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sexta-feira, 30 de abril de 2010

"Sempre acreditei que há vida após a morte", diz autora de novela da Globo


LAURA MATTOS
FERNANDA MENA

Católica, a autora da novela das seis da Globo, "Escrito nas Estrelas", Elisabeth Jhin teve assessoria de espíritas para escrever sua trama, que atingiu 25 pontos de média nas duas primeiras semanas (1,5 milhão de domicílios na Grande SP).
O cineasta Wagner de Assis, que está dirigindo o filme "Nosso Lar", baseado em livro de Chico Xavier, foi um dos que a auxiliaram, conta Jhin, em entrevista à Folha
. Ela também leu livros do psiquiatra Brian Weiss, que estuda reencarnação.


Folha - O que achou do resultado de audiência da novela até agora?
Elisabeth Jhin - Estou muito feliz com a repercussão. Escrever novela é um trabalho árduo. Saber que o público está gostando é uma alegria. O entusiasmo de toda a equipe é grande, e isso é essencial para um bom resultado no ar.
Folha - O tema espiritual colabora para o sucesso?
Jhin - Sim, se considerarmos que estamos refletindo sobre inquietações pelas quais todos passamos. Minha intenção é enfocar a espiritualidade no seu sentido amplo, aquela busca pelo sagrado que existe dentro do homem desde que ele se pôs de pé e conseguiu olhar para o alto.
Folha - Por que novelas espíritas costumam fazer sucesso?
Jhin - O estudo da espiritualidade reflete sobre questões pertinentes a todos. Imagino que a identificação do público pelo tema tenha a ver com isso, independentemente de religião. Mas não acho só o tema determinante para o sucesso da empreitada, que envolve o talento de muita gente.
Folha - A autora Andrea Maltarolli [morta em 2009] estava fazendo a sinopse de uma novela sobre fantasmas para este ano. É coincidência que você tenha optado pelo espiritismo ou a Globo tinha planos de abordar o tema agora?
Jhin - A ideia desta novela surgiu a partir de um artigo sobre reprodução humana e os aspectos éticos ligados à ciência genética. Pensei em como seria uma mulher gerar um filho com o sêmen de um homem morto e comecei a me perguntar sobre as implicações de um ato desses na esfera espiritual. Quando criei a novela, não pensei no centenário do Chico Xavier, foi coincidência.
Folha - Como católica, como fez para conceber a história?
Jhin - Sou católica de formação, estudei em colégio de freiras, mas não pratico nenhuma religião. A busca da espiritualidade sempre foi uma constante em minha vida. Sempre acreditei que existe vida após a morte, ela continua de outra forma e em diferentes dimensões. Para a novela tive vários encontros com Luiz Queiroz e Wagner de Assis, que me ajudaram a entender a espiritualidade. Também li muito, principalmente livros de Brian Weiss [psiquiatra norte-americano que pesquisa reencarnação e terapia de vidas passadas].
Folha - Como é criar um mundo desconhecido?
Jhin - Em uma obra de ficção, a imaginação é fundamental, seja para criar um mundo desconhecido ou mesmo conhecido. Também buscamos estudar e entender sobre aquilo que vamos escrever. É uma pitada de cada coisa.

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