu o título de Danish History, na edição inglesa de 1514. A versão que chegou às mãos de Shakespeare é de se supor tenha sido a de Belleforest, intitulada de Histoires Tragiques, de 1570. Coube ao bardo alterar alguns aspectos do enredo e os nomes originais dos personagens. No Hamlet de Shakespeare, por exemplo, Fergon, o rei criminoso que mata o irmão para ficar com o trono e a cunhada chama-se Cláudio; o rei morto Horwendil passou a ser Hamlet-pai, enquanto a rainha Gerutha tornou-se simplesmente Gertudres. Amleth, o filho vingador, foi regrafado como Hamlet (o mesmo nome que Shakespeare deu ao seu filho Hamnet, que morreu na infância). Tudo indica que a tragédia, que se passa no castelo de Elsenor, na Dinamarca, era muito popular entre os escandinavos em geral, havendo uma série de lendas dela derivada. Acredita-se que mesmo na época de Shakespeare, uma versão alemã da tragédia do príncipe dinamarquês corria encenada pela Europa.
Os personagens
Além de Hamlet, fingindo-se boa parte do tempo de louco - e que domina a peça do princípio ao fim como uma estrela lúgubre, sempre trajando preto, demonstrando o luto como um desagrado moral - está o seu rival, o tio Cláudio. Este teria assassinado o pai de Hamlet por meio de um estratagema covarde ( Cláudio pingou gotas de um funesto licor no ouvido do rei Hamlet enquanto este dormia num banco de um jardim no castelo de Elsenor). Havia pois algo de podre no Reino da Dinamarca!
Em meio a esses dois leões que vão nutrindo, um pelo outro, um ódio crescente ao longo da história, tentando ser um algodão entre os cristais, está a rainha Gertudres, mãe de Hamlet, e também Polônio, o ministro da casa. Polônio não só é o típico cortesão que pretende acomodar tudo, como também é o pai da jovem Ofélia, a frágil prometida de Hamlet. Ele também tem um filho, Laertes, estudante como Hamlet, que mais tarde, cabalado por Cláudio, vai querer vingar a morte do pai, pois o desastrado Polônio terminara, por engano, mortalmente estocado por Hamlet ao esconder-se atrás de uma cortina no quarto da Rainha Gertrudes. Ao redor desses personagens centrais, circulam outros de menor expressão como Rosencrantz e Guildenstern, ex-colegas de Hamlet que também são aliciados na trama por Cláudio.
Um final terrível
Depois de peripécias mil, Hamlet, no ato final, vê-se desafiado para um duelo de espada por Laertes. O jovem, devidamente instrumentalizado por Cláudio, que lhe insuflou o desejo de vingança, ainda aceitou participar de uma perfídia. Sabendo ser Hamlet um bom espadachim, deixou-se convencer, pelo rei

A morte de Hamlet
criminoso, em embeber com mortal veneno a lâmina da sua espada. Garantia-se assim de que o príncipe não sairia vivo do recinto da corte, fosse qual fosse o resultado da peleja. O desfecho, porém, foi tétrico. Deu-se uma sucessão avassaladora de mortes. A sala da corte do rei Cláudio tornou-se o sepulcro da dinastia dos Hamlet. Ferido de morte por uma estocada de Hamlet, Laertes, agonizante, revelou-lhe o plano monstruoso do tio. O príncipe, àquela altura, trazia no sangue a poção maligna, pois Laertes o atingira de raspão.
Espadas e venenos
Não querendo entregar-se à morte, que já lhe anuviava a mente, antes de poder cumprir com a vingança final, Hamlet concentra sua forças para, num só golpe, prostrar o rei Cláudio. Este morre na hora. A rainha Gertrudes, por sua vez, desconhecendo a segunda armadilha que o rei preparara para o seu filho, emborca num gesto só uma taça envenenada que o marido deixara de reserva sobre uma bandeja. Sofre uma síncope instantânea. A cena é brutal. Corpos jazem por todos lados. Laertes e Cláudio, sangram até a morte trespassados pela lâmina de Hamlet, enquanto esse e a rainha sua mãe contraem-se empeçonhados.
Nesse momento, eis que surge o jovem Fortimbrás, o novo rei da Dinamarca que viera reclamar o trono (o pai de Fortimbrás vira-se usurpado pelo rei Hamlet). Contemplando o horrível quadro, ele compreende que a justiça final fora feita. A ordem voltara a imperar no Reino da Dinamarca. Purificava-se o trono. A podridão de cercava o reino fora removida.
O Hamlet de Goethe
Goethe, por exemplo, (Os anos de aprendizagem de Wilhelm Meister, livro IV, cap. 3 e 13), registrou que a verdadeira tragédia de Hamlet, ou que pelo menos mais o tocou, a ele Goethe, deu-se pela súbita ruína que acometeu aquele jovem na sua até então vida segura e de aparente bom convívio familiar. Num repente, com a súbita aparição do espectro do pai, deu-se um terremoto na vida dele. Sofreu desmoronamento total da confiança na ordem ética que era representada pelo elo que o ligava aos pais, os quais amava e honrava, e que rompera-se de uma maneira tão horrenda ao descobrir a sordidez que envolvia a morte do pai e o repentino casamento da sua mãe, a rainha Gertrudes.
Era Hamlet, para ele, um jovem terno, sensível, que procurava o mais elevado caminho ideal. Modesto, mas com insuficiente força interior, vê-se num repente diante da necessidade de: "uma grande ação" que lhe "é imposta a uma alma que não está em condições de realizá-la."....."um ser belo ...que sucumbe sob a carga que não pode carregar sem a jogar para longe de si." Tornou-se uma espécie de paradigma involuntário do intelectual, pois quase sempre suas ações eram paralisadas pela exuberante atividade do seu pensamento.
O Hamlet de Freud
A "modernização" psicológica de Hamlet deu-se pela abordagem que Freud fez no seu A Interpretação dos Sonhos, de 1900, quando comparou-o à figura de Édipo, o trágico rei de Tebas, personagem de Sófocles. Observou, porém, Freud que a fantasia infantil de Hamlet ficou por tempos reprimida, só aflorando numa situação similar à da neurose, bem mais tarde. Para Freud, Hamlet era um histérico que aparentava ter, como demonstram suas atitudes para com Ofélia, repulsa ao sexo.
Não o vê porém como um incapaz, concentrado apenas a executar vinganças imaginárias. Afinal ele livra-se, com uma maquinação digna de um discípulo de Maquiavel (obra que Shakespeare conhecia), dos cortesãos Guilderstern e Rosencrantz, que estavam ao serviço do rei Cláudio, como também foi capaz, como se viu, de, num gesto fulminante, trespassar com seu florete a Polônio (que o espionava por detrás da cortina no quarto da rainha Gertrudes). Freud observa que a inação de Hamlet devia-se a que o seu tio Cláudio fizera o que o jovem príncipe (ainda que em seus instantes mais sombrios e reservados momentos oníricos), desejava ter feito: matar o próprio pai!
Mesmo reconhecendo que a criatividade de um poeta é formada por diversos motivos, Freud enfatiza que (como não podia deixar de ser para o fundador da ciência da subjetividade), ao escrever Hamlet , fê-lo sob o impacto da morte do seu pai, John, o que explicaria a presença de um espectro paterno no primeiro ato da peça, e lembra também que um dos filhos dele chamava-se Hamnet, concluindo que "a vida anímica do personagem não era outra senão a do próprio Shakespeare".
Dessa maneira a mais longa peça de Shakespeare seria aquela que carregava as maiores evidências da subjetividade do autor, a que trazia as digitais do gênio por assim dizer.
Hamlet maquiavélico
Erich Auerbach (Mimesis, no capítulo 13) contraditando Goethe, considerou a interpretação do poeta alemão como adequada ao romantismo do século XVIII. Para ele, e também para Harold Bloom, o personagem de Shakespeare, bem ao contrário do parecer de Goethe, nada tem de rapaz inocente. Hamlet é isto sim astucioso e até temerário em seus ataques. Utiliza-se tanto da dureza selvagem no seu trato com Ofélia, como é capaz do mais absoluto sangue frio quando, ardilosamente, se desfaz dos já citados cortesãos que poderiam atrapalhar o seu plano. Não é, pois, um personagem débil. Ao contrário. É o mais forte da peça. Impõe respeito e temor e parece agir dominado por forças demoníacas. Os seus impulsos, por vezes, parecem predominar sobre tudo o demais. O retardo em agir pode ser visto apenas como um estratagema de um animal cauteloso, um tarimbado sobrevivente das cortes renascentistas, esperando a melhor hora de atacar, e não alguém fragilizado pela indecisão ou pelo medo.
A tragédia da inteligência
Hamlet é também uma tragédia da inteligência. As artimanhas cerebrais do príncipe são um poderoso instrumento na elaboração da grande vingança. É o que o orienta em reproduzir em frente a toda a corte, quase de improviso, aproveitando-se da presença de uma trupe de atores, a cena da morte do seu pai, para expor o seu assassino, o rei Cláudio. Quase toda a ação que ocorre na peça é geralmente precedida de uma concepção intelectual, que alterna-se com rompantes bruscos e violentos que terminam conduzindo-o ao trágico final. Seja como for é um cérebro quem conduz a espada.
Hamlet e Édipo
Para o discípulo e biógrafo de Freud, o dr. Ernest Jones (Hamlet e o Mito do Complexo de Édipo), a aparição do espectro do pai e o desejo de vingança que então o acomete não passa de um delírio psicótico, comum de ocorrer com quem é atormentado pelo complexo de Édipo. Hamlet não pode perdoar a mãe ter-se casado novamente. Imaginava-se, após a morte do pai, seu substituto, o centro máximo das atenções de Gertrudes. Eis que esse Édipo vê-se frustrado pelo casamento feito um tanto às pressas dela com seu tio Cláudio. Na sua fantasia, o tio usurpou-lhe não só o trono como o afeto da mãe. A vingança resultante nada mais era do que o pretexto para canalizar a frustração dele em ter sido preterido.
A mais bem sucedida das histórias
Hamlet é certamente a mais bem-sucedida história de vingança levada aos palcos. Ela, desde o início, coloca o público ao lado do jovem príncipe porque o ato da vingança, que Francis Bacon definiu como uma "forma selvagem de fazer justiça", sempre seduziu o a todos. Hamlet sente-se pois um reparador de uma injustiça, um homem com uma missão. A ela irá dedicar todos os momentos da sua vida, mesmo que tenha que sacrificar seu amor por Ofélia e ainda ter que tirar a vida de outras pessoas. Talvez seja essa obsessão, essa monomania que toma conta dele desde as primeiras cenas do primeiro ato, que eletrize os espectadores e faça com que eles literalmente bebam todas as palavras do príncipe vingador (Hamlet é o personagem que mais fala na obra de Shakespeare, recita 1.507 linhas).
Uma concepção excepcional
Além disso, a concepção da peça é espetacular. Os elementos que cercam a tragédia são impressionantes. O castelo assombrado de Elsenor, o espectro que ronda as altas torres clamando por vingança, o mal-estar e o clima de intrigas que se apossa da corte, um príncipe esquisito fingindo-se de louco, o belo achado shakespeariano de fazer teatro dentro do teatro, que o levou a encenar um pequeno drama para apurar um crime, as tramas paralelas, a visita noturna do jovem Hamlet ao cemitério, seguido do seu monólogo empunhando uma caveira, o horrível suicídio da bela e frágil Ofélia e, como conclusão, a tétrica dança da taça envenenada, sorvida em meio a um mortal duelo que encerram com um gran finale a tragédia, tudo isso faz dela um dos maiores achados teatrais de todos os tempos.
Quanto a sua construção literária, Hamlet expõe em cada ato, em cada cena, as mais belas imagens em verso e prosa da língua inglesa, beleza, diga-se, que consegue a façanha de manter-se mesmo nas adaptações e traduções que tem sido feitas até hoje. Não importando o idioma em que o verteram. Pessoas de cultura média, e até sofrível, espalhadas pelos quatro cantos do mundo, guardam com facilidade uma ou outra passagem hamletiana qualquer de cor. O que mais poderia Shakespeare ambicionar para merecer a imortalidade?
FONTE: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/hamlet4.htm
VEJAM OS PRINCIPAIS TRECHOS DA PEÇA (TRAGÉDIA):
• "Porque o Todo-Poderoso fixou suas leis contra o suicídio" Cena II, Ato I (Hamlet)
• "...Fragilidade, teu nome é mulher..." Cena II, Ato I (Hamlet)
• "Antes mesmo que o sal da suas lágrimas hipócritas abandonasse o fluxo de seus olhos inflamados... Casada estás!" Cena II, Ato I (Hamlet)
• "Os manjares preparados para a refeição fúnebre foram servidos frios nas mesas do casamento." Cena II, Ato I (Hamlet)
• "Suspeito de alguma traição" Cena II, Ato I (Hamlet)
• "A natureza, ao fazer-nos crescer, não só nos favorece em forças e tamanho, mas, à medida que o tempo vai passando, dilata com ele o espaço interno da inteligência e da alma." Cena III, Ato I (Laertes)
• "Tem cuidado em não entrar em uma briga, mas uma vez nela, faze tudo para que teu adversário sinta temor" Cena III, Ato I (Polônio)
• "...porque a roupa revela o homem...." Cena III, Ato I (Polônio)
• "Não peças nem dês emprestado a ninguém, pois emprestar faz perder ao mesmo tempo o dinheiro e o amigo e, pedir emprestado, embota o fio da economia." Cena III, Ato I (Polônio)
• "Não tomes, minha filha, como fogo essas labaredas que fornecem mais luz do que calor e que se extinguem completamente no momento em que mais prometem. Cena III, Ato I (Polônio)
• "Mas, de qualquer modo que realizares tua vingança, não contamines teu espírito, nem deixes que tua alma trame qualquer dano contra tua mãe. Cena V, Ato I (Espectro)
• "...não possuo arte para esconder os meus gemido; mas que te amo, que eu te adoro, não tenhas dúvidas. Adeus!" Cena II, Ato II (Polônio - Cintando carta de Hamlet)
• "Teu, para sempre, encantadora dama, enquanto a máquina deste corpo me pertencer." Cena II, Ato II (Polônio - Cintando carta de Hamlet)
• "Nada em si é bom ou mau; tudo depende daquilo que pensamos." Cena II, Ato II (Hamlet)
• "O próprio sonho não passa de uma sobra." Cena II, Ato II (Hamlet)
• "...porque para um nobre coração os mais ricos presentes tornam-se pobres, quando aquele que oferece o presente já não mais demonstra afeto" Cena I, Ato III (Ofélia)
• "Porque o poder da beleza transformará a honestidade em alcoviteira, muito antes que a força da honestidade transforme a beleza à sua imagem. Cena I, Ato III (Hamlet)
• "Amei-te, um dia" Cena I, Ato III (Hamlet)
• "Sou muito orgulhoso, vingativo, ambicioso, com mais pecados na cabeça do que pensamentos para concebê-los, imaginação para dar-lhes forma ou tempo para executá-los." Cena I, Ato III (Hamlet)
• "Mesmo que fores tão casta quanto o gelo, e tão pura quanto a neve, não escaparás da calúnia". Cena I, Ato III (Hamlet)
• "...pois bem sabeis, que na mulher o medo e o carinho seguem emparelhados: ou são ambos nulos, ou ambos extremados." Cena II, Ato III (Rei - Autor da peça de Hamlet)
• "Aquilo que prometemos no calor da paixão, acalmada a paixão, é por nós abandonado." Cena II, Ato III (Rei - Autor da peça de Hamlet)
• "Que eu seja cruel, mas nunca desnaturado. Meu único punhal será minha palavra. Cena II, Ato III (Hamlet)
• "Colocai-a na terra e que de sua bela e imaculada carne brotem perfumadas violetas!" Cena I, Ato V (Laertes)
• "Com estas flores pensava, doce donzela , adornar teu leito nupcial e não espalhá-las sobre tua sepultura." Cena I, Ato V (Rainha)
• "O resto é Silêncio" Cena II, Ato V (Hamlet)
• "A todos, teu ouvido; a voz, a poucos; ouve opiniões, mas forma juízo próprio." Cena III, Ato I
• "Há algo de podre no reino da Dinamarca." Ato I, Cena IV
• Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia".Ato I - Cena V
• "Duvida da luz dos astros, de que o Sol tenha calor, duvida até da verdade, mas confia em meu amor." Ato II, Cena II
• "Se fôsseis tratar todas as pessoas de acordo com o merecimento de cada uma, quem escaparia da chibata? Tratai deles de acordo com vossa honra e dignidade. Quanto menor o seu merecimento, maior valor terá nossa generosidade." Ato II, Cena II
• Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer..., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis morosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem." Ato III, cena I
• "Eu, de mim, considero-me mais ou menos honesto, mas poderia acusar-me de tais coisas, que teria sido melhor que minha mãe não me houvesse dado à luz. Sou orgulhoso, vingativo, cheio de ambição, e disponho do maior número de delitos do que de pensamentos para vesti-los, imaginação para dar-lhes forma ou tempo para realizá-los. Para que rastejarem entre o céu e a terra tipos como eu? Todos somos consumados velhacos; não deves confiar em ninguém." Ato III, cena I
• "Que nobre inteligência assim perdida! O olhos do cortesão, a língua e o braço do sábio e do guerreiro, a mais florida esperança do Estado, o próprio exemplo da educação, o espelho da elegância, o alvo dos descontentes, tudo em nada! E eu, a mais desgraçada das mulheres, que saboreei o mel de suas juras musicais, ter de ver essa admirável razão perder o som, qual sino velho, essa forma sem par, a flor da idade, fanada pela insânia! Ó dor sem fim! Ter já visto o que vi, e vê-lo assim!" Ato III, Cena I
• "É sempre ousada a loucura dos grandes não vigiada." Ato III, cena I
• "O exagero ou descuido, no ato de representar, podem provocar riso aos ignorantes, mas causam enfado às pessoas judiciosas, cuja censura deve pesar mais em tua apreciação do que os aplausos de quantos enchem o teatro." Ato III, cena II
• "(...) que indigna criatura acreditas que eu seja? Estás querendo fazer de mim um divertimento; estás procurando aparentar que conheces meus registros; estás querendo arrancar os meus segredos mais íntimos; pretendes sondar-me, fazendo que emita desde a nota mais grave até a mais aguda de meu diapasão; e possuindo tal abundância de música e tão excelente voz neste pequeno órgão, tu, contudo, não podes fazê-lo falar. Pelo sangue de Deus! Estás pensando que seja eu mais fácil de ser tocado que uma flauta? Toma-me pelo instrumento que melhor te agrade e por muito que me dedilhes, posso garantir-te que não conseguirás tirar qualquer som de mim(...)" Ato III, Cena II
• "Foi curto.
Tal como o amor das mulheres." Ato III, cena II
• "Dar-vos uma resposta sadia. Meu espírito está doente."Ato III cena II
• " ..vossa conduta lhe causou assombro e admiração." Ato III, cena II
• "Mas que pode fazer com quem não sabe arrepender-se?" Ato III Cena III
• "Necessito de sangue em vez de lágrimas."Ato III, Cena IV
• "Hamlet, o coração em dois me partes.
Jogai fora a metade que não presta, para com a outra parte serdes pura."Ato III, Cena IV
• "O hábito, esse demônio que devora todos os sentimentos"Ato III, Cena IV
• "Preciso ser cruel para ser bom"Ato III, Cena IV
• "Como é belo ver a astúcia vencer a própria astúcia!"Ato III, Cena IV
• "chora a morte que ele mesmo causou." Ato IV, Cena I
• "Não onde ele come, mas onde é comido. Certa assembléia de vermes políticos se ocupa justamente dele. Um verme desse gênero é o verdadeiro imperador da dieta. Engordamos as criaturas, para que nos engordem, e engordamo-nos para dar de comer aos gusanos. Um rei gordo e um mendigo magro são iguanas diferentes; dois pratos, mas para a mesma mesa: eis tudo." Ato IV, cena III
• "HAMLET: Pode-se pescar com um verme que haja comido de um rei, e comer o peixe que se alimentou desse verme.
O REI: Que queres dizer com isso? HAMLET: Nada; apenas mostrar-vos como um rei pode fazer um passeio pelos intestinos de um mendigo." Ato IV, cena III
• "Que é o homem, se sua máxima ocupação e o bem maior não passam de comer e dormir?" Ato IV, cena IV
• "O ser, de fato, grande não é empenhar-se em grandes causas; grande é quem luta até por uma palha, quando a honra está em jogo." Ato IV, cena IV
• "Cara Gertrudes, as tristezas não andam como esías, mas sempre em batalhões." Ato IV, cena V
• "É então possível que a razão de uma jovem seja frágil como o alento de um velho?" Ato IV, cena V
• "À tristeza, à paixão, ao próprio inferno, a tudo ela dá graça e empresta encanto." Ato IV, cena V
• "Nada conserva sempre o mesmo aspecto; qua até mesmo a bondade, em demasia, morre do próprio excesso. Ato IV, cena VII
• "...é pena que neste mundo os grandes tenham mais direito de se enforcarem e afogarem do que seus irmãos em Cristo." Ato V, cena I
• "É isso; as mãos que trabalham pouco são mais sensíveis." Ato V, cena I
• "Levarem tanto tempo esses ossos para se formarem, só para virem a servir de bola! Só de pensar em tal coisa, sinto doer os meus." Ato V, cena I
• "...conhecermos bem uma pessoa, é conhecermos a nós mesmos." Ato V, cena II
• "Se tem de ser já, não será depois; se não for depois, é que vai ser agora; se não for agora, é que poderá ser mais tarde. O principal é estarmos preparados, umas vez que ninguém sabe o que deixa" Ato V, cena II
• "O instrumento fatal se acha em tuas mãos, sem guarda e envenenado. Minha astúcia se virou contra mim. Jazo por terra para sempre. (...)O rei... É ele o culpado." Ato V, cena II
• "Estou morto, Horácio." Ato V, cena II
• "Eu poderia viver recluso em uma casca de nóz e me considerar rei do universo infinito."
• "Mata-se o corpo, e não a alma."
• "O ser grande não é se empenhar em grandes causas: grande é quem luta até por uma palha, quando a honra está em jogo".
• "Onde o prazer se exalta a dor se encolhe".
• "Leviandade, teu nome é mulher".
• "As ações más, embora a terra as cubra, não se subtraem aos olhos dos mortais".
• "Mostrar tão grande obstinação no luto é dar indícios de teima e de impiedade; é a dor dos fracos; revela (...) coração débil, mente anarquizada, inteligência pobre e sem cultivo".
• "É bem freqüente não cumprirmos a jura mais ardente. Da memória a intenção é simples serva".
• "Do jeito em que o mundo anda, ser honesto é ser escolhido entre dez mil".
• "Ó filho estupendo, que chega a causar assombro à própria mãe".
• "Sê fiel a ti próprio: segue-se disso, como o dia à noite, que a ninguém serás falso jamais".
• "Tem amigos que nunca aos outros importuna".
• "Um grande amor nos sustos se confirma".
• "As coisas em si mesmas não são nem boas nem más, é o pensamento que as torna desse ou daquele jeito".
• "Não faças como alguns desses pastores que aconselham aos outros o caminho do céu, cheio de abrolhos, enquanto eles seguem ledos a estrada dos prazeres, sem dos próprios conselhos lembrarem".
• "À todos, teu ouvido; a voz, a poucos; ouve opiniões, mas forma juízo próprio". Ato I, Cena III.
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HAMLET – O FILME
• Sinopse


Após terminar seus estudos Hamlet (Kenneth Branagh), Príncipe da Dinamarca, retorna para o Palácio de Elsinore e encontra seu tio Claudius (Derek Jacobi) casado com Gertrude (Julie Christie), sua mãe. Bernardo (Ian McElhinney), Horatio (Nicholas Farrell) e Marcellus (Jack Lemmon), três amigos de Hamlet, falam a ele sobre um fantasma que parece ser seu falecido pai, que morreu há poucos meses. Hamlet acaba vendo aparição e a segue através do bosque. Ao encontrá-la, ela diz que precisa ser vingado, pois, apesar de se ter tido que o falecido monarca morreu devido à uma picada de cobra, a aparição afirma que a serpente que picou seu pai usa agora sua coroa e que, de uma única vez, tudo lhe foi tirado: a vida, a coroa e a rainha. Hamlet jura vingança e quando o rei e a rainha mandam vir amigos de Hamlet, para ver o que está errado com ele, o jovem príncipe assume um ar de louco e faz alguns atores representarem "A Morte de Gonzaga" que, com algumas modificações, fica bastante similar ao assassinato de seu pai. A reação de Claudius comprova que ele matou realmente o ex-soberano e a vingança agora é uma questão de tempo. Mas várias tragédias estão reservadas para Elsinore
• Informações Técnicas
Título no Brasil: Hamlet (1996)
Título Original: Hamlet
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 235 minutos
Ano de Lançamento: 1996
Site Oficial:
Estúdio/Distrib.:
Direção: Kenneth Branagh

• Elenco
Kenneth Branagh .... Hamlet
Kate Winslet .... Ophelia
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Sinopse
Estamos em plena Nova York do ano 2000, quando uma nova geração de jovens cineastas está despontando para a fama. Hamlet (Ethan Hawke) é um deles, possuído por uma alienação e ânsia pouco comuns para os jovens espectadores de seus filmes. A Dinamarca não é um reino, mas sim uma corporação gigantesca e o fantasma de seu pai desta vez aparece para Hamlet no terraço do hotel em que ele está hospedado. O clássico "ser ou não ser, eis a questão" desta vez é declamado sob as luzes fluorescentes de uma grande locadora de vídeo. Entretanto, assim como na versão original, a saga de Hamlet mantém seu verdadeiro significado: o idealismo de um jovem destruído pela corrupção existente no mundo.

Informações Técnicas
Título no Brasil: Hamlet (2000)
Título Original: Hamlet
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 113 minutos
Ano de Lançamento: 2000
Site Oficial:
Estúdio/Distrib.:
Direção: Michael Almereyda

• Elenco
Ethan Hawke .... Hamlet
Kyle MacLachlan .... Claudius

Hamlet
(Hamlet, 1990)



» Direção: Franco Zeffirelli
» Roteiro: William Shakespeare, Christopher De Vore, Franco Zeffirelli
» Gênero: Drama
» Origem: Estados Unidos/França/Reino Unido
» Duração: 135 minutos
» Tipo: Longa
• » Sinopse: Mel Gibson interpreta Hamlet nesta versão mais atualizada da mais conhecida obra de William Shakespeare. Hamlet descobre, através do fantasma de seu pai - o antigo rei da Dinamarca - que seu tio, agora casado com sua mãe e o novo detentor do trono, foi quem o assassinou. Agora a alma de Hamlet passará por provações grandiosas enquanto ele toma coragem para se vingar.
• » Elenco ::.
- Ator/Atriz Personagem

- Mel Gibson
Hamlet

- Glenn Close
Gertrudes

- Alan Bates
Claudius

- Paul Scofield
O fantasma

- Ian Holm
Polônio

- Helena Bonham Carter
Ofélia

- Stephen Dillane
Horácio
http://www.cineplayers.com/filme.php?id=2850

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